13/11/10
Slavoj Zizek, filósofo sloveno nascido em 1949, autor de “Bem Vindo ao Deserto do Real”, Boitempo, 2003, em artigo publicado no “Le Monde Diplomatique Brasil”, edição de novembro/10, analisa o que ele chama de duas ficções surgidas com os protestos europeus contra a política de austeridade que implementa corte de benefícios em alguns países daquele continente, notadamente na França e na Grécia e em menor escala na Itália, Irlanda e Espanha. A despolitização das decisões tomadas para se enfrentar a crise, apresentadas como “resposta técnica aos imperativos financeiros”, patrocinada pelo poder e pela mídia. E a sustentação de que a política de austeridade é apenas mais um meio de extinção do estado de bem-estar social pelo capital feita pelos que protestam.
Como indicativo da primeira, Slavoj alega que, por exemplo, não se aponta a ajuda aos bancos como a causa do déficit atual nas contas públicas, como no caso da que a União Européia deu à Grécia, exclusivamente, para pagamento de bancos franceses e alemães.
Aponta, também, a falta de programa da “esquerda contemporânea”, que a faz limitar sua utopia ao convencimento de que é capaz de se a adaptar àquele modelo de estado e a lutar somente pela manutenção de suas conquistas ameaçadas, abandonando a pretensão de mudá-lo e assimilando a necessidade dos sacrificantes cortes sociais como irrefutável.
Diz que se vive no “estado de urgência econômica permanente”, sem a promessa de que os benefícios serão restabelecidos, sendo que esta uma “nova era” de prometida austeridade severa e drástica economia em saúde, aposentadoria e educação, com a precariedade do trabalho, coloca a esquerda a defender aquelas conquistas e a renunciar ao desafio de explicar a natureza política da crise e da definição do modelo de sistema.
Slavoj coloca em cheque a capacidade de manutenção das conquistas no capitalismo, e salienta que, apesar de a esquerda contemporânea manter-se consciente de que esse sistema assenta-se sobre postulados pseudo-naturais, cuja quebra dizem que conduziria ao desastre econômico, os protestos não ultrapassam a busca de soluções circunstanciais para atenuar os efeitos da crise.
Critica a crítica ao capitalismo que não discute o cenário liberal democrático no qual aquele faz sua pilhagem nem contesta os “mecanismos institucionais do estado de direito burguês e evoca a atualidade da análise marxista, para a qual, em primeiro plano, a questão da liberdade não se situa na esfera política institucional, mas na das relações sociais do modo de produção, “do trabalho à família”. Lembra que nunca se pergunta ao eleitor, por exemplo, sobre quem deve possuir o quê, sobre a forma de gerenciamento do seu trabalho etc, e afirma que a política institucional jamais concederá a extensão da democracia a setores fora de seu domínio, como no caso de se criar bancos democráticos controlados pelos cidadãos. Destaca, nesse sentido, que as pequenas conquistas obtidas nos processos democráticos funcionam apenas como parte da engrenagem do estado burguês de reprodução do capital.
Slavoj aborda, ainda, a ineficiência do dogma liberal da necessidade da violência ilegítima (cortes de direitos) e salienta o da legitimidade da violência dos oprimidos, desnecessária, porém, e utilizável apenas como decisão estratégia. Frisa que se atacam apenas as medidas cuidadosamente estudadas e implementadas pelos “poderes públicos e pelas instituições financeiras“, segundo seus critérios e interesses próprios.
Sugere, em seguida, que a falta de proposta de uma contraofensiva, necessária e à altura, com os “conseqüentes” cenários catastróficos e violentos, se deve ao fato de os intelectuais radicais não estarem dispostos a suportar os transtornos em seu conforto e carreiras, tocadas dentro de uma existência segura e protegida, dizendo que muito preferem ver a revolução acontecer em países distantes, como Cuba, Nicarágua ou Venezuela.
Arremata dizendo que essa mesma intelectualidade está necessariamente diante de uma verdadeira mudança, gerada pelo desmantelamento do estado de bem estar-social das avançadas economias industriais, sendo que, apesar de ter que perseverar no trabalho intelectual paciente e sem resultado prático imediato, ela não está dispensada de refletir sobre a forma como aparecem as questões a serem solucionadas, ou seja, de assumir o papel do pensamento.
Slavoj salienta, anda, a imposição da economia como ideologia hegemônica, com a lógica do mercado e da concorrência. Como diz, a escola, espremida pela lógica da “maior eficiência com o menor custo”, assumiu o papel na educação de representar cada vez menos “um serviço público independente do mercado”, mantido pelo poder público como guardião de valores esclarecidos, como os da liberdade, igualdade e fraternidade, sendo invadida cada vez mais pelas diversas formas de parcerias público-privadas. Como lhe parece, mesmo o sistema político assume cada vez mais o modelo de empresa, com as eleições concebidas como certa “transação comercial”, na qual o eleitor compra o produto mais indicado para a preservação da ordem social, punição de criminosos etc.
Conclui destacando a feição comercial assumida por várias aspectos do estado, como a terceirização da administração da segurança, o mercenarismo do serviço militar e a própria perda do caráter universal hegeliano da burocracia estatal, e sustenta que as leis do mercado invadiram até mesmo as relações amorosas, onde compra-se o objeto amado como mercadoria, com direito a todas as maquiagens, via internet.
Acentua o distanciamento do sonho da transformação social diante de todos esses fatores, mas aponta que é exatamente essa impossibilidade aparente que nos leva a refletir sobre a estranha organização da fronteira entre o possível e o impossível, sendo que, no campo do lazer e das tecnlogias, somos bombardeados com a idéia de que “nada é impossível”, das experiências sexuais aos acessos a dados, incluindo-se a possibilidade da vida eterna com nossa transformação em softwares. Ao passo que no campo socioeconômico, crê-se na humanidade acabada, plenamente madura, renunciante às utopias milenares, com a aceitação das contingências da realidade “capitalista” e de todos os seus “impossíveis”. A impossibilidade de se engajar em causas coletivas sem se transformar no terror, de se usufruir do bem-estar social sem perder a competitividade e causar a crise, de viver fora do mercado mundial sem se transformar na Coréia do Norte.
Denuncia, enfim, o esforço da ideologia dominante para nos convencer da impossibilidade da transformação radical, do fim do capitalismo e da criação de uma democracia não reduzida a um jogo parlamentar corrupto, tornando invisível o antagonismo que atravessa o sistema.
