CONTRA O LATROGENOCÍDIO DO POVO LÍBIO


CONTRA O LATROGENOCÍDIO DO POVO LÍBIO



Mantemos a recomendação do vídeo de Jean-Luc Godard, com sua reflexão sobre a cultura européia-ocidental, enquanto a agressão injusta à Nação Líbia perdurar.




Como contraponto à defesa de civis pelos americanos, alardeada em quase todas as recentes guerras de agressão que promovem, recomendamos o vídeo abaixo, obtido pelo Wikileaks e descriptografado pela Agência Reuters

sábado, 29 de maio de 2010

Trabalho Escravo no Brasil, pelo blog

O leitor poderá consultar as listas de empregadores (empresas e pessoas físicas) que foram flagrados pelo Ministério do Trabalho e do Emprego utilizando-se, em pleno Século XXI, da odienta forma de trabalho conhecida como "trabalho escravo" no Brasil, com o acesso, inclusive aos respectivos CPF ou CNPJ, no site da ONG (Organização não-governamental""Repórter Brasil", http://www.reporterbrasil.org.br/.
A existência dessas listas deve-se à atução do referido Ministério no atual governo (governo Lula) que adotou a prática de divulgá-las, recebendo grande elogio da relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Formas Contemporâneas de Escravidão, Gulnara Shahinian, que a citiu como exemplo a ser seguido por outros países.
Tal lista pode ser consultada no site do Ministério do Trabalho (www.mte.gov.br).
Conforme recomendou a relatora da ONU, "O governo não pode auxiliar, assim como os bancos não podem financiar quem usa trabalho escravo. Ninguém deveria comprar a produção que tem como base o trabalho escravo".

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Família Virtual, por Frei Beto

A desinstitucionalização da família é um dos aspectos mais marcantes da crise da modernidade. O que é, hoje, uma família? Onde estão os vínculos inquebrantáveis da instituição agregadora de avós, pais, filhos, tios, primos e netos?

A reconfiguração dos papéis sexuais, a instabilidade dos laços conjugais, o divórcio, o recasamento, fragmentam o núcleo familiar. As crianças circulam entre vários lares autônomos em contato com diferentes adultos que lhes transmitem, como valores, tantas opiniões e atitudes divergentes que elas ficam absolutamente convencidas de que tudo é relativo.

A crise do modelo familiar tradicional decorre de fatores como a emancipação da mulher, que já não depende do marido para se sustentar; do desprestígio da autoridade paterna; da igualdade de direitos das pessoas; o que embaralha e mina a antiga hierarquia de papéis definidos entre avós, pais, mães, filhos e tios.

Essa atomização do núcleo familiar desordena o conceito de autoridade, o exercício da obediência, o patriarcalismo outrora dominante. A família é, agora, um agrupamento funcional de trocas afetivas e interesses econômicos. Nela, os deveres específicos de cada um perdem nitidez. Os rituais de entrelaçamento e consolidação – refeições em comum, frequência dominical ao culto religioso, férias conjuntas, celebrações de aniversários etc. – se esfumaçam sem que seja introduzida nova liturgia de estreitamento de vínculo familiar.

O que é hoje um lar? Um espaço de moradia onde cada um se locomove de acordo com seus interesses individuais. No lugar da mesa posta com a família em torno, a geladeira como provedora de abastecimento; no lugar da sala como espaço de convívio, o quarto individual como local de refúgio, onde cada um se esconde entretido com a parafernália eletrônica, como TV e internet, que substitui, pelo relacionamento virtual, a sociabilidade calcada na alteridade.

A solidão deixa de ser um recuo à ação solidária e nutrição cultural para funcionar como abrigo de evasão solitária.
Outra causa de desagregação da família tradicional é o poder exercido pelo império televisivo. A TV é o "terceiro pai" que desempenha forte influência na formação de crianças e adolescentes. Desloca o núcleo familiar da sua relação de alteridade (conversas em torno da mesa, na varanda, na calçada ou no quintal; jogos de tabuleiro ou baralho; recital de música ou teatro improvisado etc.) para a confluência de todos rumo à tela da TV.

A família real cede lugar à virtual. E em muitas famílias nem há mais justaposição; há um aparelho de TV em cada quarto, atomizando as relações e dificultando o diálogo.

A democracia neoliberal – essa que se baseia na aquisição de bens materiais e permite a todos avaliarem seu grau de liberdade segundo sua proximidade ou distância do mercado – impõe-se à família através da TV, anulando os rituais fundados no afeto e na cumplicidade de sangue.
Já não vigora a autoridade paterna a decidir o que, na TV, convém ou não às crianças. Nem há debate familiar. Cada um decide, a seu bel prazer, o tempo e o conteúdo de sua voluntária sujeição à TV, em detrimento de diálogo familiar, leitura, oração, diversão, exercício físico ou desempenho social (visitas, frequência ao clube, biblioteca, teatro etc).
A família atual tende a ignorar seus parentes, não se interessa por eles, embora alimente grande apreço pelos novos "parentes" a quem, quase diariamente, abre portas e corações: William Bonner e Fátima Bernardes; Hebe Camargo e Faustão; Luciano Huck e Luciana Gimenez; Datena e Boris Casoy; e toda a plêiade de heróis e heroínas de telenovelas, programas infantis e desenhos animados.

Esses novos tios e tias têm a vantagem de serem sempre divertidos e educados; não pedem dinheiro emprestado, não bebem as nossas bebidas nem comem a nossa comida; não ocupam espaço; não nos convocam às suas doenças; mostram-se sempre saudáveis e risonhos; são ricos e famosos. Como a realidade é cada vez mais virtual, podemos até sentir-lhes o perfume...

Freud ficaria confuso se voltasse hoje. Já não temos necessidade de "matar o pai" ou "odiar o irmão". Basta discar o número fatal que exclui um "brother" ou trocar de canal a cada vez que aquele chato ou aquela megera aparece no vídeo.

Todas as noites milhões de telespectadores se nutrem abnegadamente dessa sopa de entretenimento – telenovelas, programas humorísticos, esportivos etc. – temperada de tudo isso que falta à sua vida real: o grande amor, a emoção, o desafio, o ideal, a beleza, a roda da fortuna...

E la nave va. A vida prossegue. Por dentro da TV. Do lado de fora, demitidos do papel de protagonistas, de sujeitos históricos, aceitamos ser meros espectadores instados a consumir. Ou melhor, a conjuntamente sumir. E deixar que ídolos virtuais vivam por nós.

Frei Betto é escritor, autor de "A arte de semear estrelas" (Rocco), entre outros livros.
http://www.freibetto.org/

*** o Blog publica, sem a autorização do autor, o texto acima, recebido em 28/05/2009, diante do seu compromisso de colaborar com a construção do pensamento brasileiro e, sobretudo, como forma de homenagear um daqueles que, notoriamente, tanto tem se empenhado nessa mesma tarefa.

domingo, 9 de maio de 2010

El auge de las derechas locas en América Latina, por Jorge Beinstein

Las declaraciones de José Serra hostiles al Mercosur pronunciadas ante empresarios de la Federação de Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), deberían constituir una señal de alarma no sólo para Brasil, sino también para la mayor parte de los países de la región. Como señalaba recientemente un periódico de Buenos Aires, ese exabrupto está en abierta contradicción con el hecho de que cerca del 90% de las exportaciones industriales de Brasil son compradas por los países del Mercosur y otros de América Latina (1). Las declaraciones del candidato derechista aparecen como una invitación al suicidio del sistema industrial brasileño que quedaría expuesto a la feroz competencia en América Latina de países desesperados por aumentar sus ventas. Por ejemplo, China, que acaba de tener en marzo de este año su primer déficit comercial mensual desde hace más de un lustro y cuyas exportaciones (en su casi totalidad industriales) cayeron en 2009 cerca del 16% respecto a 2008. Pero también de gigantes económicos como Alemania y otras economías europeas de alto y mediano desarrollo o de los Estados Unidos, todos ellos acosados por la contracción del comercio internacional provocada por la crisis.

La propuesta de Serra de revisar los acuerdos del Mercosur (a los que considera “una farsa” y “un obstáculo”) apuntando, como el mismo lo proclama, a su “flexibilización” reduciendo al mínimo el proceso de integración económica, política y social hasta llegar incluso a su eliminación, ha sido recibida con gran alegría por los círculos más reaccionarios de América Latina y de los Estados Unidos: la publicación América Economía dio a la noticia una imagen de ruptura apocalíptica titulando “José Serra reafirma que no quiere que Brasil continúe en el Mercosur” (2).

Si Serra llega a la presidencia y aplica su promesa de liquidación del Mercosur, le estaría dando un golpe terrible a una de las mayores proezas económicas de Brasil: el boom de sus exportaciones, que pasaron de 58.200 millones de dólares en 2001 a 197.900 millones de dólares en 2008 (340% de aumento) (3). Como es sabido, las exportaciones brasileñas cayeron cerca de 22% en 2009 debido a la crisis internacional, pero la caída hubiera sido mucho mayor sin la existencia de la retaguardia latinoamericana, sin esos países vecinos ligados a Brasil por múltiples lazos económicos, políticos y culturales. Romper o aflojar esos lazos en un contexto internacional como el actual marcado por una crisis que se va agravando sería una locura, Brasil le estaría regalando una importante porción de los mercados regionales a competidores de todos los continentes.

Integraciones periféricas, deterioro de las viejas potencias centrales

La propuesta de Serra marcha a contramano de la tendencia global dominante hacia las integraciones periféricas que aparecen como respuestas a las crecientes dificultades de las economías de las potencias centrales (Estados Unidos, Unión Europea y Japón).

A comienzos de 2010 China firmó un acuerdo de integración comercial con los países del sudeste asiático agrupados en la ASEAN (4) abarcando mercados donde viven casi 1.900 millones de personas; pocos meses antes se había firmado un acuerdo similar entre la ASEAN e India. Si superponemos ambos acuerdos y sumamos sus poblaciones (China mas India más ASEAN) llegaríamos a unas 3.000 millones de personas, cerca del 45% de la población mundial. Ese proceso enlaza con la integración chino-rusa, uno de cuyos baluartes es la Organización de Cooperación de Shanghai, que además agrupa a las antiguas repúblicas soviéticas de Asia Central y tiene como observadores en proceso de incorporación a India, Pakistán, Mongolia e Irán.

Este movimiento de integración eurasiática incluyendo a más de la mitad de la población mundial está cambiando no solo la estructura del comercio internacional sino también sus relaciones políticas y militares, es el corazón de la despolarización mundial, del fin de la unipolaridad gobernada por el Imperio norteamericano.

La otra tendencia integradora importante es la de América Latina que, partiendo del Mercosur, se fue extendiendo a través de diversas iniciativas llegando a la UNASUR (390 millones de habitantes y un Producto Bruto regional cercano a los 3,9 millones de millones de dólares) y a la recientemente creada Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (CELC). El vínculo entre esos dos fenómenos regionales es el BRIC, convergencia entre Brasil, Rusia, India y China donde Brasil es precisamente el eslabón que los articula estratégicamente.

Esta nueva realidad va mucho más allá del nivel comercial o incluso económico, expresa el ascenso de un inmenso espacio de poder periférico cuyos países líderes han podido resistir mucho mejor el impacto de la crisis que las grandes potencias capitalistas. Mientras los Estados Unidos van llegando a un nivel insostenible de deuda publica (cercana al 100 % del producto Bruto Interno) y la Unión Europea aparece muy golpeada por la crisis griega, detonador de un desastre regional mucho mayor, América Latina se ha venido desendeudando: en el año 2003 su deuda externa pública representaba cerca del 60 % del Producto Bruto regional y para 2008 había caído al 30%. Ello lo consiguió creciendo y exportando, con varias de sus economías claves apartándose de la ortodoxia neoliberal y de la hegemonía de los Estados Unidos.

En síntesis: la periferia se está integrando, sus naciones comercian cada vez más entre si, mientras los países ricos (el área imperialista del mundo) aparecen atrapados por la crisis con sus mercados internos estancados o contrayéndose.

Sin embargo, el ascenso de la periferia no es inexorable, dependerá de la forma en que responda a una crisis sistémica global que se profundiza, dependerá de su capacidad para superar las barreras, las trampas de un sistema capitalista mundial regido por potencias decadentes y hegemonizado por el parasitismo financiero y sobre todo en el largo plazo de su capacidad para liberarse de esa pesada telaraña civilizacional (burguesa de raíz occidental) que la condenó al subdesarrollo.

Las derechas locas

Lo que Serra propone es un camino perverso: salir del proceso integrador periférico y someterse completamente a las turbulencias del mercado internacional sin ningún tipo de escudo protector regional o periférico transregional. De ese modo Brasil pasaría a formar parte de la estrategia de recomposición geopolítica imperial de los Estados Unidos, uno de cuyos capítulos decisivos es la desestructuración de las integraciones periféricas tanto la de Eurasia como la de América Latina.

Serra propone reemplazar al Mercosur y a las demás alianzas periféricas (UNASUR, BRIC, etc.) por un conjunto de “tratados de libre comercio” . El repliegue político de Brasil significaría automáticamente un decisivo aumento de la influencia de los Estados Unidos en América Latina, daría vía libre a sus estrategias de desestabilización y conquista. El contexto regional de estabilidad logrado en la década pasada se deterioraría rápidamente. Un solo caso ejemplifica bien este peligro: Bolivia estuvo hace poco tiempo a punto de entrar en guerra civil debido a la convergencia golpista de su derecha neofascista y del aparato de inteligencia del gobierno de Bush. El golpe cívico-militar que habría desatado esa catástrofe fue en buena medida evitado gracias a la intervención política de los países del Mercosur, que dieron un apoyo decisivo al gobierno constitucional de Evo Morales. El derrumbe de la democracia en ese país seguramente habría alentado tentativas similares en otras naciones como Paraguay, Ecuador e incluso Argentina, convirtiendo a una parte importante del entorno geográfico de Brasil de un área caótica, plagada de frentes reaccionarios que finalmente habrían afectado su estabilidad democrática y su dinámica productiva.

En el esquema-Serra sin la red protectora de aproximaciones y acuerdos políticos, económicos y culturales, Brasil tendría un solo camino para proseguir su desarrollo comercial en un mundo cada vez más difícil: el de la competencia salvaje respaldada por salarios e impuestos reducidos, es decir, apoyada sobre la miseria creciente del grueso de su población (empezando por los asalariados y siguiendo por las clases medias) y el achicamiento del Estado e inevitablemente sobre la expansión de las estructuras represivas destinadas a mantener el orden social y político; en suma, el deterioro acelerado de las libertades democráticas. Como vemos, el proceso empieza con un discurso “comercial” y culmina necesariamente con un modelo político claramente autoritario.

De ese modo Serra pasa a formar parte del abanico de políticos latinoamericanos de raíz neoliberal, nostálgicos de las viejas relaciones neocoloniales con el Imperio. Estos dirigentes superados por las tendencias integradoras y autonomizantes hoy dominantes en la periferia están lanzados a una reconquista desesperada de los gobiernos.

El tiempo les juega en contra, la realidad se les va escapando, el amo imperial al que quieren servir está enredado en sus propios y muy graves problemas lo que lo hace cada vez más irracional. Aumento de la irracionalidad en los sistemas de poder del centro decadente del mundo y también en sus sirvientes periféricos.

Las derechas locas, degradadas, plagadas de brotes fascistas están ahora de moda en América Latina, en cierto sentido expresan el pasado (neoliberal) aunque sobre todo constituyen la promesa de un futuro siniestro.

¿Que otra cosa es la derecha boliviana que aspira a imponer un régimen de apartheid? Pensemos en la caótica derecha argentina, cuyo único programa es el retorno a los planes de ajuste y la represión de los movimientos sociales, en la derecha golpista paraguaya y sus delirios dictatoriales, en la derecha venezolana que ya ensayó un golpe de estado fascista e inviable y que está dispuesta a repetir la hazaña.

Sus proyectos de orden elitista autoritario forman parte de la decadencia cultural de los círculos de poder que manejaron al mundo en la era neoliberal, la de la hipertrofia del parasitismo financiero, de la depredación desenfrenada de recursos naturales y humanos. Esos sectores están ahora sumergidos en una crisis sistémica que lo va desorganizando, caotizando, no solo en el nivel de sus estructuras económicas sino también en el plano psicológico, lo que los hace cada día más peligrosos, imprevisibles.

(1) “Jornal argentino questiona posição de Serra sobre Mercosul”, Carta Maior, 22/04/2010.

(2) “José Serra reafirma que no quiere que Brasil continúe en el Mercosur”, América Economía, 21/04/2010.

(3) IPEA, Brasil en desenvolvimento, Volume I, 2009.

(4) Miembros de la ASEAN; Indonesia, Malasia, Filipinas, Singapur, Tailandia, Brunei, Vietnam, Laos, Birmania y Camboya.

Fuente: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16569&alterarHomeAtual=1

domingo, 25 de abril de 2010

Texto comparativo de royalties recebidos pela exploração de petróleo e de outros minerais, publicado sob a responsabilidade do Blog.

Caro (...),

em seu jornal, você é o único que levanta a questão, mas essa proxima eleição passa por se estabelecer novas e mais corretas taxas de Cefem para o minério, a luta por instalações aqui de plantas siderúrgicas, e uma necessária, clara e já atrasada atuação do Ministério Público com relação a destruição das minerações, que espalham seus danos pelas nossas principais rodovias, destruíndo-as, colocando em risco nossas vidas. Tudo sob a complacencia - quase cumplicidade dos governos federal e estadual - que mantém inoperantes ou inexistentes balanças, exatamente onde haveria necessidade mais atuação, vide a Rodovia dos Inconfidentes na saida das minas da Vale e em Congonhas.
Bom (...), para ilustrar o que você já sabe, mando uma tabela comparativa das Cefems do minério e do petróleo, lembrando que como o minério é incentivado a ser exportado pois isento de ICMS, e o petoleo é consumido intenamente acresça uma diferença de mais 17 por cento e com certeza teremos a mineração gerado compensações e impostos que a fazem a exploração de petroleo no mínimo 20 vezes mais benéfica ao estado onde ocorre, do que a do minério de ferro, além de não poluidora.
Mando a tabela abaixo com dados totais de 2009, que ilustra, só quanto ao Cefem, essas diferenças, e mostra que com o petróleo de sua costa o Espirito Santo recebe mais royalties do que Minas Gerais, com todos os tipos de exploração mineral.
Segue a tabela, e vamos para a luta. Fiz economia na década de 60 pensando ajudar o Nordeste a sair de seu atraso histórico, mas salta aos olhos que a cana de açucar, base da economia de muitos estados nordestinos é muito mais benefica do que a mineração, e não esgotável. Triste pensar que no inicio do seculo XXI as Minas Gerais precisam mais da gente do que o Nordeste.
Abraços do (...)

Cefem* do Petróleo X Mineração 2009
Brasil e os 3 Estados maiores produtores de petróleo e de outros minérios
Fontes ANP e DNPM

* A Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, estabelecida pela Constituição de 1988, em seu Art. 20, § 1o, é devida aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios, e aos órgãos da administração da União, como contraprestação pela utilização econômica dos recursos minerais em seus respectivos territórios.

Petróleo e Gás

Total Cefem Brasil – R$ 17.000.000.000,00 +- (Dezessete bilhões de reais)

Estados e Municípios

R.J. –
R$ 7.549.000.000,00 (Sete bilhões quinhentos e quarenta e nove milhões de reais)
E.S –
R$ 501.000.000,00 (Quinhentos e um milhões de reais)
BA –
R$ 288.000.000,00 (Duzentos e oitenta e oito milhões de reais)

Minérios em Geral

Total Cefem Brasil – R$ 742.688.000,00 +-( Setecentos e quarenta e dois milhões de reais)

Estados e Municípios

MG –
R$ 319.000.000,00 (Trezentos e dezenove milhões de reais)
PA –
R$ 242.000.000,00 (Duzentos e quarenta e dois milhões de reais)
GO –
R$ 37.000.000,00 (Trinta e sete milhões de reais)

Arrecadação Royalties do Rio com petróleo – na plataforma marítima, sem poluição, sem destruição e sem danos às estradas - é 20 vezes maior que toda a arrecadação de Minas Gerais com todos os tipos de minério (Ouro, ferro, bauxita, etc) e 10 vezes maior que toda a CEFEM de todos os outros minérios do Brasil.
O Espírito Santo recebe, só com petroleo, quase que o dobro de toda a arrecadação da mineração em Minas Gerais.

*** O Blog publica o texto acima, sob sua responsabilidade, como homenagem ao 21 de abril, a Tiradentes e à luta de todos aqueles que, ainda que como inconfidentes, se insurgem contra todas as formas de espoliação existentes na Terra. ***

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Pais e Mães da Escola Balão Vermelho e do Colégio Mangabeiras, Equipe de professores da Escola Balão Vermelho e do Colégio Mangabeiras .

Belo Horizonte, 09 de abril de 2010 Pais e Mães da Escola Balão Vermelho e do Colégio Mangabeiras
Gostaríamos de comunicar-lhes que o movimento reivindicatório da categoria de professores da rede privada de ensino de Belo Horizonte, classe à qual pertencemos teve sucesso, uma vez que conseguimos a não redução de nossos direitos trabalhistas, adquiridos ao longo de anos de trabalho sério e responsável.1 Sabemos, todos, que os nossos direitos legais são amparados pelas definições das negociações entre Sindicato dos Professores (Sinpro) e Sindicato das Escolas Particulares (Sinep). Foi a partir das negociações entre estas duas organizações que tivemos os nossos direitos legalmente garantidos. Mais uma vez esclarecemos a toda a comunidade das escolas nas quais trabalhamos que este não foi um movimento que se restringiu às nossas escolas, mas sim um movimento de toda a classe de professores da rede particular de ensino de Belo Horizonte, portanto, não fomos "solidários" ao movimento, nós fomos parte integrante dele. Nossa consciência política, adquirida ao longo de nossa prática de ensino, nos levou a entender que este foi um movimento maior, além dos muros de nossas escolas. A história da Escola Balão Vermelho e as propostas pedagógicas construídas aqui nos orientam à atuar socialmente, à envolver com o cotidiano da cidade, à autonomia, à liberdade de expressão, à reivindicação de direitos. Estes são temas abordados em sala de aula com frequência. É nossa obrigação agir orientados pelos valores que ensinamos.
1 A pauta de reivindicações está apresentada no Quadro Comparativo do Boletim Intervalo e o histórico das negociações encontra-se disponível em www.sinprominas.org.br
Ser professor é a nossa profissão e dela não gostaríamos de ter de abdicar. Assim, atuamos responsavelmente para que boas condições de trabalho nos sejam garantidas. Temos uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) que rege os direitos de
nossa categoria.2 O que ali está garantido é o mínimo para que os professores sigam na profissão. Não podíamos abrir mão dos nossos direitos. Dessa forma, ressaltamos que, em última análise, reivindicar a manutenção dos direitos adquiridos pela nossa classe é reivindicar uma educação verdadeira e com a qualidade necessária à boa formação de cidadãos autônomos, participativos e responsáveis. Agradecemos o apoio e a compreensão das famílias nesse momento tão importante para nós, professores das escolas particulares de Belo Horizonte. Atenciosamente, Equipe de professores da Escola Balão Vermelho e do Colégio Mangabeiras

- publicado em apoio à categoria dos professores darede particular de Belo Horizonte.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Crescem os Céticos do "11 de setembro", por Paul Craig Roberts