Slovaj chama a atenção para a possibilidade da chegada de Morales, Chaves ou do governo maoísta do Nepal ao poder, pela via democrática, e indaga se esses governantes, exatamente por estarem na contramão da história e sem nenhum apoio “objetivo”, nada mais podendo fazer que improvisar, não estariam, de fato, numa situação de liberdade excepcional, na qual, aliás, estaria toda a esquerda, exatamente por não saber o que fazer, ao contrário do que ocorria no início do séc. XX, quando apenas tinha que esperar o momento certo, mas precisando agir imediatamente, sob pena de sua inércia produzir, em breve, situação ainda mais desastrosa. Ou seja, uma situação na qual ela pode estar diante da possibilidade de o impossível acontecer.
sábado, 13 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Elites jurídicas controlam sistema Judicial
Em estudo concluído em setembro sobre o sistema jurídico brasileiro, o cientista político Frederico Normanha Ribeiro de Almeida verifica a existência de uma política entre grupos de juristas influentes dentro do sistema jurídico nacional, no sentido de formar alianças e disputar espaço, cargos e poder dentro da administração do sistema. Segundo Almeida, este é um estudo inovador, pois constata um jogo político “difícil entender em uma área em que as pessoas não são eleitas e, sim, sobem na carreira, a princípio, por mérito”.
Em sua tese de doutorado A nobreza togada: as elites jurídicas e a política da Justiça no Brasil, orientada pela professora Maria Tereza Aina Sadek da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o pesquisador identificou, por meio de entrevistas, análises de currículos e biografias e uma análise documental da Reforma do Judiciário, três tipos de elites políticas dentro do sistema Judicial brasileiro: elites institucionais, profissionais e intelectuais.
Segundo ele, as elites institucionais são compostas por juristas que ocupam cargos chave das instituições da administração da justiça estatal, como o Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça, Tribunais Estaduais, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Conselho Nacional de Justiça( CNJ).
Já as elites profissionais são caracterizadas por lideranças corporativas dos grupos de profissionais do Direito atuantes na administração da justiça estatal, como a Associação dos Magistrados Brasileiros, OAB e a Confederação Nacional do Ministério Público.
O último grupo, as elites intelectuais são formadas por especialistas em temas relacionados à administração da justiça estatal. Este grupo, apesar de não possuir uma posição formal de poder, possui influência nas discussões sobre a área e em reformas políticas, como no caso dos especialistas em direito público e em direito processual.
No estudo verificou-se que as três elites políticas identificadas possuíam em comum a origem social, as Universidades e as trajetórias profissionais.
– Todos os juristas que formam esses três grupos provém da elite ou da classe média em ascensão e de Faculdades de Direito tradicionais, como o Faculdade de Direito (FD) da USP, a Universidade Federal de Pernambuco e, em segundo plano, as Pontifícias Universidades Católicas (PUC’s) e as Universidades Federais e Estaduais da década de 60.
Em relação às trajetórias profissionais dos juristas que ocupam essa elite, Almeida aponta que a grande maioria desses profissionais já exerceram advocacia, o que revela que “a passagem pela advocacia tende a ser mais relevante do que a magistratura”. Exemplo disso, é que a maior parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que são indicados pelo Presidente da República, serem ou terem exercido advocacia em algum momento de sua carreira.”
O cientista político também aponta que apesar de a carreira de um jurista ser definida com base no mérito, ou seja, via concursos, há um série de elementos que influenciam os resultados desta forma de avaliação. Segundo ele, critérios de avaliação como porte e oratória, favorecem indivíduos provenientes da classe média e da elite sócio-econômica, enquanto a militância estudantil e a presença em nichos de poder são fatores diretamente ligados às relações construídas nas faculdades.
– No caso dos Tribunais Superiores, não há concursos, são exigidos como requisito de seleção ‘notório saber jurídico’, o que, em outras palavras, significa ter cursado as mesmas faculdades tradicionais que as atuais elites políticas do Judiciário cursaram –, afirma o pesquisador.
Por fim, outro fator relevante notado nos levantamentos do estudo foi o que Almeida denominou de “dinastias jurídicas”. Ou seja, famílias que estão presentes por várias gerações no cenário jurídico.
– Notamos que o peso do sobrenome de famílias de juristas é outro fator que conta na escolha de um cargo-chave do STJ, por exemplo. Fatores como estes demonstram a existência de uma disputa política pelo controle da administração do sistema Judiciário brasileiro –, conlcui Almeida.
9/11/2010 12:23, Redação, com Agência USP - de São Paulo
-extraído do site correio do brasil (http://correiodobrasil.com.br)em 10/11/09
Em sua tese de doutorado A nobreza togada: as elites jurídicas e a política da Justiça no Brasil, orientada pela professora Maria Tereza Aina Sadek da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o pesquisador identificou, por meio de entrevistas, análises de currículos e biografias e uma análise documental da Reforma do Judiciário, três tipos de elites políticas dentro do sistema Judicial brasileiro: elites institucionais, profissionais e intelectuais.
Segundo ele, as elites institucionais são compostas por juristas que ocupam cargos chave das instituições da administração da justiça estatal, como o Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça, Tribunais Estaduais, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Conselho Nacional de Justiça( CNJ).
Já as elites profissionais são caracterizadas por lideranças corporativas dos grupos de profissionais do Direito atuantes na administração da justiça estatal, como a Associação dos Magistrados Brasileiros, OAB e a Confederação Nacional do Ministério Público.
O último grupo, as elites intelectuais são formadas por especialistas em temas relacionados à administração da justiça estatal. Este grupo, apesar de não possuir uma posição formal de poder, possui influência nas discussões sobre a área e em reformas políticas, como no caso dos especialistas em direito público e em direito processual.
No estudo verificou-se que as três elites políticas identificadas possuíam em comum a origem social, as Universidades e as trajetórias profissionais.
– Todos os juristas que formam esses três grupos provém da elite ou da classe média em ascensão e de Faculdades de Direito tradicionais, como o Faculdade de Direito (FD) da USP, a Universidade Federal de Pernambuco e, em segundo plano, as Pontifícias Universidades Católicas (PUC’s) e as Universidades Federais e Estaduais da década de 60.
Em relação às trajetórias profissionais dos juristas que ocupam essa elite, Almeida aponta que a grande maioria desses profissionais já exerceram advocacia, o que revela que “a passagem pela advocacia tende a ser mais relevante do que a magistratura”. Exemplo disso, é que a maior parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que são indicados pelo Presidente da República, serem ou terem exercido advocacia em algum momento de sua carreira.”