"A louca corrida dos EUA pela hegemonia ameaça o planetaAntes do 11 de setembro os neoconservadores norte-americanos foram explícitos quanto afirmaram que as guerras de agressão que pretendiam desencadear no Oriente Médio exigiam "um novo Pearl Harbour". Para seu próprio bem e para o bem de todo o mundo, é preciso que os norte-americanos prestem atenção ao número cada vez maior de especialistas que estão dizendo que o relato do governo sobre o 11 de Setembro não condiz com as suas próprias investigações. O 11 de Setembro desencadeou o plano neoconservador para a hegemonia mundial dos EUA. O artigo é de Paul Craig Roberts, ex-secretário assistente do tesouro no governo Reagan.Paul Craig Roberts (*)O Washington Times é um jornal que encara com bons olhos as guerras de agressão de Bush/Cheney/Obama/ neoconservadores no Médio Oriente e defende que se obrigue os terroristas a pagar pelo 11/Setembro. Por isso, fiquei admirado ao saber que, em 24 de fevereiro, a notícia mais apreciada no sítio web do jornal durante os últimos três dias era a reportagem "Explosive News" , do "Inside the Beltway", sobre as 31 conferências de imprensa em cidades dos EUA e no estrangeiro realizadas a 19 de Fevereiro pelos Arquitetos e Engenheiros para a Verdade do 11/Setembro, uma organização de profissionais que já tem 1 000 membros. E ainda fiquei mais admirado por a reportagem do jornal tratar a conferência de imprensa muito a sério. Como é que três arranha-céus do World Trade Center se desintegram subitamente em poeira fina? Como é que sólidas vigas de aço em três arranha-céus cedem subitamente em consequência de incêndios de curta duração, isolados e de baixa temperatura? "Mil arquitetos e engenheiros querem saber, e apelam ao Congresso que promova uma nova investigação sobre a destruição das Torres Gêmeas e do Edifício 7", noticia o Washington Times. O jornal noticia que os arquitetos e engenheiros chegaram à conclusão de que a Federal Emergency Management Agency (FEMA) e o National Institute of Standards and Technology (NIST) forneceram "relatos insuficientes, contraditórios e fraudulentos das circunstâncias da destruição das torres" e "exigem uma investigação de um grande júri aos funcionários do NIST". O jornal relata que Richard Gage, o porta-voz dos arquitetos e engenheiros disse: "Deverão ser notificados funcionários do governo de que a 'Conivência com a Traição', Código 18 (Sec. 2382) dos EUA é um grave crime federal, que exige a ação dos que possuem indícios de traição. As implicações são enormes e podem ter um impacto profundo no próximo julgamento de Khalid Sheik Mohammed". Agora há uma outra organização, os Bombeiros pela Verdade do 11/Setembro. Na principal conferência de imprensa em São Francisco, Eric Lawyer, o líder desta organização, anunciou o apoio dos bombeiros às exigências dos arquitetos e engenheiros. Denunciou que não houve qualquer investigação forense aos incêndios que supostamente destruíram os três edifícios e que esta omissão constitui um crime. Não foram seguidos os procedimentos obrigatórios e, em vez de ser preservada e investigada, a cena do crime foi destruída. Também denunciou que há mais de cem testemunhas de primeira-mão que ouviram e sentiram explosões e há provas de explosões através da rádio, de gravações de som e de vídeos. Também na conferência de imprensa, o físico Steven Jones apresentou provas da existência de nano-termite em resíduos dos edifícios do WTC encontrada por um painel internacional de cientistas, chefiado pelo Professor Niels Harrit, da Universidade de Copenhaga. A nano-termite é um explosivo/pirotécnico de alta tecnologia capaz de derreter instantaneamente vigas mestras de aço. Antes de gritarmos "teoria da conspiração", temos que ter presente que os arquitetos, engenheiros, bombeiros e cientistas não apresentam qualquer teoria. Apresentam provas que contestam a teoria oficial. Estas provas não vão desaparecer. Se o fato de exprimir dúvidas ou reservas quanto à versão oficial do Relatório da Comissão do 11/Setembro torna uma pessoa num idiota da teoria da conspiração, então também temos que incluir o co-presidente da Comissão do 11/Setembro e o conselheiro legal da Comissão, que escreveram livros em que declaram abertamente que foram enganados por funcionários do governo quando dirigiam a investigação, ou, melhor, quando presidiam à investigação dirigida pelo director executivo Philip Zelikow, membro da equipa de transição do Presidente George W. Bush e do Foreign Intelligence Advisory Board e um co-autor com a secretária de Estado de Bush, Condi "Mushroom Cloud" Rice. Há de haver sempre americanos que acreditam em tudo o que o governo lhes diz apesar de saberem que o governo lhes tem mentido muitas vezes. Apesar das dispendiosas guerras que ameaçam a Segurança Social e os Cuidados de Saúde, guerras essas baseadas em inexistentes armas de destruição maciça iraquianas, em inexistentes ligações de Saddam Hussein à al Qaeda, em inexistente participação afegã nos ataques de 11/Setembro, e em inexistentes armas nucleares iranianas, que estão a ser invocadas como razão para a próxima guerra americana de agressão no Médio Oriente, mais de metade da população dos EUA continua a acreditar na história fantástica que o governo lhes contou sobre o 11/Setembro, uma conspiração muçulmana que ludibriou todo o mundo ocidental. Mais ainda, esses americanos não se preocupam com a quantidade de vezes que o governo altera a sua versão. Por exemplo, os americanos ouviram falar pela primeira vez de Osama bin Laden porque o regime Bush lhe atribuiu os ataques do 11/Setembro. Ano após ano foram apresentados vídeos ao público crédulo americano com declarações de bin Laden. Os especialistas consideraram que esses vídeos eram falsificações, mas os americanos mantiveram-se crédulos. Depois, subitamente no ano passado, surgiu um novo "cérebro" do 11/Setembro que ocupou o lugar de Bin Laden, o preso Khalid Sheik Mohammed, o detido que foi mergulhado em água 183 vezes até confessar ter sido o cérebro dos ataques do 11/Setembro. Na Idade Média, as confissões arrancadas sob tortura constituíam prova, mas o sistema legal dos EUA sempre recusou a auto-incriminação desde a sua fundação. Mas com o regime Bush e os juízes federais Republicanos, que nos juraram defender a Constituição dos EUA, a auto-incriminação de Sheik Mohammed consiste hoje na única prova que o governo americano tem de que foram terroristas muçulmanos que provocaram o 11/Setembro. Se uma pessoa analisar as acções atribuídas a Khalid Sheik Mohammed, estas são simplesmente incríveis. Sheik Mohammed é um super-herói mais brilhante, com mais capacidades do que V no filme de ficção, "V de Vingança" (V for Vendetta). Sheik Mohammed ludibriou todas as 16 agências de informações americanas e as de todos os aliados ou fantoches dos EUA, incluindo o Mossad de Israel. Não há nenhum serviço de informações na terra nem mesmo todos eles juntos que cheguem aos calcanhares de Sheik Mohammed. Sheik Mohammed ludibriou o Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Dick Cheney, o Pentágono, o Departamento de Estado, o NORAD, a Força Aérea americana, e o Controlo de Tráfego Aéreo. Fez com que a Segurança dos Aeroportos falhasse quatro vezes na mesma manhã. Provocou a falha das modernas defesas aéreas do Pentágono, o que permitiu que se jogasse no Pentágono um avião comercial pirateado, que andou fora da rota durante toda a manhã enquanto a Força Aérea americana, pela primeira vez na história, foi incapaz de o interceptar, Sheik Mohammed conseguiu realizar estas façanhas com pilotos não qualificados. Sheik Mohammed, apesar de ser um prisioneiro mergulhado em água, conseguiu impedir que o FBI divulgasse os muitos vídeos confiscados que, segundo a versão oficial, mostrariam o avião pirateado a bater no Pentágono. Até que ponto temos que ser ingênuos para acreditar que qualquer ser humano, qual personagem de ficção de Hollywood, tem este poder e capacidades? Se Sheik Mohammed tem estas capacidades super humanas, como é que os incompetentes americanos o apanharam? Este tipo é um bode expiatório torturado até à confissão, a fim de que os americanos ingênuos continuem a acreditar na teoria da conspiração governamental. O que está havendo é que o governo americano tem que pôr fim ao mistério do 11/Setembro. O governo tem que levar a julgamento e condenar um réu para poder encerrar o caso antes que ele rebente. Qualquer pessoa que foi mergulhada em água 183 vezes confessa o que quer que seja. O governo americano tem respondido às provas, que têm sido apresentadas contra a sua extraordinária teoria da conspiração do 11/Setembro, redefinindo a guerra contra o terrorismo de inimigos externos para inimigos internos. Janet Napolitano, secretária da Segurança Nacional, disse em 21 de Fevereiro que atualmente os extremistas americanos são motivo de preocupação tão grande como os terroristas internacionais. Os extremistas, claro, são pessoas que interferem na agenda do governo, como os 1 000 Arquitectos e Engenheiros pela Verdade do 11/Setembro. Este grupo era de 100, agora já são 1 000. E se vierem a ser 10 000? Cass Sunstein, um funcionário do regime Obama, tem uma solução para os céticos do 11/Setembro: infiltrar-se dentro deles e levá-los a fazerem declarações e ações que possam ser usadas para os desacreditar ou para os prender. Mas livrar-se deles a todo o custo. Por quê utilizar estas medidas extremas contra supostos idiotas se eles apenas provocam divertimento e risadas? Estará o governo preocupado que eles farejem alguma coisa? Em vez disso, por que é que o governo americano não confronta pura e simplesmente as provas que são apresentadas e as contesta? Se os arquitetos, engenheiros, bombeiros e cientistas são uns idiotas chapados, seria fácil analisar as suas provas e refutá-las. Porque é que é necessário infiltrar-se neles com agentes secretos e armar-lhes ratoeiras? Muitos norte-americanos responderiam que o "seu" governo nunca sequer pensaria em matar seus próprios cidadãos, roubando aviões e destruindo edifícios só para promover a agenda do governo. Mas em 3 de Fevereiro, Dennis Blair, diretor do National Intelligence, disse à Comissão de Informações da Câmara que o governo dos EUA pode assassinar os seus próprios cidadãos quando eles estão além-mar. Não é necessário nenhuma detenção, nenhum julgamento, nenhuma condenação por um crime capital. Apenas um assassínio impune. Obviamente, se o governo dos EUA pode assassinar os seus cidadãos no estrangeiro, também pode assassiná-los internamente, e é o que tem feito. Por exemplo, foram assassinados 100 davidianos Branch [1] em Waco, Texas, por ordem da administração Clinton, sem qualquer razão legítima. O governo decidiu apenas usar do seu poder sabendo que o podia fazer, e foi o que fez. Os americanos que pensam que o "seu governo" é uma espécie de operação moralmente pura, deviam familiarizar-se com a Operação Northwoods. A Operação Northwoods foi uma conspiração organizada pelos chefes de estado-maior conjuntos para que a CIA efetuasse atos de terrorismo em cidades americanas e fabricasse provas culpando Castro a fim de os EUA poderem conquistar o apoio interno e internacional para a mudança de regime em Cuba. O plano secreto foi vetado pelo presidente John F. Kennedy e foi revelado pelo John F. Kennedy Assassination Records Review Board. Está disponível online no National Security Archive. Há inúmeros relatos disponíveis online, incluindo na Wikipedia. O livro de James Bamford, Body of Secrets , também fala resumidamente na conspiração. "A Operação Northwoods, que teve a aprovação por escrito do presidente [Gen. Lemnitzer] e de todos os membros dos chefes de estado-maior, propunha que fossem alvejadas pessoas inocentes nas ruas americanas; que fossem afundados no alto mar barcos que transportassem refugiados fugidos de Cuba; que fosse desencadeada uma onda de terrorismo violento em Washington, DC, Miami, e noutros lugares. Seriam acusadas pessoas por explosões que não tinham feito, seriam sequestrados aviões. Através de provas fabricadas, tudo isso seria atribuído a Castro, dando a Lemnitzer e à sua pandilha a justificação e o apoio público e internacional de que precisavam para desencadear a sua guerra". Antes do 11 de Setembro os neoconservadores americanos foram explícitos quanto afirmaram que as guerras de agressão que pretendiam desencadear no Médio Oriente exigiam "um novo Pearl Harbour". Para seu próprio bem e para o bem de todo o mundo, é preciso que os norte-americanos prestem atenção ao número cada vez maior de especialistas que estão dizendo que o relato do governo sobre o 11 de Setembro não condiz com as suas próprias investigações. O 11 de Setembro desencadeou o plano neoconservador para a hegemonia mundial dos EUA. Enquanto escrevo, o governo dos EUA está a negociar o acordo de governos estrangeiros que rodeiam a Rússia para aceitar bases americanas de intercepção de mísseis. Os EUA pretendem cercar a Rússia com bases americanas de mísseis desde a Polônia, passando pela Europa Central e Kosovo, até à Geórgia, Azerbaijão e Ásia central [ver http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=17709 ]. O enviado especial americano Richard Holbrooke declarou a 20 de Fevereiro que a Al Qaeda está infiltrando-se em regiões da antiga União Soviética na Ásia central, como o Tajiquistão, o Quirguistão, o Uzbequistão, o Turquemenistão e o Cazaquistão. Hollbrooke está pedindo bases norte-americanas nestas repúblicas ex-soviéticas com a desculpa da "guerra contra o terrorismo" sempre em expansão. Os EUA já cercaram o Irã com bases militares. O governo norte-americano pretende neutralizar a China assumindo o controlo do Oriente Médio e isolando a China do petróleo. Este plano parte do princípio que a Rússia e a China, países com armas nucleares, ficarão intimidados com as defesas anti-mísseis americanas e cederão à hegemonia dos EUA e que a China ficará sem petróleo para as suas indústrias e forças militares. O governo dos EUA está enganado. Os líderes militares e políticos russos responderam a esta ameaça óbvia declarando que a OTAN é uma ameaça direta para a segurança da Rússia e anunciando uma mudança na doutrina russa da guerra quanto ao lançamento preventivo de armas nucleares. Os chineses estão demasiado confiantes para serem intimidados por uma "superpotência" americana enfraquecida. Os retardados mentais de Washington estão jogando a cartada da guerra nuclear. O impulso louco para a hegemonia americana ameaça a vida sobre a terra. O povo norte-americano, ao aceitar as mentiras e enganos do "seu" governo, estão facilitando este resultado. [1] Davidianos Branch – seita religiosa destrutiva com origem na igreja adventista; em 1993 agentes federais dos EUA cercaram as suas instalações em Waco (Texas), tendo daí resultado a morte de dezenas dos seus membros quando o complexo ardeu completamente (N.T.). FONTE: escrito "A louca corrida dos EUA pela hegemonia ameaça o planetaAntes do 11 de setembro os neoconservadores norte-americanos foram explícitos quanto afirmaram que as guerras de agressão que pretendiam desencadear no Oriente Médio exigiam "um novo Pearl Harbour". Para seu próprio bem e para o bem de todo o mundo, é preciso que os norte-americanos prestem atenção ao número cada vez maior de especialistas que estão dizendo que o relato do