O cientista político também aponta que apesar de a carreira de um jurista ser definida com base no mérito, ou seja, via concursos, há um série de elementos que influenciam os resultados desta forma de avaliação. Segundo ele, critérios de avaliação como porte e oratória, favorecem indivíduos provenientes da classe média e da elite sócio-econômica, enquanto a militância estudantil e a presença em nichos de poder são fatores diretamente ligados às relações construídas nas faculdades.
– No caso dos Tribunais Superiores, não há concursos, são exigidos como requisito de seleção ‘notório saber jurídico’, o que, em outras palavras, significa ter cursado as mesmas faculdades tradicionais que as atuais elites políticas do Judiciário cursaram –, afirma o pesquisador.
Por fim, outro fator relevante notado nos levantamentos do estudo foi o que Almeida denominou de “dinastias jurídicas”. Ou seja, famílias que estão presentes por várias gerações no cenário jurídico.
– Notamos que o peso do sobrenome de famílias de juristas é outro fator que conta na escolha de um cargo-chave do STJ, por exemplo. Fatores como estes demonstram a existência de uma disputa política pelo controle da administração do sistema Judiciário brasileiro –, conlcui Almeida.
9/11/2010 12:23, Redação, com Agência USP - de São Paulo
-extraído do site correio do brasil (http://correiodobrasil.com.br)em 10/11/09
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Polícia gaúcha caça grupo neonazista em atividade no Sul
7/11/2010 16:23, Por Redação, de Porto Alegre
Grupos neonazistas se proliferam em sociedades dominadas pelas forças da direita
A Polícia Civil gaúcha intensificou o combate a um grupo neonazista em Porto Alegre (RS) que divulgou um vídeo com trechos de reportagens sobre a política de quotas nas universidades, cenas de violência entre agressores negros e vítimas brancas, a imagem do senador Paulo Paim (PT-RS) e da ex-ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro. O material, que inclui ainda CD’s, DVD’s, fotografias, camisetas, distintivos, facas, correntes, uma soqueira e um computador portátil, foi recolhido em uma residência, sexta-feira, no Centro de Porto Alegre.
O responsável pelos objetos não foi localizado. Ele é membro do White Power Sul Skin, um dos grupos neonazistas atuantes no Sul do país que pregam a limpeza racial e a doutrina de que negros, homossexuais e judeus são inferiores.
– Isso não nos intimida. Se pensavam que iam me prejudicar no processo eleitoral, se deram mal. Pretendo fazer uma audiência pública no Congresso, chamar a CNBB, a OAB, o Ministério da Justiça, porque isso é uma situação nacional. É inadmissível, enquanto os EUA elegem um presidente negro, a Bolívia, um índio, e o Brasil, um operário e, agora, uma mulher – afirmou Paim.
Neste domingo, o senador Paulo Paim (PT-RS) divulgou uma nota na qual repudia os atos de um grupo neonazista. Na nota, Paim, que foi reeleito para um mandato de oito anos no Senado, afirma que as ameaças não o intimidarão e que sua luta para o fim de todos os preconceitos prosseguirá. O parlamentar propôs a realização de uma audiência pública para debater o tema, no dia 19 deste mês, véspera do Dia Nacional da Consciência Negra.
Leia a íntegra da nota
“Se eles pensam que com este movimento vão calar a minha voz no Congresso Nacional, que sempre foi e será, em defesa dos discriminados, sejam eles negros, brancos, índios, ciganos, evangélicos, católicos, de matriz africana, judeus, palestinos e daqueles que lutam pela livre orientação sexual, estão enganados. Pelo contrário. Continuarei a minha luta para que todos os preconceitos e discriminações sejam eliminados em nosso país. Se o material elaborado por essas pessoas foi feito para me intimidar ou prejudicar, isso não aconteceu, pois não me intimido e tampouco os gaúchos. Lembro que há oito anos fui eleito para o Senado com 2 milhões de votos e o povo gaúcho numa demonstração de repúdio a esse tipo de atitude neonazista me reelegeu com quase o dobro de votos, 3.9 milhões. Sou o único senador negro eleito e reeleito na história da República Brasileira. Sei das minhas responsabilidades perante este momento. É inadmissível que em pleno século 21, quando os Estados Unidos elegeram um negro presidente, a Bolívia um índio presidente e o Brasil uma mulher presidente, nós tenhamos que conviver com situações como a ocorrida hoje em Porto Alegre. Tenho absoluta certeza que atitudes como essa não são aceitas pelo povo gaúcho e brasileiro. Não vou exigir segurança pessoal como foi levantado. Pretendo sim, realizar uma audiência pública aqui no Senado no dia 19 de novembro, véspera do Dia Nacional da Consciência Negra com a presença da OAB, CNBB, Ministério da Justiça, Direitos Humanos, Movimento Negro.
Senador Paulo Paim”
extraído do site correiodobrasil.com.br, em 09/11/10
Grupos neonazistas se proliferam em sociedades dominadas pelas forças da direita
A Polícia Civil gaúcha intensificou o combate a um grupo neonazista em Porto Alegre (RS) que divulgou um vídeo com trechos de reportagens sobre a política de quotas nas universidades, cenas de violência entre agressores negros e vítimas brancas, a imagem do senador Paulo Paim (PT-RS) e da ex-ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro. O material, que inclui ainda CD’s, DVD’s, fotografias, camisetas, distintivos, facas, correntes, uma soqueira e um computador portátil, foi recolhido em uma residência, sexta-feira, no Centro de Porto Alegre.
O responsável pelos objetos não foi localizado. Ele é membro do White Power Sul Skin, um dos grupos neonazistas atuantes no Sul do país que pregam a limpeza racial e a doutrina de que negros, homossexuais e judeus são inferiores.
– Isso não nos intimida. Se pensavam que iam me prejudicar no processo eleitoral, se deram mal. Pretendo fazer uma audiência pública no Congresso, chamar a CNBB, a OAB, o Ministério da Justiça, porque isso é uma situação nacional. É inadmissível, enquanto os EUA elegem um presidente negro, a Bolívia, um índio, e o Brasil, um operário e, agora, uma mulher – afirmou Paim.
Neste domingo, o senador Paulo Paim (PT-RS) divulgou uma nota na qual repudia os atos de um grupo neonazista. Na nota, Paim, que foi reeleito para um mandato de oito anos no Senado, afirma que as ameaças não o intimidarão e que sua luta para o fim de todos os preconceitos prosseguirá. O parlamentar propôs a realização de uma audiência pública para debater o tema, no dia 19 deste mês, véspera do Dia Nacional da Consciência Negra.
Leia a íntegra da nota
“Se eles pensam que com este movimento vão calar a minha voz no Congresso Nacional, que sempre foi e será, em defesa dos discriminados, sejam eles negros, brancos, índios, ciganos, evangélicos, católicos, de matriz africana, judeus, palestinos e daqueles que lutam pela livre orientação sexual, estão enganados. Pelo contrário. Continuarei a minha luta para que todos os preconceitos e discriminações sejam eliminados em nosso país. Se o material elaborado por essas pessoas foi feito para me intimidar ou prejudicar, isso não aconteceu, pois não me intimido e tampouco os gaúchos. Lembro que há oito anos fui eleito para o Senado com 2 milhões de votos e o povo gaúcho numa demonstração de repúdio a esse tipo de atitude neonazista me reelegeu com quase o dobro de votos, 3.9 milhões. Sou o único senador negro eleito e reeleito na história da República Brasileira. Sei das minhas responsabilidades perante este momento. É inadmissível que em pleno século 21, quando os Estados Unidos elegeram um negro presidente, a Bolívia um índio presidente e o Brasil uma mulher presidente, nós tenhamos que conviver com situações como a ocorrida hoje em Porto Alegre. Tenho absoluta certeza que atitudes como essa não são aceitas pelo povo gaúcho e brasileiro. Não vou exigir segurança pessoal como foi levantado. Pretendo sim, realizar uma audiência pública aqui no Senado no dia 19 de novembro, véspera do Dia Nacional da Consciência Negra com a presença da OAB, CNBB, Ministério da Justiça, Direitos Humanos, Movimento Negro.
Senador Paulo Paim”
extraído do site correiodobrasil.com.br, em 09/11/10
terça-feira, 2 de novembro de 2010
"Temos que casar cultura e educação", entrevista de Antonio Grassi dada ao blog do José Dirceu
Publicado em 23-Set-2010
"Temos que casar cultura e educação"
O alerta é do ator, produtor e diretor teatral, Antonio Grassi.
A conclusão é de Antonio Grassi, mineiro e nacionalmente conhecido por seu trabalho como ator na teledramaturgia, cinema e teatro - a este levado pela militância estudante. Desde então, afirma Grassi, arte e política caminham juntas em sua trajetória.
Além de ator, produtor e diretor teatral, Grassi foi secretário estadual de Cultura do Rio e presidente da FUNARTE. Com sua experiência na área pública, ele explica a importância de conciliarmos cultura e educação. O ator elenca também as conquistas do governo Lula para o setor e os desafios que ainda se apresentam.
Nesta entrevista, Grassi, também, conta os caminhos que o levaram ao teatro e, posteriormente, à teledramaturgia. Recém nomeado para a gerência executiva regional da TV Brasil (RJ), o ator fala ainda sobre a importância da emissora pública e dá o recado: "a TV não é do Lula, mas do Brasil".
[ Zé Dirceu ] Como você, militante e participante de vários momentos importantes do PT, avalia a área cultural sob o governo Lula? Tivemos avanços nos últimos oito anos?
[ Grassi ] É inegável que tivemos e muitos. Antes, a área da cultura estava entregue ao Deus dará, ou melhor, ao mercado que regia a produção e a política pública no setor. Então, tivemos um avanço importante. Agora, é bom que se diga, nós construímos a história e as nossas expectativas eram maiores em relação a algumas coisas.
De uma forma geral, o governo Lula entrou com muita expectativa e uma perspectiva importante sobre alguns temas que estavam no ponto para serem trazidos ao debate. Neste sentido, talvez tenhamos trabalhado mal, porque perdemos oportunidades importantes e o time de debatê-las. E isso se deu nao apenas pela forma como inserirmos algumas discussões no país.
Cito os exemplos dos debates sobre a Ancinav, a reforma da Lei Rouanet e também sobre políticas mais estruturais do Ministério da Cultura (MinC). O caso da Ancinav é exemplar. Durante o período da transição do governo FHC para o de Lula (fim de 2002) e durante a campanha, havia um consenso frente ao programa de governo e às discussões que fizemos sobre o audiovisual. Após a posse, ao trazer sobre esse tema, ele foi satanizado e, surpreendentemente, pelos mesmos que davam sua aprovação anteriormente. Obviamente, a disputa política coloca elementos que mudam a posição de algumas pessoas, mas nesses casos, nós perdemos o time.
Formação de platéia
é um desafio
[ Zé Dirceu ] Com sua experiência na gestão de políticas culturais, quais os principais desafios que precisamos enfrentar nos próximos anos?
[ Grassi ] Um dos principais é como inserir a cultura no importante pilar das políticas públicas. Como casar de novo a cultura com a educação. Na prática, elas estão desquitadas administrativamente e em termos de ação política. Qualquer coisa que se discuta hoje em relação à cultura - tanto em termos de mercado, de preservação de memória etc - o que vemos é o completo desquite com a área de educação.
Hoje no sistema educacional temos uma grande leva de professores sem acesso ao cinema, teatro, museus, galerias de arte e concertos, por exemplo. E se não temos isso com os professores, não dá para imaginar que tenhamos com os alunos. A formação de platéia é o grande desafio que temos pela frente.
Você entra em um museu em Paris, no Orsay, por exemplo, e encontra turmas imensas de alunos com seus professores discutindo Van Gogh. Esse é portanto um trabalho que temos que fazer no Brasil com urgência. Integrar a cultura e a educação.
Não dá para falar de
produção sem exibição
[ Zé Dirceu ] Em relação ao cinema brasileiro, que teve um crescimento de qualidade, com novas películas, novos artistas, novos cinemas. O que é necessário não só para estimular a produção, mas levar o brasileiro a ver filme nacional e criar essa platéia a que você se refere? As políticas novas do governo de patrocínio e incentivo pelas estatais são corretas na sua avaliação?
[ Grassi ] A meu ver é uma política que carece de um ponto central: não dá para você falar da produção sem falar do desdobramento disso, ou seja, não dá para falar de produção sem exibição. Criamos um ambiente complicado, onde existem produtores culturais que têm acesso à Lei do Audiviosual, através de incentivos, por exemplo, mas que produzem seus filmes e não exibem, embora se habilitem para produzir os próximos. Então, o critério da produção passa a não fazer parte do contexto.
Sempre que você vai ao Festival de Cinema em Brasília, há um filme inovador. No ano seguinte, aquele mesmo cineasta estará lá, mas sem que o filme inovador do ano passado tenha sido visto. E o mais lamentável, alguns nem chegam ao Festival. Este é um ponto que precisa ser atacado com firmeza. Não podemos desvincular a produção da exibição.