governo sobre o 11 de Setembro não condiz com as suas próprias investigações. O 11 de Setembro desencadeou o plano neoconservador para a hegemonia mundial dos EUA. O artigo é de Paul Craig Roberts, ex-secretário assistente do tesouro no governo Reagan.Paul Craig Roberts (*)O Washington Times é um jornal que encara com bons olhos as guerras de agressão de Bush/Cheney/Obama/ neoconservadores no Médio Oriente e defende que se obrigue os terroristas a pagar pelo 11/Setembro. Por isso, fiquei admirado ao saber que, em 24 de fevereiro, a notícia mais apreciada no sítio web do jornal durante os últimos três dias era a reportagem "Explosive News" , do "Inside the Beltway", sobre as 31 conferências de imprensa em cidades dos EUA e no estrangeiro realizadas a 19 de Fevereiro pelos Arquitetos e Engenheiros para a Verdade do 11/Setembro, uma organização de profissionais que já tem 1 000 membros. E ainda fiquei mais admirado por a reportagem do jornal tratar a conferência de imprensa muito a sério. Como é que três arranha-céus do World Trade Center se desintegram subitamente em poeira fina? Como é que sólidas vigas de aço em três arranha-céus cedem subitamente em consequência de incêndios de curta duração, isolados e de baixa temperatura? "Mil arquitetos e engenheiros querem saber, e apelam ao Congresso que promova uma nova investigação sobre a destruição das Torres Gêmeas e do Edifício 7", noticia o Washington Times. O jornal noticia que os arquitetos e engenheiros chegaram à conclusão de que a Federal Emergency Management Agency (FEMA) e o National Institute of Standards and Technology (NIST) forneceram "relatos insuficientes, contraditórios e fraudulentos das circunstâncias da destruição das torres" e "exigem uma investigação de um grande júri aos funcionários do NIST". O jornal relata que Richard Gage, o porta-voz dos arquitetos e engenheiros disse: "Deverão ser notificados funcionários do governo de que a 'Conivência com a Traição', Código 18 (Sec. 2382) dos EUA é um grave crime federal, que exige a ação dos que possuem indícios de traição. As implicações são enormes e podem ter um impacto profundo no próximo julgamento de Khalid Sheik Mohammed". Agora há uma outra organização, os Bombeiros pela Verdade do 11/Setembro. Na principal conferência de imprensa em São Francisco, Eric Lawyer, o líder desta organização, anunciou o apoio dos bombeiros às exigências dos arquitetos e engenheiros. Denunciou que não houve qualquer investigação forense aos incêndios que supostamente destruíram os três edifícios e que esta omissão constitui um crime. Não foram seguidos os procedimentos obrigatórios e, em vez de ser preservada e investigada, a cena do crime foi destruída. Também denunciou que há mais de cem testemunhas de primeira-mão que ouviram e sentiram explosões e há provas de explosões através da rádio, de gravações de som e de vídeos. Também na conferência de imprensa, o físico Steven Jones apresentou provas da existência de nano-termite em resíduos dos edifícios do WTC encontrada por um painel internacional de cientistas, chefiado pelo Professor Niels Harrit, da Universidade de Copenhaga. A nano-termite é um explosivo/pirotécnico de alta tecnologia capaz de derreter instantaneamente vigas mestras de aço. Antes de gritarmos "teoria da conspiração", temos que ter presente que os arquitetos, engenheiros, bombeiros e cientistas não apresentam qualquer teoria. Apresentam provas que contestam a teoria oficial. Estas provas não vão desaparecer. Se o fato de exprimir dúvidas ou reservas quanto à versão oficial do Relatório da Comissão do 11/Setembro torna uma pessoa num idiota da teoria da conspiração, então também temos que incluir o co-presidente da Comissão do 11/Setembro e o conselheiro legal da Comissão, que escreveram livros em que declaram abertamente que foram enganados por funcionários do governo quando dirigiam a investigação, ou, melhor, quando presidiam à investigação dirigida pelo director executivo Philip Zelikow, membro da equipa de transição do Presidente George W. Bush e do Foreign Intelligence Advisory Board e um co-autor com a secretária de Estado de Bush, Condi "Mushroom Cloud" Rice. Há de haver sempre americanos que acreditam em tudo o que o governo lhes diz apesar de saberem que o governo lhes tem mentido muitas vezes. Apesar das dispendiosas guerras que ameaçam a Segurança Social e os Cuidados de Saúde, guerras essas baseadas em inexistentes armas de destruição maciça iraquianas, em inexistentes ligações de Saddam Hussein à al Qaeda, em inexistente participação afegã nos ataques de 11/Setembro, e em inexistentes armas nucleares iranianas, que estão a ser invocadas como razão para a próxima guerra americana de agressão no Médio Oriente, mais de metade da população dos EUA continua a acreditar na história fantástica que o governo lhes contou sobre o 11/Setembro, uma conspiração muçulmana que ludibriou todo o mundo ocidental. Mais ainda, esses americanos não se preocupam com a quantidade de vezes que o governo altera a sua versão. Por exemplo, os americanos ouviram falar pela primeira vez de Osama bin Laden porque o regime Bush lhe atribuiu os ataques do 11/Setembro. Ano após ano foram apresentados vídeos ao público crédulo americano com declarações de bin Laden. Os especialistas consideraram que esses vídeos eram falsificações, mas os americanos mantiveram-se crédulos. Depois, subitamente no ano passado, surgiu um novo "cérebro" do 11/Setembro que ocupou o lugar de Bin Laden, o preso Khalid Sheik Mohammed, o detido que foi mergulhado em água 183 vezes até confessar ter sido o cérebro dos ataques do 11/Setembro. Na Idade Média, as confissões arrancadas sob tortura constituíam prova, mas o sistema legal dos EUA sempre recusou a auto-incriminação desde a sua fundação. Mas com o regime Bush e os juízes federais Republicanos, que nos juraram defender a Constituição dos EUA, a auto-incriminação de Sheik Mohammed consiste hoje na única prova que o governo americano tem de que foram terroristas muçulmanos que provocaram o 11/Setembro. Se uma pessoa analisar as acções atribuídas a Khalid Sheik Mohammed, estas são simplesmente incríveis. Sheik Mohammed é um super-herói mais brilhante, com mais capacidades do que V no filme de ficção, "V de Vingança" (V for Vendetta). Sheik Mohammed ludibriou todas as 16 agências de informações americanas e as de todos os aliados ou fantoches dos EUA, incluindo o Mossad de Israel. Não há nenhum serviço de informações na terra nem mesmo todos eles juntos que cheguem aos calcanhares de Sheik Mohammed. Sheik Mohammed ludibriou o Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Dick Cheney, o Pentágono, o Departamento de Estado, o NORAD, a Força Aérea americana, e o Controlo de Tráfego Aéreo. Fez com que a Segurança dos Aeroportos falhasse quatro vezes na mesma manhã. Provocou a falha das modernas defesas aéreas do Pentágono, o que permitiu que se jogasse no Pentágono um avião comercial pirateado, que andou fora da rota durante toda a manhã enquanto a Força Aérea americana, pela primeira vez na história, foi incapaz de o interceptar, Sheik Mohammed conseguiu realizar estas façanhas com pilotos não qualificados. Sheik Mohammed, apesar de ser um prisioneiro mergulhado em água, conseguiu impedir que o FBI divulgasse os muitos vídeos confiscados que, segundo a versão oficial, mostrariam o avião pirateado a bater no Pentágono. Até que ponto temos que ser ingênuos para acreditar que qualquer ser humano, qual personagem de ficção de Hollywood, tem este poder e capacidades? Se Sheik Mohammed tem estas capacidades super humanas, como é que os incompetentes americanos o apanharam? Este tipo é um bode expiatório torturado até à confissão, a fim de que os americanos ingênuos continuem a acreditar na teoria da conspiração governamental. O que está havendo é que o governo americano tem que pôr fim ao mistério do 11/Setembro. O governo tem que levar a julgamento e condenar um réu para poder encerrar o caso antes que ele rebente. Qualquer pessoa que foi mergulhada em água 183 vezes confessa o que quer que seja. O governo americano tem respondido às provas, que têm sido apresentadas contra a sua extraordinária teoria da conspiração do 11/Setembro, redefinindo a guerra contra o terrorismo de inimigos externos para inimigos internos. Janet Napolitano, secretária da Segurança Nacional, disse em 21 de Fevereiro que atualmente os extremistas americanos são motivo de preocupação tão grande como os terroristas internacionais. Os extremistas, claro, são pessoas que interferem na agenda do governo, como os 1 000 Arquitectos e Engenheiros pela Verdade do 11/Setembro. Este grupo era de 100, agora já são 1 000. E se vierem a ser 10 000? Cass Sunstein, um funcionário do regime Obama, tem uma solução para os céticos do 11/Setembro: infiltrar-se dentro deles e levá-los a fazerem declarações e ações que possam ser usadas para os desacreditar ou para os prender. Mas livrar-se deles a todo o custo. Por quê utilizar estas medidas extremas contra supostos idiotas se eles apenas provocam divertimento e risadas? Estará o governo preocupado que eles farejem alguma coisa? Em vez disso, por que é que o governo americano não confronta pura e simplesmente as provas que são apresentadas e as contesta? Se os arquitetos, engenheiros, bombeiros e cientistas são uns idiotas chapados, seria fácil analisar as suas provas e refutá-las. Porque é que é necessário infiltrar-se neles com agentes secretos e armar-lhes ratoeiras? Muitos norte-americanos responderiam que o "seu" governo nunca sequer pensaria em matar seus próprios cidadãos, roubando aviões e destruindo edifícios só para promover a agenda do governo. Mas em 3 de Fevereiro, Dennis Blair, diretor do National Intelligence, disse à Comissão de Informações da Câmara que o governo dos EUA pode assassinar os seus próprios cidadãos quando eles estão além-mar. Não é necessário nenhuma detenção, nenhum julgamento, nenhuma condenação por um crime capital. Apenas um assassínio impune. Obviamente, se o governo dos EUA pode assassinar os seus cidadãos no estrangeiro, também pode assassiná-los internamente, e é o que tem feito. Por exemplo, foram assassinados 100 davidianos Branch [1] em Waco, Texas, por ordem da administração Clinton, sem qualquer razão legítima. O governo decidiu apenas usar do seu poder sabendo que o podia fazer, e foi o que fez. Os americanos que pensam que o "seu governo" é uma espécie de operação moralmente pura, deviam familiarizar-se com a Operação Northwoods. A Operação Northwoods foi uma conspiração organizada pelos chefes de estado-maior conjuntos para que a CIA efetuasse atos de terrorismo em cidades americanas e fabricasse provas culpando Castro a fim de os EUA poderem conquistar o apoio interno e internacional para a mudança de regime em Cuba. O plano secreto foi vetado pelo presidente John F. Kennedy e foi revelado pelo John F. Kennedy Assassination Records Review Board. Está disponível online no National Security Archive. Há inúmeros relatos disponíveis online, incluindo na Wikipedia. O livro de James Bamford, Body of Secrets , também fala resumidamente na conspiração. "A Operação Northwoods, que teve a aprovação por escrito do presidente [Gen. Lemnitzer] e de todos os membros dos chefes de estado-maior, propunha que fossem alvejadas pessoas inocentes nas ruas americanas; que fossem afundados no alto mar barcos que transportassem refugiados fugidos de Cuba; que fosse desencadeada uma onda de terrorismo violento em Washington, DC, Miami, e noutros lugares. Seriam acusadas pessoas por explosões que não tinham feito, seriam sequestrados aviões. Através de provas fabricadas, tudo isso seria atribuído a Castro, dando a Lemnitzer e à sua pandilha a justificação e o apoio público e internacional de que precisavam para desencadear a sua guerra". Antes do 11 de Setembro os neoconservadores americanos foram explícitos quanto afirmaram que as guerras de agressão que pretendiam desencadear no Médio Oriente exigiam "um novo Pearl Harbour". Para seu próprio bem e para o bem de todo o mundo, é preciso que os norte-americanos prestem atenção ao número cada vez maior de especialistas que estão dizendo que o relato do governo sobre o 11 de Setembro não condiz com as suas próprias investigações. O 11 de Setembro desencadeou o plano neoconservador para a hegemonia mundial dos EUA. Enquanto escrevo, o governo dos EUA está a negociar o acordo de governos estrangeiros que rodeiam a Rússia para aceitar bases americanas de intercepção de mísseis. Os EUA pretendem cercar a Rússia com bases americanas de mísseis desde a Polônia, passando pela Europa Central e Kosovo, até à Geórgia, Azerbaijão e Ásia central [ver http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=17709 ]. O enviado especial americano Richard Holbrooke declarou a 20 de Fevereiro que a Al Qaeda está infiltrando-se em regiões da antiga União Soviética na Ásia central, como o Tajiquistão, o Quirguistão, o Uzbequistão, o Turquemenistão e o Cazaquistão. Hollbrooke está pedindo bases norte-americanas nestas repúblicas ex-soviéticas com a desculpa da "guerra contra o terrorismo" sempre em expansão. Os EUA já cercaram o Irã com bases militares. O governo norte-americano pretende neutralizar a China assumindo o controlo do Oriente Médio e isolando a China do petróleo. Este plano parte do princípio que a Rússia e a China, países com armas nucleares, ficarão intimidados com as defesas anti-mísseis americanas e cederão à hegemonia dos EUA e que a China ficará sem petróleo para as suas indústrias e forças militares. O governo dos EUA está enganado. Os líderes militares e políticos russos responderam a esta ameaça óbvia declarando que a OTAN é uma ameaça direta para a segurança da Rússia e anunciando uma mudança na doutrina russa da guerra quanto ao lançamento preventivo de armas nucleares. Os chineses estão demasiado confiantes para serem intimidados por uma "superpotência" americana enfraquecida. Os retardados mentais de Washington estão jogando a cartada da guerra nuclear. O impulso louco para a hegemonia americana ameaça a vida sobre a terra. O povo norte-americano, ao aceitar as mentiras e enganos do "seu" governo, estão facilitando este resultado. [1] Davidianos Branch – seita religiosa destrutiva com origem na igreja adventista; em 1993 agentes federais dos EUA cercaram as suas instalações em Waco (Texas), tendo daí resultado a morte de dezenas dos seus membros quando o complexo ardeu completamente (N.T.). FONTE: escrito por Paul Craig Roberts, ex-secretário assistente do Tesouro na administração do Presidente Reagan, co-autor de "The Tyranny of Good Intentions". Foi editor associado da página editorial do "Wall Street Journal" e editor colaborador na "National Review". O original encontra-se em http://globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=17821. Tradução de Margarida Ferreira. Este artigo encontra-se também em http://resistir.info/ . , ex-secretário assistente do Tesouro na administração do Presidente Reagan, co-autor de "The Tyranny of Good Intentions". Foi editor associado da página editorial do "Wall Street Journal" e editor colaborador na "National Review". O original encontra-se em http://globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=17821. Tradução de Margarida Ferreira. Este artigo encontra-se também em http://resistir.info/ .

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010




Canoa indígena encontrada no leito do Rio Aiuruoca, entre os Municípios de Serranos-MG e São Vicente de Minas-MG, de cerca de 12 metros de comprimento, lavrada em tronco único de madeira, cuja datação está sendo objeto de estudo da Marinha do Brasil.

Atualmente, sob a guarda da Prefeitura Municipal de São Vicente de Minas.

(fotos gentilmente cedidas pela Secretaria de Patrimônio da Prefeitura Municipal de São Vicente)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Fernando Henrique Cardoso precisa de amigos, por Gilson Caroni Filho

Isso é FHC. A exigência egóica de ser admirado o torna, paradoxalmente, um líder sem liderados. Para quem acredita que fez um grande favor ao mundo nascendo, sua irritabilidade é permanente e justificada.
Gilson Caroni Filho
Em seu texto �Luto e Melancolia", Freud diz que manifestações melancólicas assumem várias formas clínicas, se caracterizando, entre outros sintomas, "por uma depressão profundamente dolorosa, uma suspensão do interesse pelo mundo externo, diminuição do sentimento de auto-estima e inibição de todas as atividades." A identificação com o objeto perdido é inevitável e, na medida em que não consegue incorporação simbólica, o que sobra ao sujeito é a identificação com o vazio de um pai ausente. Se a psicanálise sofre hoje contestações de diferentes ordens, as palavras do seu criador sobre o comportamento melancólico se encaixam como uma luva para o amontoado de sandices que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu e disse no último domingo, 7/02, tentando deter e repudiar a impopularidade que o persegue desde o segundo mandato. Há alguns anos, Carlos Heitor Cony, em artigo na Folha de São Paulo, não poupou palavras para melhor definir o �príncipe dos sociólogos: "Diziam seus admiradores que FHC era uma cabeça, um intelectual, um produtor de coisas inteligentes. Sua exposição no cargo mais alto do país rebaixou-o à dimensão de um demagogo banal, incapaz de articular um argumento alem do insulto aos que não acreditam nele e o acusam inclusive de improbidade." Isso é FHC. A exigência egóica de ser admirado o torna, paradoxalmente, um líder sem liderados. Um prócer a ser evitado em anos eleitorais. Para quem acredita que fez um grande favor ao mundo nascendo, sua irritabilidade é permanente e justificada. Afinal, deve ser duro para quem esteve no poder durante oito anos, constatar que o resto do mundo político não reconhece sua importância. Pior, o que ganha realce são os erros grosseiros de um dirigente que governou de acordo com os humores do capital financeiro.Seu governo passou para a história como um modelo que acentuava a exclusão social e penalizava as classes de menor renda. A estratégia de estabilização de preços baseada na captação de capital externo de curto prazo, através da sobrevalorização da moeda e da manutenção de elevadas taxas de juros, levou o país a níveis de desemprego sem precedentes, à desarticulação da estrutura produtiva e à deterioração do tecido social no campo e na cidade. O mau desempenho do comércio brasileiro na época foi minuciosamente construído pela equipe de FHC que, realizando uma abertura irresponsável da economia, pôs em prática políticas monetárias e cambiais que minaram em grande parte nossa capacidade de competição internacional. Mostrando a miopia fiscalista que o orienta até hoje, Cardoso escreveu em seu artigo (�Sem medo do passado�), publicado no Globo: "Esqueceu-se [Lula] dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal." A entrega do patrimônio público ainda é apresentada como fórmula eficaz de fazer caixa. O que FHC faz questão de esquecer faz parte de sua história: grande parte do programa de privatização brasileiro foi financiada pelo BNDES. No cassino tucano, muitas empresas privatizadas não queriam fazer investimento aqui e se aproveitavam de polpudos créditos que também beneficiavam transnacionais já instaladas no país. O argumento utilizado era o de que a vinda desses setores permitiria agregar elementos de financiamento ao desenvolvimento nacional. Quando se lê um artigo assim, descontextualizado, mal costurado em seus argumentos, é que nos damos contas da importância de olhar pelo retrovisor. É ele que sinaliza as perspectivas do futuro. Nesse ponto, o texto de Cardoso é didático, quase leitura obrigatória. FHC sabe que a grande mídia corporativa exercerá o prestimoso papel de guiar suas mãos na hora de legitimar a irrelevância dos seus escritos. Somente os exércitos de colunistas destacados pelas famílias que controlam os meios de comunicação garantem sua vida política vegetativa. Quando compara a ministra Dilma Rousseff a um boneco manipulado pelo presidente Lula não faz qualquer ponderação política, apenas evidencia que sua cabeça está longe de ser privilegiada. É uma mente que destila bile (que está na raiz da palavra melancolia) para desqualificar seus adversários. É o menestrel da política pequena buscando a facilidade da ribalta midiática. Antes de dizer que �o PT �tenta desconstruir o seu mandato�, o �príncipe� deveria dedicar mais tempo à leitura do que andaram falando sobre seu governo as principais lideranças do seu partido, em especial o governador de São Paulo. Uma boa sugestão seria o livro �Conversas com Economistas Brasileiros II", que a Editora 34 lançou em 1999. Lá ele encontraria o seguinte trecho: �A política cambial do primeiro governo Fernando Henrique Cardoso foi um desastre gratuito e total. Foi resultado de pouca reflexão analítica de seus condutores. Suas conseqüências foram devastadoras em muitas áreas da economia, inclusive comprometendo as metas fixadas no processo de privatização."Essa crítica, das mais contundentes feitas por um economista que participou dos dois mandatos do governo FHC, é de José Serra em entrevista a dois professores da FGV, Guido Mantega e José Márcio Rego. E agora, quem é o boneco de quem? Nem mesmo um governador que submergiu com as enchentes em São Paulo, levando com ele a suposta capacidade gerencial do tucanato, pôde endossar a política arrasada do ex-presidente. O que esperar da oposição? A compaixão que deve ser concedida aos incapazes?As palavras do ex-presidente devem ser vistas como movimentos de descompressão da realidade. Quando, a partir da melancolia e solidão de sua maturidade, um ator político faz a volta à infância, o ridículo se apodera do cenário. Fernando Henrique precisa de amigos.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil
extraído do site http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4541

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Programa cidadão Serranense, por Paulo Henrique Martins de Carvalho

"A exclusão social é (...) uma situação de não realização de algumas ou de todas estas dimensões. É o “não ser”, o “não estar”, o “não fazer”, o “não criar”, o “não saber” e/ou o “não ter”. - Paulo Henrique Martins de Carvalho

O Serviço Social com o objetivo de consolidar a Estação Cultural, como espaço
democrático e buscando abranger todos os patamares mais eqüitativos e justos, lembra que
são direito de todos os direitos sociais, a educação, saúde, trabalho e lazer. Foi a partir dessas
questões que surgiu a idéia de criar o projeto, que não visa a assistência como “pronto-socorro
social” (Sposati), mas como um mecanismo de extensão de serviços de infra-estrutura urbana
e social aos pauperizados, buscando o desenvolvimento social como instrumento
redistributivo.


Metodologia
Para que seja eficaz a inclusão social da comunidade e em especial das classes de
menor poder aquisitivo e também os encaminhamentos dos órgãos públicos de Serranos,
serão desenvolvidas atividades que irão capacitar e contribuir para uma melhor formação
pessoal e profissional daqueles que fizerem parte do projeto.
O projeto deverá ser implantado por etapas, definidas de acordo com a estrutura
oferecida pela entidade e dos recursos conseguidos junto a patrocinadores e parceiros.
Os cursos serão oferecidos gratuitamente e os números de vagas serão definidos de
acordo com a especificidade de cada curso, a seleção dos inscritos obedecerá a critérios
socioeconômicos. A competitividade individual se acentua, na nossa época na disputa pelo
emprego, pela forma física, pela aparência, pela performance. Nesse contexto de guerra
interindividual o fortalecimento do sujeito na prática profissional significa intervenção na
capitalização do sujeito, enquanto enriquecimento da vida individual/coletivamente para que
se possa enfrentar essa condição de perda de poder, de perda de “capitais”, de patrimônios
afetivos, familiares, culturais, econômicos para enfrentar as mudanças de relações/trajetórias
da vida (Faleiros,1997).
Cursos Profissionalizantes: Têm como meta capacitar os usuários que participam do
projeto, a partir de cursos de especialização, para enfrentar o mercado de trabalho. A grande
finalidade é proporcionar capacitação, aprendizado aos usuários que não têm condições
financeiras para arcar com cursos de especialização. Inglês / Português, Computação Básica e
outro cursos de acordo com a demanda, serão oferecidos.
Oficinas Diversas: Através da dança e do teatro, crianças e adolescentes irão se
socializar e integrar, em um trabalho coletivo da livre expressão da imaginação, no processo
de aprendizado, visando à cooperação social, emocional e a sensibilidade.
Artesanato/Alta Costura: Capacitar os usuário do projeto, a fabricar, concertar e
transformar peças de roupas. Além de estimular a criatividade, o curso também é uma
alternativa para complementar o orçamento familiar.
Cozinha Experimental: Proporcionar aos usuários mão-de-obra especializada para
contribuir com a renda familiar. Os tópicos discutidos serão: aproveitamento dos alimentos,
dicas pra economizar e não desperdiçar, receitas de salgados e lanches, doces e tortas
diversas. Orientações nutricionais também estão no roteiro de atividades. Estão previstas,
parcerias com empresas fornecedoras de produtos de cozinha, com hipermercado / atacadista
e varejão. Serão freqüentes as aulas de culinária que ensinarão além de receitas, noções de
higiene e manuseio dos alimentos pré e pós-preparados.
Estética: Este projeto oferece oportunidade à população carente de Serranos em
especializar na área de estética e higiene pessoal, visando à melhoria na qualidade de vida,
alternativa para contribuir com renda familiar, além desenvolver o potencial criativo do
usuário. Serão oferecidos cursos de cabeleireiro, manicure, maquiagem, etiqueta. O objetivo
é proporcionar atividades qualificadas para inclusão no mercado de trabalho, além dos
cuidados com a higiene pessoal, que contribui para uma vida mais saudável.
Oportunidade de Emprego: Proporcionar aos usuários do projeto, oportunidades para
conquistar uma vaga no mercado de trabalho, dando-lhe segurança e as condições necessárias
para concorrer a com a grande demanda preparada para as exigências do mercado, uma vez
que a taxa de desemprego entre 15 e 29 anos é de 22,6%. Elaboração de currículos, dicas de
vestuário e comportamento, cuidados com o corpo e higiene pessoal, cursos
profissionalizantes e palestras. Parcerias com empresas e instituições, orientação e
encaminhamento a serviços de utilidade pública, inclusão no mercado de trabalho serão
desenvolvidas.
Campanhas Educativas: Levar conhecimento sobre um determinado assunto, a fim de
conscientizar sobre os problemas emergentes da sociedade, sempre em busca de melhorar a
qualidade de vida. Tópicos principais a serem trabalhados: Conscientização sobre o tema,
formação de valores. Serão oferecidas palestras educativas e entre os temas abordados estão:
economia de água, higiene bucal, DST, Meio Ambiente, e outros.
Brinquedoteca: Espaço preparado para estimular a expressão da criança, preparado de
forma criativa para que a criança possa desenvolver sua criatividade, e colocar em evidências
suas emoções.O objetivo é proporcionar às crianças alternativas para o desenvolvimento do
potencial criativo, social e cultural, através dos brinquedos, livros, e arte. Devem ser criadas
parcerias com empresas de brinquedo, campanha de doação de brinquedos e literatura infantil.
Artesanato: Desenvolver o potencial e habilidade dos usuários do projeto, além de
qualificar mão-de-obra. Proporcionar conhecimento, e valorizar os usuários do projeto, além
de ser uma forma de alternativa para contribuir no orçamento familiar. Oficina de pintura em
tecido, vidro, cerâmica, técnica em meia de seda, sabonetes, bordados diversos, crochê, tricô,
boneca de pano e outros.
Atividade Física: Desenvolver com os usuários atividades físicas, em vários estilos de
acordo com a demanda, visando melhor a saúde e qualidade de vida do usuário do projeto.
Qualidade de Vida, e vida saudável, para todas as pessoas que tiverem interesse, e
especialmente para o público da 3ª idade.
Biblioteca: Será criado um espaço de assessoria pedagógica, onde o usuário estará
desenvolvendo pesquisa, leitura, apoio à escolarização.O objetivo é incentivar o usuário a
leitura e apoiar e estimular a criação de textos, poesias, contos e outros. A biblioteca contará
com livros voltados para o vestibular, livros de áreas específicas como português, matemática,
história, literatura além de leitura. Campanhas de doação de livros e parcerias com editoras,
também fazem parte do projeto.
Resultados e discussão
Partindo do pressuposto de que existem indivíduos excluídos socialmente pretende-se
com esse projeto atingir várias metas. Os objetivos fundamentais são contribuir com o
complemento do orçamento familiar, melhoria da qualidade de vida, resgate da auto-estima e
inclusão social.
Conclusões
Considera-se exclusão social, essencialmente uma situação de falta de acesso às
oportunidades oferecidas pela sociedade aos seus membros.Desse modo, a exclusão social
pode implicar privação, falta de recursos ou, de uma forma mais abrangente, ausência de
cidadania, se, por esta, se entender a participação plena na sociedade, aos diferentes níveis em
que esta se organiza e se exprime: ambiental, cultural, econômico, político e social. De outra
forma, pode-se dizer que a exclusão social se exprime em seis dimensões principais do
cotidiano real dos indivíduos:
- do SER, ou seja, da personalidade, da dignidade e da auto-estima e do autoreconhecimento
individual;
- do ESTAR, ou seja, das redes de pertença social, desde a família, às redes de
vizinhança, aos grupos de convívio e de interação social e à sociedade mais geral;
- do FAZER, ou seja, das tarefas realizadas e socialmente reconhecidas, quer sob a
forma de emprego remunerado (uma vez que a forma dominante de reconhecimento social
assenta na possibilidade de se auferir um rendimento traduzível em poder de compra e em
estatuto de consumidor), quer sob a forma de trabalho voluntário não remunerado;
- do CRIAR, ou seja, da capacidade de empreender, de assumir iniciativas, de definir e
concretizar projetos, de inventar e criar ações, quaisquer que elas sejam;
- do SABER, ou seja, do acesso à informação (escolar ou não; formal ou informal),
necessária à tomada fundamentada de decisões, e da capacidade crítica face à sociedade e ao
ambiente envolvente;
- do TER, ou seja, do rendimento, do poder de compra, do acesso a níveis de consumo
médios da sociedade, da capacidade aquisitiva (incluindo a capacidade de estabelecer
prioridades de aquisição e consumo).
A exclusão social é, portanto, segundo esta leitura, uma situação de não realização de
algumas ou de todas estas dimensões. É o “não ser”, o “não estar”, o “não fazer”, o “não
criar”, o “não saber” e/ou o “não ter”.
Buscando promover o desenvolvimento econômico, urbano e social da cidade, bem
como a capacitação dos excluídos sociais, é preciso oferecer condições que promovam
desenvolvimento socioeconômico da cidade e geração de trabalho e renda. Através do projeto
descrito acima, pretende-se aumentar a participação das pessoas carentes em diversas áreas da
sociedade, promovendo assim a inclusão social.Dessa maneira, os excluídos transformar-seão
em incluídos e poderão ser, estar, fazer, criar, saber e ter. Este é um projeto inovador na
cidade de Serranos, que abrirá espaço para receber toda comunidade, dando oportunidade
para a população carente desfrutar dos benefícios culturais, sociais e de lazer de boa
qualidade. É através das oficinas sociais que essas pessoas terão consciência da importância
de se integrar no contexto sócio-cultural para enriquecimento pessoal e intelectual. Inovador
porque vai oferecer à população atividades experimentais nas áreas artística, social e de
difusão científica.