No caso do teatro, por exemplo, a coisa é muito mais séria. Tínhamos sessões habitualmente de terça a domingo, com vesperais no sábado, domingo e na quinta-feira. Hoje, não temos mais isso. Temos teatro de sexta a domingo e só. Isso tem a ver com a questão da educação. Nós temos um público no Brasil - não vou falar nem dos alunos das escolas, mas de professores - que precisa ser chamado. Se professores fossem ao cinema e ao teatro, nós já teríamos um público vinte vezes maior do que esse que temos.
Filmes de arte
viraram cinemateca
[ Zé Dirceu ] E quanto à questão do mercado externo?
[ Grassi ] Temos que criar mecanismos de distribuição distintos daqueles que usam estas distribuidoras. Isso é difícil. Você vai competir no mercado com um filme do qual chegam duzentas cópias e com cinemas rateando para conseguir 1 milhão de espectadores
[ Zé Dirceu ] Neste caso, os investimentos não são necessários só para a produção, mas para a exibição. E não há só complexos de cinemas de shooping, existem os bairros. Com a demanda crescendo, melhorando a renda da população será possível um investimento para a produção e para a exibição. Da mesma maneira que existem hotéis 5, 4, 3 estrelas, nós poderíamos ter cinemas com 30 lugares, um espaço honesto, simples, limpo, onde ao invés de pagar R$ 25,00 reais, você pudesse pagar R$ 5,00.
[ Grassi ] Sim, claro. Inclusive, em uma de nossas discussões, falamos sobre a interferência da sala no tipo de cinema que você vai ver. A sala te obriga a assistir a determinado filme. Esses grandes complexos cinematográficos, por exemplo, que associam o filme à pipoca, àquilo que você compra na entrada, condicionam o público a ver um tipo de filme que está lá dentro. Dificilmente você vai encontrar nestas salas, um filme como aqueles que gostávamos de ver antigamente, aqueles europeus. Um filme mais de arte não têm espaço nesses lugares. É como se fosse incompatíveis.
[ Zé Dirceu ] Viraram filmes de cinemateca?
[ Grassi ] Viraram cinemateca mesmo.
Há um estrangulamento
na teledramaturgia
[ Zé Dirceu ] Como você avalia a TV brasileira e, em especial, a teledramaturgia?
[ Grassi ] A teledramaturgia é um grande artigo de exportação. Adquiriu qualidades inegáveis de produção, de equipamento técnico e a contribuição da Rede Globo neste sentido é muito grande. Mas, chegamos a um modelo que está em seu ponto de esgotamento. Há um estrangulamento por conta até do próprio excesso de produção. E isso se pensarmos que todas as emissoras concorrentes da Globo colocam como mote para a concorrência a teledramaturgia sob o mesmo formato de novelas, capítulos e tal... Se elas não tiverem eixo padronizado, perigam fracassar. Caímos, portanto, numa situação em que é difícil uma novela que possa inovar. Então, a teledramaturgia poderá avançar, mas em outros modelos.
Por exemplo, esse modelo que hoje estamos vendo nas prateleiras das grandes redes de livraria: um box com DVD das séries americanas, House, Brothers and Sisters etc. Você tem ali uma variedade de teledramaturgia que não é de novelas. Esse é um caminho. Temos qualidade para produzir várias séries, mas neste caso, há um aspecto econômico. Quando você produz uma minissérie com 40 capítulos ou com 20, que é o formato tradicional - caso de Memorial de Maria Moura, Casa das Sete Mulheres, Os Maias, por exemplo - o custo do investimento nestes 20 capítulos é igual ao de uma novela. Cenário, direção de arte, atores têm o mesmo custo. A diferença é que na novela há 200 capítulos para você recuperar esse investimento. Na minissérie não.
Por outro lado, e aí está a questão, esse filão do DVD é um mercado que a TV brasileira ainda não se apropriou. Os americanos já o fizeram. Portanto, há um mercado que compensa a deficiência do retorno da televisão, mas isso ainda está muito capenga no Brasil.
TV pública é do Brasil
[ Zé Dirceu ] Qual a importância e o papel da EBC, a TV Brasil, hoje no país? Ela está no seu início, quais as perspectivas de futuro em termos de comunicação pública?
[ Grassi ] Desde quando trabalhávamos as questões do programa de cultura, em todas as campanhas que fizemos - e eu participei de todas - a questão da comunicação e da televisão sempre esteve presente. Antes, nós arranhávamos muito superficialmente estes temas, porque achávamos que jamais chegaríamos nele. Mas trabalhamos a perspectiva da TV pública e agora ela é uma realidade. Aliás, o termo público deveria ser melhor trabalhado, até para conseguirmos mais adesão das pessoas.
É muito complicado falar da TV pública, porque essa palavra traz a falsa ideia de morosidade, burocracia e falta de qualidade. Sem falar da questão política, aproveitada pela oposição ao governo que diz “a TV do Lula”. Isso é uma balela! A TV pública é uma conquista importantíssima de todos os brasileiros. As mesmas pessoas que falam da BBC de Londres como referência, da RAI italiana, a TVE da Espanha, desprezam a TV Brasil que como estas, também é pública e tem seu conselho curador.
A TV Brasil, portanto, é uma grande conquista e traz o desafio de fazermos uma TV pública de qualidade, que tenha uma função de complementaridade da TV comercial. Ou seja, ela deve abordar certos assuntos, com linguagens e temas que a TV comercial não faz. E, principalmente, trabalhar a diversidade nacional, a regionalização da programação. O grande trunfo da TV Brasil foi a rede pública ter aderido à rede nacional.
[ Zé Dirceu ] Todas aderiram?
[ Grassi ] Todas, menos São Paulo e Rio Grande do Sul. Mas os demais Estados sim. Inclusive, educativas e universitárias. Isso foi muito importante. Hoje a EBC trabalha num formato muito interessante. Você tem em rede 10 horas de programação, sendo 4 de programação regional. O cara em São Paulo pode ver a programação de Pernambuco. Essa é a regionalização que tanto falamos. Um avanço fantástico. Só que temos dificuldade para divulgar isso, para que percebam a importância desse momento. Além disso, nestas questões políticas, temos que lutar contra o estigma e dizer: "Não é a TV do Lula, nem do governo. É a TV do Brasil".
Movimento estudantil,
o teatro como instrumento.
[ Zé Dirceu ] Arte e política se misturam? Como você concilia seu trabalho de ator com sua luta pela arte no país?
[ Grassi ] Há uma história de vida pessoal. O que me levou ao teatro não foi a atividade artística em si. Eu comecei no colégio estadual central em Belo Horizonte, em um grupo secundarista naquela época muito importante com vários companheiros. Dilma [Rousseff] e [Fernando] Pimentel passaram por lá. Naquele momento da discussão política, do movimento estudantil mesmo, o teatro era um instrumento. Havia muito daquela história que o Plínio Marcos dizia “o teatro é uma tribuna livre onde vão se debater os problemas do homem”.
Então, víamos o teatro como essa ferramenta, mais do que a questão artística propriamente dita. Ali tivemos contato com os demais movimentos. Minha opção pelo teatro, portanto, nunca esteve desvinculada do pensamento político. E a partir daí, todas as afinidades começaram a acontecer com as pessoas que tinham essa preocupação política. Eu fiz teatro independente naquela época. Com o pessoal do Asdrúbal Trouxe o Trombone, do Cacá Rosset, do Paulo Betti. Começamos com esse teatro mais político, de cooperativa. Nós éramos os produtores do nosso trabalho. Então, para mim, arte e política sempre estiveram juntas. É difícil desvincular uma coisa da outra.
[ Zé Dirceu ] E sobre seu trabalho, quais as angústias e satisfações de ser um ator reconhecido em todo o Brasil? Para as novas gerações, existe uma formação profissional à altura da demanda requerida hoje?
[ Grassi ] Nós todos vivemos uma tragédia nesta questão da sobrevivência profissional. Eu, por exemplo, comecei a fazer teatro em Minas, depois me profissionalizei. Mas havia uma coisa naquele tempo: nós tínhamos a TV como uma área pela qual jamais nos interessaríamos. Quando comecei a fazer teatro, naquele tempo, os atores de TV eram por nós considerados “menores”. Havia atores de teatro que falavam temas relevantes e os de TV que nós considerávamos "menores". Durante muito tempo, era muito bom saber que a Fernanda Montenegro e o Paulo Autran se recusavam a fazer novelas de televisão. Mas, em determinado momento, ligamos a TV e estava lá a Fernanda jogando torta na cara do Paulo! A situação tinha mudado, era outra.
Ao entrarmos na TV, nós quebramos o preconceito que a minha geração tinha em relação a ela. Isso nos inseriu num outro mundo em que tivemos que nos adaptar. Acredito que a geração que vem agora tem uma possibilidade mais ampla de atuação, fora dessa coisa limitada “só pela telenovela”. Hoje, vemos atores com outra formação. Agora, não poderemos avançar mais nisso se não tivermos um avanço também nas outras formas de arte.
[ Zé Dirceu ] Você fala do cinema e eu percebo um renascimento, um crescimento, não só na qualidade, mas na quantidade da produção. E no teatro?
[ Grassi ] O teatro é diferente porque ele tem uma situação muito complicada. A relação dele com a Lei Rouanet é muito perversa. O teatro criou um formato que distanciou o público. Aquela relação viva do teatro de terça a domingo acabou. Hoje só de sexta a domingo, como eu disse anteriormente. E as contas que fazíamos para a manutenção do espetáculo não existem mais. Quando você manda um projeto de teatro para capta patrocínio pela Lei Rouanet, tem que computar a produção e a manutenção, porque a bilheteria não sustenta as duas.
A quantidade de 12 espetáculo que temos por mês – 3 por semana – equivale ao mesmo custo de 48 espetáculos mensais, porque os técnicos são contratados por mês, iluminação etc. Então, o que acontece? Redução da equipe técnica, produção de uma quantidade imensa de monólogos ou peças com menos atores. Raramente temos produções com muita gente em cena.
As produções dos musicais americanos são outra realidade. Elas têm um patrocínio forte e um outro tipo de apelo. Veja que os próprios teatros foram incorporando em o patrocinador a seus nomes, Teatro Alfa, Bradesco etc. Com isso perdemos mesmo a relação viva do teatro que é hoje muito difícil e delicada.
A chiadeira em relação da Lei Rouanet, no caso do teatro é dramática, porque você tira a possibilidade dos 100% de abatimento fiscal. Aí, a possibilidade concreta de não haver nenhum patrocinador é muito grande. Principalmente, porque pela lei do audiovisual há a possibilidade desse cara ter 125% de abatimento. Então, você oferece ao patrocinador sua peça, mas ele tem 125% pela Lei do Audivisual, e pelo teatro apenas 70%. O cara, obviamente, vai para a Lei do Audiovisual. Essa relação é dura.
Por isso eu vou repetir pela terceira vez o mote: se não tiver o vinculo com a educação... Só ele pode ser a salvação do teatro para que tenhamos uma formação de platéia, um público que pode gostar de ver aquilo ao vivo, sem ser gravado.
“Romeu e Julieta não se adia nunca”
[ Zé Dirceu ] E os Centros de Educação Unificada (CEUs) implantados pela prefeita do PT, Marta Suplicy em São Paulo?
[ Grassi ] O princípio dos CEUs é muito legal porque você vincula a manifestação artística à educação. Para mim, esta é a única saída, até mesmo para não existir a competição com as outras áreas.
Eu sempre conto da minha primeira experiência como gestor na Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro. Quando entramos no governo, minha primeira reunião foi para discutir a programação do Teatro Municipal. Ela estava anunciada, toda vendida, assinantes todos prontos. Essa primeira reunião foi para discutir a programação do ballet Romeu e Julieta, sob a regência do grande Rostropovich e coreografia do Vassiliev (do Bolshoi). Maestro e coreografia russos, ballet e orquestra do Municipal. Então, a produtora fala: "todos os artistas internacionais abandonarão o projeto caso não recebam a parcela contratual, precisamos pagar a primeira parcela!" Era uma coisa absurda, R$ 2 milhões.
Lá fui eu para o nosso secretário de Fazenda. Foi essa minha estréia como gestor público. Cheguei na ante sala e estavam os secretários da Educação e da Segurança conversando, agoniados com suas questões. Ouvi do secretário de segurança que ele precisava de munição para a polícia subir o morro - era o período do Elias Maluco. A da educação levantou a questão da merenda escolar. Quando os dois olharam para mim para perguntar qual o motivo que tinha me levado até lá, eu não tive coragem de falar. Voltei para o Municipal e pensei "caramba, como vou falar que quero dinheiro para o Romeu e Julieta diante dessas circunstâncias?" Aí, chego no teatro e ouço da produtora: “Mas a estréia é mais urgente, secretário! A merenda e a munição você adia. Uma estréia como essa, do Romeu e Julieta, não se adia nunca...”