Referências bibliográficas
Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Brasília: Senado Federal, 1988.
LOAS. Lei Orgânica de Assistência Social. Brasília. DF. Dezembro/2000.
PIRES, Ribeiro Wanderley.Qualidade de Vida. 5.ed.Campinas: Komedi, 95p.
FALEIROS, Vicente de Paula. Estratégia em Serviço Social. São Paulo: Cortez,1997.208 p.
YAZBEK,Maria Carmelita.Classes subalternas e assistência social. 4 ed. São Paulo:
Cortez,2003. 184 p.
CUNHA, Beatriz Monteiro.Vivendo em Sociedade.Coleção Aventura Humana.São
Paulo,1998.
UNICAMP, Serviço Social do Hospital das Clínicas. Campinas.v.3. Ano III.2004.
SPOSATI, Aldaíza de Oliveira. Os direitos (dos desassistidos) Sociais. 4 ed.São Paulo:Cortez,
2002 .

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Em sociedade tudo se sabe, até os bastidores da Lei de Anistia..., por Hildegard Angel

Queiram ou não, o Brasil cumprirá seu destino de ser uma Nação na melhor acepção do termo. Se não for por decreto de Lula, por lei do Congresso, poderá ser através do Supremo Tribunal Federal, no qual o Conselho Federal da OAB ajuizou ação, no ano passado, assinada por Cesar Brito e Fabio Konder Comparato. A ação da OAB, que tem o ministro Eros Grau como relator, propõe que o STF dê uma interpretação da Lei de Anistia de que não há anistia para torturadores.Verdade é que o Supremo está dividido nessa matéria. Mas será bem melhor que a solução venha por ele e não pelo Congresso, o que abriria espaço para as viúvas da ditadura e outros protagonistas do negro passado ocuparem a tribuna e a imprensa para dar interpretações que favoreçam as próprias biografias e não o rumo histórico deste país.

A tortura é um crime de lesa humanidade que não prescreve. Para nosso vexame, corre até um processo contra o Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos, para que não haja prescrição para quem trucidou na guerrilha do Araguaia.

A Comissão de Verdade e Justiça defendida pelo ministro Paulo Vannuchi é um processo de redenção definitiva. Ela honra as famílias vitimadas, preserva a honra nacional, é digna e importante. Na África do Sul houve Comissão da Verdade com o bispo Desmond Tutu. Na Argentina ela foi presidida pelo escritor Ernesto Sábato. O Brasil não fez isso antes, errou em não fazê-lo. Nossa Constituinte que passou a limpo tanta coisa, não o fez.

Embora muitos queiram colocar um véu escuro sobre ela, a tortura no Brasil foi uma coisa terrível. Em 1979, quando a Lei de Anistia foi sancionada, havia 53 presos políticos em presídios de todo o país. A quase total maioria estava em greve de fome já por 33 dias. Preferiam morrer à míngua do que continuar vítimas de tanto sofrimento. Conjuntamente, eles redigiram uma carta listando 251 militares e carcereiros envolvidos em torturas, “dos quais 80 nos torturaram diretamente”.

Eles também denunciavam em sua carta: "Há 27 centros de torturas espalhados pelo país". Vinte e sete centros de torturas! Sem falar nos off-Broadway da tortura, como a famosa casa de Petrópolis etc. Que vergonha, que vergonha para todos nós, meu Deus! E agora vemos políticos e jornalistas — avestruzes — insistindo em enfiar a cabeça na areia, ignorando o fato histórico, virando as costas para os compatriotas nossos que sofreram tamanhas maldades.

Se vocês tiverem paciência para escutar, vou contar os bastidores que engendraram essa Lei de Anistia, que veio num processo de desarticulação do bipartidarismo brasileiro. Não estou falando novidade. O historiador brasileiro José Honório Rodrigues, imortal da Academia Portuguesa de História, colocou isso em inúmeros textos. Em 1965, o golpe editou o AI-2, extinguindo todos os partidos políticos. A decisão foi tão radical que o nome "partido" era considerado subversivo e não podia ser usado. Aí surgiram Arena que não era partido, era "aliança"; e MDB que não era partido, era "movimento". O governo militar achava que, com o bipartidarismo, iria se eternizar no poder.

Mas as eleições de Marcos Freire e de tantos outros democratas em 1974, quando houve a grande derrota do governo e a Arena sofreu uma lavada geral, fizeram os militares verem que o bipartidarismo era um desserviço a eles. E o que decidiram os pensadores do governo, SNI, Golbery e outros? "Vamos acabar com o bipartidarismo e abrir geral para desarticular a sociedade civil brasileira". Achavam que também com a anistia, Ulysses, Prestes e Brizola nunca estariam juntos, que cada um criaria um partido, seria uma geleia geral e os conservadores continuariam a mandar no país. Então veio o pluripartidarismo e foi aquela onda de "marronzinhos" e "enéas" aparecendo no horário gratuito, distribuídos em mais de 50 siglas. Com isso, os estrategistas de plantão conseguiram dar uma sobrevida ao regime.

A própria agenda da Abertura girava em torno de receios da volta dos anistiados. Havia rumores de manobras de Ulysses Guimarães para que, quando voltassem os anistiados, eles se unissem e controlassem a ação política brasileira. Com o pluripartidarismo, a ideia era fracionar o MDB. Assim foi pensada a Lei de Anistia, pelos donos do reacionarismo: "acabando o bipartidarismo, eles vão ralar, se fragmentar e a sociedade brasileira vai ficar perdida por alguns anos". Dessa forma, eles poderiam sair a salvo com tudo isso, e o regime militar não teria derrota. E deu certo para eles. Vieram Brizola com o PDT, Lula com o PT, Ulysses e Waldir Pires com o PMDB, e o PDS (de cujo racha saiu o PFL) como sucessor da Arena. O que não foi a eleição do Collor se não um êxito provado desse projeto dos militares? A eleição de Lula é que foi a ruptura histórica.

Como testemunha desses fatos, cito o próprio ministro deles, Jarbas Passarinho que considerou: a inteligência estava em saber claramente ser muito pouco provável que Prestes e Brizola se unissem. Disse também que a partir do momento em que os "rios" estivessem independentes, a Arena estaria maior. Assim foi urdida uma anistia consentida, controlada, diferente das verdadeiras com as da África do Sul, Chile, Argentina. Nossa anistia foi um processo de conciliação das elites. Para explicá-la nada melhor do que o pensamento de Lampedusa: "É preciso que tudo mude para que tudo continue como está".

O processo da Lei de Anistia tinha nove volumes, era um calhamaço daqueles, e foi discutido à exaustão no Congresso Nacional. E a questão dos torturadores não ficou à margem. Os debates no Congresso registraram vários discursos, dos deputados Airton Soares, Walter Silva e outros que colocaram claramente e com firmeza, que não deveria ser dada à lei uma interpretação que absolvesse os torturadores.

Como o Congresso era dominado pelo regime militar fez-se uma redação ampla, genérica da Lei de Anistia. Foi uma esperteza deles para, nas entrelinhas, conseguir perdoar quem cometeu torturas bárbaras. Com isso, eles ficariam bem na fita, na visão da História, jogando o assunto debaixo do tapete.

Este foi o processo histórico da anistia. Agora, o Brasil já se redemocratizou. E, ao contrário daqueles que dizem que “a Nação está pacificada e isso (discutir a anistia) vai criar problemas”, o problema existe sim, latente na nossa história. As famílias dos torturados e assassinados estão vivas. E a sociedade brasileira crítica também está viva. Deixo aqui, para nossa reflexão, o ensinamento de Hélio Pellegrino, das páginas de seu livro A burrice do demônio: "Olhar nos olhos da tragédia é dominá-la". Não podemos deixar de olhar nos olhos da tragédia brasileira para virar de uma vez por todas essa página infeliz da vida do nosso país.

- extraído da coluna "Reportagens Especiais", do Blog do Zé Dirceu, ( http://www.zedirceu.com.br/index.php?option=com_content&task=blogsection&id=5&Itemid=61), onde republicado em 21-Jan-2010, após publicação original no JB em 15/01/10,

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Filha de Lula teria respondido crítica do 'NYT' a filme

27 de janeiro de 2010 • 10h15 • atualizado às 10h19

O jornal americano The New York Times publicou, na terça-feira, uma carta atribuída à filha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual ela afirma que, ao contrário do que dizia reportagem da publicação, sua mãe não foi "abandonada" por ele. "Em primeiro lugar, minha mãe não foi 'abandonada'. Apesar do fim de seu relacionamento com meu pai, ele pagou todas as despesas médicas, incluindo a assistência pré-natal e o parto", afirma o texto assinado por Lurian C. Lula da Silva.
A reportagem, publicada no dia 12 de janeiro, afirmava que os produtores do filme Lula, o Filho do Brasil, que conta a história da infância e da juventude do presidente, foram criticados por suas supostas tentativas de "limpar" a história de vida de Lula, omitindo passagens como o abandono da então namorada Miriam Cordeiro, grávida de seis meses, quando ele tinha 29 anos. Segundo o NYT, os produtores disseram que deixaram de lado a passagem após a família de Miriam ter ameaçado processá-los.
"Ele me registrou no dia em que eu nasci. Isso não se encaixa no perfil de alguém que abandona mulheres grávidas", diz a carta publicada pelo jornal. O texto atribuído a Lurian afirma ainda que nenhum dos filhos de Lula foi mencionado no filme. "Então, por que eu deveria ser? Se o filme é sobre a trajetória do meu pai de pobre imigrante a líder sindical, onde meus irmãos e eu nos encaixamos?"
A carta finaliza afirmando que Lurian amou o filme. "Ele só reforçou minha admiração por esse homem, que não é apenas meu pai, mas também um líder mundial, simbolizando o 'homem comum'", diz."Eu concordo com o presidente Obama: Lula é o cara!"