Esse é um exemplo. Na realidade a gente não tem impregnado nas questões da política pública a transversalidade. Hoje, eu vejo que na questão da UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora) no Rio, a presença da cultura é fundamental. Se você não trabalhar em conjunto a área da cultura, ela fica como pedinte das demais cujas causas são mais urgentes. No Rio, tivemos aquele desastre que foi a Cidade da Música, um elefante branco do César Maia, inaugurado sem acabar! Um dinheiro enorme gasto numa obra parada que seria hoje muito significativa para a cultura nacional, na cidade do Rio.
As primeiras contestações a esse projeto eram “por que não se investiu em hospital, em escolas? Concordo, mas aquele investimento foi feito para aquilo e tinha que ser terminado.
[ Zé Dirceu ] Em relação ao ticket cultura, isso vai pegar?
[ Grassi ] Essa é uma das estratégias importantes para trabalharmos a distribuição, porque ela inverte a relação. Se você me perguntar: "como produtor, você prefere que eu te dê 1 milhão para a produção da sua peça ou 200 mil pessoas? Eu prefiro 200 mil pessoas. Quero público. Essa é a questão, porque o patrimônio não pode ser a sua produção, mas o seu público. E o vale cultura investe nessa relação.
[ Zé Dirceu ] Grassi, para finalizarmos, qual a perspectiva do artista hoje em relação às novas mídias. Elas são aliadas, concorrentes, já estão ou vão potencializar o trabalho artístico-cultural?
[ Grassi ] Elas são complementares. Temos que tomar posse dessas novas tecnologias e aprender a trabalhar com cada uma de suas linguagens. Acredito que assim como o cinema aprendeu com a televisão - que tem um caminho e uma linguagem próprios - as novas mídias trazem um desafio. Esse é um processo que teremos que somar e aprender a lidar com ele. Mas, no geral, avalio que os artistas estão lidando bem com elas.
---- extraída, autorizadamente, do Blog do Zé Dirceu em 02/11/10, cujo endereço é: http://www.zedirceu.com.br/
"Temos que casar cultura e educação"
O alerta é do ator, produtor e diretor teatral, Antonio Grassi.
A conclusão é de Antonio Grassi, mineiro e nacionalmente conhecido por seu trabalho como ator na teledramaturgia, cinema e teatro - a este levado pela militância estudante. Desde então, afirma Grassi, arte e política caminham juntas em sua trajetória.
Além de ator, produtor e diretor teatral, Grassi foi secretário estadual de Cultura do Rio e presidente da FUNARTE. Com sua experiência na área pública, ele explica a importância de conciliarmos cultura e educação. O ator elenca também as conquistas do governo Lula para o setor e os desafios que ainda se apresentam.
Nesta entrevista, Grassi, também, conta os caminhos que o levaram ao teatro e, posteriormente, à teledramaturgia. Recém nomeado para a gerência executiva regional da TV Brasil (RJ), o ator fala ainda sobre a importância da emissora pública e dá o recado: "a TV não é do Lula, mas do Brasil".
[ Zé Dirceu ] Como você, militante e participante de vários momentos importantes do PT, avalia a área cultural sob o governo Lula? Tivemos avanços nos últimos oito anos?
[ Grassi ] É inegável que tivemos e muitos. Antes, a área da cultura estava entregue ao Deus dará, ou melhor, ao mercado que regia a produção e a política pública no setor. Então, tivemos um avanço importante. Agora, é bom que se diga, nós construímos a história e as nossas expectativas eram maiores em relação a algumas coisas.
De uma forma geral, o governo Lula entrou com muita expectativa e uma perspectiva importante sobre alguns temas que estavam no ponto para serem trazidos ao debate. Neste sentido, talvez tenhamos trabalhado mal, porque perdemos oportunidades importantes e o time de debatê-las. E isso se deu nao apenas pela forma como inserirmos algumas discussões no país.
Cito os exemplos dos debates sobre a Ancinav, a reforma da Lei Rouanet e também sobre políticas mais estruturais do Ministério da Cultura (MinC). O caso da Ancinav é exemplar. Durante o período da transição do governo FHC para o de Lula (fim de 2002) e durante a campanha, havia um consenso frente ao programa de governo e às discussões que fizemos sobre o audiovisual. Após a posse, ao trazer sobre esse tema, ele foi satanizado e, surpreendentemente, pelos mesmos que davam sua aprovação anteriormente. Obviamente, a disputa política coloca elementos que mudam a posição de algumas pessoas, mas nesses casos, nós perdemos o time.
Formação de platéia
é um desafio
[ Zé Dirceu ] Com sua experiência na gestão de políticas culturais, quais os principais desafios que precisamos enfrentar nos próximos anos?
[ Grassi ] Um dos principais é como inserir a cultura no importante pilar das políticas públicas. Como casar de novo a cultura com a educação. Na prática, elas estão desquitadas administrativamente e em termos de ação política. Qualquer coisa que se discuta hoje em relação à cultura - tanto em termos de mercado, de preservação de memória etc - o que vemos é o completo desquite com a área de educação.
Hoje no sistema educacional temos uma grande leva de professores sem acesso ao cinema, teatro, museus, galerias de arte e concertos, por exemplo. E se não temos isso com os professores, não dá para imaginar que tenhamos com os alunos. A formação de platéia é o grande desafio que temos pela frente.
Você entra em um museu em Paris, no Orsay, por exemplo, e encontra turmas imensas de alunos com seus professores discutindo Van Gogh. Esse é portanto um trabalho que temos que fazer no Brasil com urgência. Integrar a cultura e a educação.
Não dá para falar de
produção sem exibição
[ Zé Dirceu ] Em relação ao cinema brasileiro, que teve um crescimento de qualidade, com novas películas, novos artistas, novos cinemas. O que é necessário não só para estimular a produção, mas levar o brasileiro a ver filme nacional e criar essa platéia a que você se refere? As políticas novas do governo de patrocínio e incentivo pelas estatais são corretas na sua avaliação?
[ Grassi ] A meu ver é uma política que carece de um ponto central: não dá para você falar da produção sem falar do desdobramento disso, ou seja, não dá para falar de produção sem exibição. Criamos um ambiente complicado, onde existem produtores culturais que têm acesso à Lei do Audiviosual, através de incentivos, por exemplo, mas que produzem seus filmes e não exibem, embora se habilitem para produzir os próximos. Então, o critério da produção passa a não fazer parte do contexto.
Sempre que você vai ao Festival de Cinema em Brasília, há um filme inovador. No ano seguinte, aquele mesmo cineasta estará lá, mas sem que o filme inovador do ano passado tenha sido visto. E o mais lamentável, alguns nem chegam ao Festival. Este é um ponto que precisa ser atacado com firmeza. Não podemos desvincular a produção da exibição.