-extraído do "Terra Notícias", em 27/01/10

sábado, 16 de janeiro de 2010

O HAITI, A TERRA, ESSAS COISAS, por Mateus Alves da Silva

-em 15/01/10
Na verdade, tomei conhecimento da tragédia ontem à noite, 14/01/10, quando regressava do meio dos pataxós no Sul da Bahia, onde estive sem rádio e sem TV certo tempo. Desconfiava que se tratava da Sra. Arns, embora as referências do grande Jonguinha, taxista e gente boa pataxó que me informava, sejam aquelas de que prá baixo é tudo Sul. Ele dizia que se tratava de uma mulher brasileira, do Sul, que ali, ironicamente, estava ajudando os outros e que levava a vida nesse sublime trabalho. Os nomes que me vieram à cabeça foram os da Dra. Arns, da pastoral e do Cardeal.
Na Tv, já em casa, hoje pela manhã, vi aquele caos.
E confirmei a morte da Dra Arns.
A vida esvai-se, e não sei se dormirei hoje apesar da noite em aeroporto ruim.
Tentei achar uma explicação para aquilo.
Não achei.
Lembrei-me do que li recentemente sobre a Filosofia Oriental Chinesa e sua visão sobre os seres e a criação.
Para ela, todos os seres são por assim dizer vivos.
Assim como tu e eu somos vivos, temos personalidades etc, os seres criados são vivos. O Sol é um ser vivo. A terra é um ser vivo. Aliás, um é yang, a outra é yin.
Fiquei imaginando o seguinte.
Assim sendo, sendo eles vivos, a terra há de ter vontade, há de ter a vontade mínima que seja, a vontade mínima de continuar a existir, de perdurar, de cumprir seu destino, não é mesmo?
Ora, se é capaz de ter vontade de existir, há de querer ao menos defender-se, fazendo, por conseguinte, o que lhe estiver ao alcance fazer para isso.
Imaginei mais: ora, a Terra há de querer fazer o que lhe estiver ao alcance fazer para sua defesa, como qualquer ser vivente faria...
Se é assim, posso admitir também que uma manifestação como essa a que se chamou terremoto não seja um ato de fatalidade, um resultado de posicionamento de placa tectônica etc e tal ou mesmo um resultado de situação climática; em suma, um resultado causado por fator externo. Posso admitir simplesmente que tenha sido um ato de vontade da Terra direcionado, objetivo.
A Terra teria atirado contra os homens violentamente.
As questões restantes seriam: o porquê desse contra-ataque e o porquê da escolha do Haiti ou mais especificamente da sua Capital.
As respostas que imaginei para a primeira questão foram as seguintes: a Terra se defendia de algo relacionado ao homem, que ela julgara realmente grave do ponto de vista da sua perpetuação.
Qual seria?
A existência dos haitianos que ela escolheu levar para o reino da Morte?
A existência dos "gringos" que ali estavam, incluindo a Dra. Arns, igualmente levados?
Pouco provável, pensei.
A própria existência humana sobre a sua face?
Não faz sentido, conclui.
Caso assim fosse, bastar-lhe-ia sacolejar-se como faz um cão, quando lhe incomodam as pulgas. Vale lembrar que as pulgas poderiam viver perfeitamente no cão, caso não o incomodassem com suas picadas. Um sacolejo só e seríamos varridos, ou melhor, lavados para as profundezas abissais do mar e de um mar de fogo e enxofre (Credo).
Não foi isso o que se viu.
Evidente, portanto, que não era o caso de destruir o homem.
Resta, portanto, a hipótese de que fosse destruir algo que cerca este.
O que e como?
Como - já vimos - foram atingidos duramente o Haiti e todos nós, de tabela, senão por mais nada pelo simples pavor de que aquilo também nos colha.
Para extinguir o quê, qual fator humano, foi o que tentei imaginar.
Não creio em alterações climáticas, em interferência no macro-sistema climático capaz de ser feita pelo homem de modo a colocar a Terra em perigo, salvo, é claro, por via de hecatombe, como, por exemplo, a do poder que se atribui à Bomba “h”.
Aliás, não creio em alteração climática, gerada por interferências em micros sistemas, capaz de colocar o próprio homem em perigo. Este, de certo modo, já se ajustou a tantos ciclos e há de continuar se ajustando.
Sou, no momento, adepto das teorias que falam das variações climáticas cíclicas e independentes da atuação humana e dos fatores novos que esta possa ter produzido.
Imaginei, portanto, que o perigo contra o qual se defendia a Terra é de outra ordem ou, se preferirem, de outra natureza. Mais profunda, aliás, diga-se.
Qual?
Qual perigo o homem traz, em si, para a Terra?
Disse, pela manhã à minha mulher, ambos com os olhos pesados de sono da noite em claro, o seguinte:
"A Terra tolera tudo, a Terra tolera o bem e o mal desde o início do homem. O que ela parece não tolerar é o desequilíbrio na nossa relação com ela e suas consequências.
E o que eu vejo como desequilíbrio terrível nessa confusão toda, como pai e mãe do desequilíbrio dessa merda toda, não é nada dessa bobagem que chamam de questão ecológica etc e tal. É o desequilíbrio das relações humanas e, por conseguintes, destas com a própria Terra. E vou procurar dar-te uma explicação: vivemos e tocamos a vida em geral, hoje em dia, em boa parte do globo terrestre, pautados pela filosofia e pela ética neoliberal que resumo como sendo essa coisa do cada um por si. Tu e eu, por exemplo, podemos dizer que levamos a vida da forma mais correta segundo tal padrão de pensamento vigorante. Vivemos politicamente corretos, por assim dizer, quando cuidamos de nós mesmos e de nossos filhos e família (nossas limitadas extensões) de acordo com esse mesmo padrão. Mas e se essa droga de padrão estiver errada do ponto de vista da continuação da espécie humana, componente aliás, ilustre da Terra?!... Não estaríamos agindo politicamente corretos do ponto de vista do padrão humano atual, mas de forma errada sob o prisma da defesa da Terra.
Em outras palavras, estaríamos certos e errados ao mesmo tempo, como creio que estamos nesse desequilíbrio causado pelo modo de pensar (e consequentemente de agir) ditado pelo padrão neoconservador que nos impôs (e admitimos a até sem perceber) a desmedida preocupação com o "eu próprio" em detrimento da preocupação com o outro e o todo. Um desequilíbrio. Um desequilíbrio que ultrapassa o conceito de bem e mal.”
Pois é, resumi minha conclusão, diante da minha mulher e de seus olhos pesados de tristeza e sono:“O que a Terra fez foi cuspir violentamente sobre o Haiti, para que esse nosso desequilíbrio não a afetasse tanto, como fatalmente ela seria afetada pela nossa extinção, cada vez mais próxima, como consequência inevitável desse desajuste.
Restou no ar a pergunta do "porquê o Haiti"?
Sei lá...
Deve ser porque a Terra o julgou capaz de sacrifícios tremendos. Assim como julgou capaz de sacrifícios tremendos a Dra. Arns e os demais voluntários que ela recolheu ao sono.

-para o Blog "Coletivo Brasil 3000" (coletivobrasil3000@blogspot.com) em 15/01/10

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A verdade tardia será sempre uma meia verdade, por Pedro Porfírio

Os torturadores eram parte de uma engrenagem da qual muitos cabeças ainda hoje cantam de galo

"A democracia é um sistema que faz com que nunca tenhamos um governo melhor do que merecemos."
George Bernard Shaw, escritor e dramaturgo irlandês (1856-1950)

Quem diria: aquele a quem pretensos doutos alcunham de apedeuta está dando um baile, fazendo todo mundo dançar conforme a sua música. Algo jamais imaginável já que não havia em seu palrar sintomas do brilho ofuscante que impõe a cada um dos seus rivais as agruras dos distúrbios mentais e de um espernear à semelhança de arapongas gasguitas presas em alçapões. Pois é o que está acontecendo ao som do bolero de Ravel, num ambiente de fantasias meticulosamente espraiadas. Enquanto joga pesado ao meter o suspeito bedelho na negociata dos "caças" franceses, mais caros e mais custosos do que os suecos, ouriça as casernas, os órfãos da ditadura e anencefálicos despolitizados com o florear de um simulacro, essa hipócrita catilinária da caça ao rodapé da engrenagem que operou nos subterrâneos, sob mando e inspiração de quem jamais foi questionado por insuflar à barbárie, seja o baronato parlamentar encabeçado por esse mesmo Sarney que manda no governo Lula, sejam os maiorais da tropa d'antão ou essa mesma mídia que agora se pretende inocente daquilo com que colaborou servilmente de braços dados, enquanto enchia as burras. O catálogo do faz-de-contaDe repente, no alvorecer do ano da sucessão, o talentoso príncipe operário põe sobre a mesa 521 cartas para todos os gostos, oferecendo o melhor mel silvestre àqueles a quem subjugou por 7 anos de trapaças contundentes, como as rasteiras que levou ao humilhante desespero as plêiades da mais zelosa corporação aérea brasileira, particularmente os extorquidos do seu fundo de pensão. Que submeteu ao faz-de-conta os milhões de aposentados, pensionistas, subempregados, desempregados, esfomeados, sem terra e/ou sem arados. São 521 ofertas telúricas e afrodisíacas num catálogo esmiuçado que mais se afigura o supra-sumo de um placebo adocicado. São idéias tão delirantes que gan haram do novo espadachim Paulo Vannuchi, o até então discreto secretário dos Direitos Humanos, o epíteto de "transversalidade temática", ou, melhor dizendo, apenas idílicos logaritmos da matemática do embuste.E, no entanto, fraudes tão salientes pegaram os adversários com as calças na mão, levando-os ao segundo ato da farsa esboçada. Dentro e de fora das muralhas dos podres poderes todos sem exceção reagiram na medida certa, conforme o script.Fizeram o cavalo-de-batalha engendrado pelos feiticeiros do príncipe, armaram uma tremenda barafunda e mergulharam de cabeça no confronto do imaginário. Precipitado e de comprovado desequilíbrio emocional, o senador tucano Artur Virgílio decidiu assumir o papel de vilão, ao anunciar aquilo que regimentalmente é impossível e politicamente é obscuro: quer num só decreto legislativo anular as 521 tacadas que por si não passam de um velhaco sonho de uma noi te de verão.Quer dizer: o governo que passou sete anos pisando em ovos, que amarelou diante do sistema e convidou o banqueiro Henrique Meireles para dar as cartas, inventa um monte de fórmulas genéricas que agradam à massa iludível e, antes mesmo de configurar-se o blefe, aparece essa turma desassossegada da "oposição" e o sacramenta, para o gáudio da corte.Tivessem alguns desses "oposicionistas" folheado o irlandês Bernard Shaw, o espanhol Baltasar Gracian, o florentino Nicolau Maquiavel ou nosso sábio Barão de Itararé, provavelmente não teriam caído nessa esparrela. O homem inteligente não polemiza sobre hipóteses, muito menos sobre ilações ou sandices. O pior que ele pode fazer contra si é embarcar no confronto maniqueísta, mormente se virtual e se aceita o papel atribuído por seu adversário. Antes de pegar uma briga, precisa averiguar se a coisa é mesmo à vera. No caso mais relevante dessa nova batalha de Itararé, não dá para perceber o alcance real dos propósitos enunciados. Nesse ponto, os chefes militares mostraram um despreparo pueril. Primeiro porque, supõe-se, as gerações castrenses de hoje não têm nada em comum com os generais golpistas que eram subprodutos da segunda guerra mundial e sofriam influência direta dos oficiais norte-americanos e da chamada Escola das Américas (o golpe de 64 começou com o manifesto dos coronéis de 1953 contra João Goulart, então jovem ministro do Trabalho).E os que estão sendo torturados hoje?Depois, a bem da verdade, - posso afirmar como testemunha ocular dos fatos - a grande maioria da tropa rejeitava a ditadura e só não se insubordinava pelo medo de "fazer o jogo dos comunistas". Não foi por acaso que, ao contrário dos outros regimes de exceção do Continente, os nossos ditadores tinham dia e hora para entrar e sair do comando e não podiam pleitear um "segundo mandato". Com esse ardil, em que invariavelmente o sucessor não era bem um "correligionário" do outro (exceção de Figueiredo e Geisel) criava-se uma válvula de escape dentro do próprio estamento militar. É certo e incontestável que alguns poucos aloprados cometeram crimes de lesa-humanidade nos quartéis, mácula de que quem mais deveria ter interesses em livrar-se seria a tropa altamente profissional de nossos dias.Mas também não dá para aceitar que somente agora, quatro décadas depois, criem um palanque político e alcancem alguns sobreviventes daquela época como bodes expiatórios de uma farsa de tinturas revanchistas.Não dá para ver um torturador como um sujeito que agia por conta própria. E os mandantes? E eminências daquela época, como o senador José Sarney, que entre outros serviços sujos teve a missão de explicar á Embaixada Americana o AI-5? E os empresários que bancaram com muito dinheiro do caixa 2 as operações de extermínio dos adversá rios de um regime que se sustentava pelas armas, depois de derrubar um presidente constitucional e rasgar a Constituição?Pelos meus cabelos brancos, sou forçado a descrer na repentina "boa intenção" de um governo que nada faz contra os torturadores de hoje, os policiais que só no Estado do Rio de Janeiro, em um ano, mataram mais jovens "suspeitos" do que em todos os 20 anos de ditadura no país. Ou torturar e matar pretos, favelados e marginalizados é diferente de dar porrada nos jovens de classe média que, envoltos no mais puro idealismo, mas conscientes do risco que corriam, se tornaram insurgentes? Como vítima daqueles dias, eu não aceito que transformem agora, neste momento, com tanto atraso, casos tão complexos em palanques políticos que, em última instância, visam tudo, menos restaurar uma verdade que, por tardia, não pode ser uma meia verdade.

publicado no blog www.porfiriolivre.com e recebida para publicação em 10.01.10

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O CAOS PROSSEGUE, por ADRIANO BENAYON

14.12.2009

O ano de 2009 termina sem ter acabado o caos nem a manipulação dos mercados financeiros. Ao contrário, ambos continuam aumentando.

A lógica aponta, há muito tempo, para o colapso final do sistema imperial do dólar - cada vez menos sistema, e cada vez mais caos. Entretanto, os controladores das finanças mundiais forçam a sobrevivência desse intolerável pseudo-sistema, causando estragos cada vez maiores.

Eles se valem para isso do imenso poder de corrupção acumulado mediante os ganhos inimagináveis das manipulações financeiras, por meio das quais são criados - do nada, nos discos rígidos dos computadores dos bancos centrais, dos Tesouros e dos grandes bancos e instituições financeiras - dezenas e até centenas de trilhões de dólares, exclusivamente para servir ao poder dos concentradores.

Respingam para a economia real frações desprezíveis da avalanche de moeda e de títulos inventados nos bits da informática, fazendo definhar a estrutura produtiva e deteriorar-se as condições de vida dos habitantes do planeta.

Nesse império do absurdo, a lógica é espezinhada junto com as pessoas. O poder financeiro, mais concentrado que nunca, se tornou absolutista, pois os atuais detentores do poder dispõem de meios tecnológicos de comunicação e de moldagem das mentes, que lhes permitem exercer totalitarismo muito maior que os monarcas dos Séculos XVI e XVII e as ditaduras do Século XX.

Transgênicos

Este é um caso exemplar da destrutividade reinante também na economia real, dita produtiva. Nela cresce o espaço dos produtos nocivos à saúde e à vida humanas, em prejuízo dos que lhes são favoráveis. Um dos exemplos mais candentes dessa escalada para liquidar a humanidade são os cereais e outros alimentos transgênicos.

No Brasil, apenas um governador, o do Paraná, tenta evitar essa calamidade, enquanto a grande maioria dos demais e o governo federal a promovem.

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), criada em 2005, beneficia as transnacionais da biotecnologia com aprovações consecutivas, e sem exceção, dos pedidos de liberação de variedades transgênicas no Brasil. Entre 2005 e o final de 2009, a CTNBio terá liberado o plantio comercial de duas variedades de soja, dez de milho e seis de algodão.

A EMBRAPA é a empresa estatal de pesquisa agropecuária. Depois de ter realizado excelentes desenvolvimentos, ela ficou controlada de fato pelas transnacionais, as quais, além disso, absorveram as firmas privadas de capital nacional do setor.

As sementes transgênicas são controladas, em âmbito mundial, por transnacionais: Monsanto, Cargill, Bunge, Syngenta, Bayer, BASF e Dow AgroSciences.

A CTNBio é composta por doutores pesquisadores da EMBRAPA - que ali tem cinco conselheiros – e de universidades, como USP, UFPE, UFRJ, UFMG, UNICAMP, UNB, UFV, UFRGS, UFES, PUC-RS, UFAL, UNIFESP E UEL. Também da ESALQ/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) de Piracicaba.

O x da questão é que a maioria absoluta dos conselheiros da CTNBio participa de projetos de pesquisa em associação com uma ou mais das transnacionais mencionadas. Isso explica porque essa Comissão aprovou, em maio deste ano, o milho transgênico da Bayer, altamente danoso. Isso se deu contra o parecer do Ministério da Agricultura e da EMBRAPA, sem que, entretanto, o governo, em defesa da segurança alimentar e da saúde pública, vetasse esse plantio.

Alguns dos efeitos destrutivos dos transgênicos são expostos por Ruy Nogueira no artigo “O sumiço das abelhas”, publicado em A Nova Democracia, junho de 2007 e por Marcos Arruda, em agosto de 2007, em “Brasil livre de transgênicos”.

Nos EUA, onde também já houve enormes danos à agricultura por causa dos transgênicos, alerta-se a respeito da extinção das abelhas e, consequentemente, da polinização, indispensável à reprodução das plantas.

Mesmo que não causasse esse terrível dano, capaz de acabar com várias espécies, inclusive a humana, o plantio dos transgênicos coloca os países que o admitem, inteiramente à mercê das transnacionais que dominam o mercado das sementes transgênicas e outras híbridas.

De fato, ficam os agricultores sem meios de obter sementes senão comprando-as do cartel mundial das transnacionais. Estas detêm total poder de impor preços e de chantagear, com a negação do fornecimento, os que não se curvem ao Império.

Não bastasse isso tudo, a dependência dos transgênicos obriga, ainda, a empregar herbicidas químicos específicos para esses plantios, como o glifossato da Monsanto, altamente danosos ao ambiente e à qualidade da terra, ademais de serem armas adicionais de extorsão, por meio do monopólio do fornecimento.

O modelo

De perversidade semelhante à vista no exemplo acima, há, sem dúvida, mais casos em outras indústrias, os quais ilustram como os interesses nacionais e os de cada um dos brasileiros são massacrados pelo abuso de poder de grupos concentradores sediados no exterior, decorrente do modelo econômico formado no Brasil desde 1954.

Em artigos, inclusive os dois mais recentes publicados em A Nova Democracia, “País Ocupado”, em novembro, e “País saqueado”, em dezembro, mostro que o Brasil, em conseqüência desse modelo, deixa de desenvolver o magnífico potencial que lhe deveriam assegurar seus maravilhosos recursos naturais.

A principal característica do dito modelo é oferecer todo tipo de vantagens e de subsídios para as empresas transnacionais se apossarem dos mercados de bens e de serviços no País. Ora, quem controla os mercados, controla o que se vai produzir para eles, a tecnologia de produção e a que preço os produtos vão ser vendidos.

Quem manda nisso tudo, concentra os meios financeiros para controlar também os meios de comunicação, o ensino nas universidades e nas escolas, as campanhas eleitorais, a escolha dos supostos governantes e tudo mais.

Artilharia contra a cultura

A liquidação das empresas industriais brasileiras de capital nacional, ao se consolidar o modelo que privilegia as transnacionais, inviabiliza a defesa nacional, mantendo o País inerme diante da ameaça permanente de intervenções militares. Mas outro importante meio, empregado pelo Império, para manter o Brasil dominado é a sistemática destruição de sua cultura, processo que ganhou intensidade desde a Segunda Guerra Mundial, em que o Brasil foi envolvido no início dos anos 1940, manipulado pelas potências anglo-americanas.

Isso se faz por meio da penetração de produtos fonográficos, cinematográficos, televisivos etc. destituídos de beleza e de arte, e plenos de agressão à sensibilidade auditiva e visual das pessoas, ademais de destruírem valores saudáveis. Com o empurrar incessante desses produtos durante o “entretenimento” e também nos intervalos de publicidade, conseguiram fazer habituar-se a eles dezenas de milhões de brasileiros, transformados, assim, em sujeitos passivos, capazes de tolerar qualquer tipo de violência e de desrespeito.

Além disso, o deslumbramento com o “primeiro mundo”, a adoção de seus valores utilitaristas e a adoração à riqueza material, faz que a pseudo-elite absorva em suas mentes a propaganda enganosa dos detentores do poder mundial quanto às pretensas vantagens do livre-comércio e da abertura da economia ao capital estrangeiro: em suma, da globalização. Assimilam-se também mentiras sobre as questões de poder internacionais, os motivos das guerras, das intervenções etc.

Guerra para emitir moeda internacional

Quem acredita nessas estórias e lorotas, acredita também que o Brasil não sofreu com o colapso dos mercados financeiros mundiais, imagina que a “crise” global acabou e que não há perigo algum para nós em que o Brasil continue atrelado ao pseudo-sistema monetário do dólar e a mercados manipulados ao bel-prazer dos concentradores financeiros.

Não é apenas a pseudo-elite e o grosso de sua classe política do Brasil, telecomandada do exterior, que se deixam iludir. Muita gente nos próprios países hegemônicos e em países a eles associados também é enganada por notícias distorcidas e interpretações enviesadas.

Ao lado da pressão dos hegemônicos baseada no poder militar, isso permite entender como têm sido possíveis algumas fases de recuperação do valor do dólar, interrompendo seu longo declínio.

É o que ocorreu na semana de 7 a 12 de dezembro. O dólar, que se havia se desvalorizado em 50%, desde o início do ano, em relação ao ouro, recuperou cerca de 10% nessa semana. A manipulação pró-dólar originou-se da divulgação do desemprego nos EUA, em novembro, por ter este aumentado bem menos que nos meses anteriores. Embora a taxa oficial se mantenha em 10% (era 4,9% há dois anos), magnificou-se o aspecto positivo daquele dado, se é que contém algo positivo.

Ou seja: com a irracionalidade telecomandada, um dado sem importância pode, ainda que temporariamente sobrepujar nos mercados os fatos realmente relevantes.

Que fatos são esses? Nada mudou na realidade: o dólar está hiperinflacionado e não há como sustentar seu valor, quer haja retomada da atividade econômica, o que é irrealista, quer prossiga a depressão, o que é provável.

Os dados relevantes estão na colossal oferta potencial de dólares nos mercados: 1) moeda em poder do público nos EUA mais saldos das contas correntes e travellers checks (M1): US$ 8 trilhões; 2) o M1 + depósitos de poupança, depósitos a prazo abaixo de cem mil dólares e contas para aposentadoria (M2): US$ 10 trilhões; 3) o M2 + depósitos a prazo acima de cem mil dólares, depósitos em eurodólares, saldos em agências de bancos dos EUA no exterior, saldos em fundos de mercados financeiros (M3): quase US$ 15 trilhões.

As reservas em dólares em bancos centrais (fora o FED) são estimadas em US$ 6 trilhões. Há, também, dezenas de trilhões de dólares em contas de bancos e de fundos em todo o mundo, inclusive paraísos fiscais e cerca de US$ 300 trilhões de derivativos. A dívida federal em mãos do público chegou a US$ 7,6 trilhões em 12.11.2009, e a federal total, a US$ 12 trilhões. A dívida total (federal, estadual, local e a privada), já atingira US$ 57 trilhões em maio deste ano.

Desde 2008 o colapso financeiro levou a emissões de US$ 23 trilhões (de moeda pelo FED e de títulos e garantias pelo Tesouro dos EUA). Agora, não falta muito para estourarem novas bolhas, como a dos mercados de ações e de matérias-primas industriais, e recrudescerem as bolhas mais antigas como a dos imóveis, juntando-se os comerciais aos residenciais, e surgirem mais títulos tóxicos nos derivativos e credit default swaps.

Para cobrir isso tudo serão necessárias novas e imensas emissões de dólares, e, neste fim de ano, perdura o quadro que caracterizou 2009: os bancos guardam o dinheiro emitido para eles pelo FED, para tapar novos rombos. Afora isso, usam parte dele investindo nas bolhas.

Esse potencial de oferta, de que citei alguns indicadores, implica que ninguém mais deveria aceitar dólares nas transações internacionais. Com efeito, quem recebeu essa moeda e formou reservas com ela já teve prejuízos de grande monta, mesmo antes de o potencial de oferta do dólar ter crescido com a velocidade incrível dos últimos dois anos.

A guerra de pressões e de manipulações, movida pelos concentradores anglo-americanos contraria as leis da economia, já que eles forçam contra o interesse dos envolvidos, a existência de procura por uma moeda contaminada por sua própria proliferação.

Apesar de terem abusado indecorosamente do privilégio, gerando os acima indicados volumes de dólares, esses concentradores não se conformam em perdê-lo. Querem continuar emitindo a seu bel prazer quantidades ilimitadas de moeda capaz de comprar riquezas reais de todo tipo, governos e até “consciências” em qualquer lugar do mundo.

A guerra apontada é continuação da que foi movida contra o Iraque, quando este não quis mais dólares em troca de seu petróleo. Está na “lógica” também do cerco ao Irã. E também é guerra de extermínio, pois prolonga e agrava o caos monetário, priva as atividades produtivas de financiamento e, em consequencia, faz enraizar-se ainda mais a depressão, com desemprego abrangente, duradouro e crescente.

* Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de “Globalização versus Desenvolvimento”, editora Escrituras. abenayon@brturbo.com.br

Publicado em A Nova Democracia, nº 61 – janeiro de 2010.