No caso do teatro, por exemplo, a coisa é muito mais séria. Tínhamos sessões habitualmente de terça a domingo, com vesperais no sábado, domingo e na quinta-feira. Hoje, não temos mais isso. Temos teatro de sexta a domingo e só. Isso tem a ver com a questão da educação. Nós temos um público no Brasil - não vou falar nem dos alunos das escolas, mas de professores - que precisa ser chamado. Se professores fossem ao cinema e ao teatro, nós já teríamos um público vinte vezes maior do que esse que temos.
Filmes de arte
viraram cinemateca
[ Zé Dirceu ] E quanto à questão do mercado externo?
[ Grassi ] Temos que criar mecanismos de distribuição distintos daqueles que usam estas distribuidoras. Isso é difícil. Você vai competir no mercado com um filme do qual chegam duzentas cópias e com cinemas rateando para conseguir 1 milhão de espectadores
[ Zé Dirceu ] Neste caso, os investimentos não são necessários só para a produção, mas para a exibição. E não há só complexos de cinemas de shooping, existem os bairros. Com a demanda crescendo, melhorando a renda da população será possível um investimento para a produção e para a exibição. Da mesma maneira que existem hotéis 5, 4, 3 estrelas, nós poderíamos ter cinemas com 30 lugares, um espaço honesto, simples, limpo, onde ao invés de pagar R$ 25,00 reais, você pudesse pagar R$ 5,00.
[ Grassi ] Sim, claro. Inclusive, em uma de nossas discussões, falamos sobre a interferência da sala no tipo de cinema que você vai ver. A sala te obriga a assistir a determinado filme. Esses grandes complexos cinematográficos, por exemplo, que associam o filme à pipoca, àquilo que você compra na entrada, condicionam o público a ver um tipo de filme que está lá dentro. Dificilmente você vai encontrar nestas salas, um filme como aqueles que gostávamos de ver antigamente, aqueles europeus. Um filme mais de arte não têm espaço nesses lugares. É como se fosse incompatíveis.
[ Zé Dirceu ] Viraram filmes de cinemateca?
[ Grassi ] Viraram cinemateca mesmo.
Há um estrangulamento
na teledramaturgia
[ Zé Dirceu ] Como você avalia a TV brasileira e, em especial, a teledramaturgia?
[ Grassi ] A teledramaturgia é um grande artigo de exportação. Adquiriu qualidades inegáveis de produção, de equipamento técnico e a contribuição da Rede Globo neste sentido é muito grande. Mas, chegamos a um modelo que está em seu ponto de esgotamento. Há um estrangulamento por conta até do próprio excesso de produção. E isso se pensarmos que todas as emissoras concorrentes da Globo colocam como mote para a concorrência a teledramaturgia sob o mesmo formato de novelas, capítulos e tal... Se elas não tiverem eixo padronizado, perigam fracassar. Caímos, portanto, numa situação em que é difícil uma novela que possa inovar. Então, a teledramaturgia poderá avançar, mas em outros modelos.
Por exemplo, esse modelo que hoje estamos vendo nas prateleiras das grandes redes de livraria: um box com DVD das séries americanas, House, Brothers and Sisters etc. Você tem ali uma variedade de teledramaturgia que não é de novelas. Esse é um caminho. Temos qualidade para produzir várias séries, mas neste caso, há um aspecto econômico. Quando você produz uma minissérie com 40 capítulos ou com 20, que é o formato tradicional - caso de Memorial de Maria Moura, Casa das Sete Mulheres, Os Maias, por exemplo - o custo do investimento nestes 20 capítulos é igual ao de uma novela. Cenário, direção de arte, atores têm o mesmo custo. A diferença é que na novela há 200 capítulos para você recuperar esse investimento. Na minissérie não.
Por outro lado, e aí está a questão, esse filão do DVD é um mercado que a TV brasileira ainda não se apropriou. Os americanos já o fizeram. Portanto, há um mercado que compensa a deficiência do retorno da televisão, mas isso ainda está muito capenga no Brasil.
TV pública é do Brasil
[ Zé Dirceu ] Qual a importância e o papel da EBC, a TV Brasil, hoje no país? Ela está no seu início, quais as perspectivas de futuro em termos de comunicação pública?
[ Grassi ] Desde quando trabalhávamos as questões do programa de cultura, em todas as campanhas que fizemos - e eu participei de todas - a questão da comunicação e da televisão sempre esteve presente. Antes, nós arranhávamos muito superficialmente estes temas, porque achávamos que jamais chegaríamos nele. Mas trabalhamos a perspectiva da TV pública e agora ela é uma realidade. Aliás, o termo público deveria ser melhor trabalhado, até para conseguirmos mais adesão das pessoas.
É muito complicado falar da TV pública, porque essa palavra traz a falsa ideia de morosidade, burocracia e falta de qualidade. Sem falar da questão política, aproveitada pela oposição ao governo que diz “a TV do Lula”. Isso é uma balela! A TV pública é uma conquista importantíssima de todos os brasileiros. As mesmas pessoas que falam da BBC de Londres como referência, da RAI italiana, a TVE da Espanha, desprezam a TV Brasil que como estas, também é pública e tem seu conselho curador.
A TV Brasil, portanto, é uma grande conquista e traz o desafio de fazermos uma TV pública de qualidade, que tenha uma função de complementaridade da TV comercial. Ou seja, ela deve abordar certos assuntos, com linguagens e temas que a TV comercial não faz. E, principalmente, trabalhar a diversidade nacional, a regionalização da programação. O grande trunfo da TV Brasil foi a rede pública ter aderido à rede nacional.
[ Zé Dirceu ] Todas aderiram?
[ Grassi ] Todas, menos São Paulo e Rio Grande do Sul. Mas os demais Estados sim. Inclusive, educativas e universitárias. Isso foi muito importante. Hoje a EBC trabalha num formato muito interessante. Você tem em rede 10 horas de programação, sendo 4 de programação regional. O cara em São Paulo pode ver a programação de Pernambuco. Essa é a regionalização que tanto falamos. Um avanço fantástico. Só que temos dificuldade para divulgar isso, para que percebam a importância desse momento. Além disso, nestas questões políticas, temos que lutar contra o estigma e dizer: "Não é a TV do Lula, nem do governo. É a TV do Brasil".
Movimento estudantil,
o teatro como instrumento.
[ Zé Dirceu ] Arte e política se misturam? Como você concilia seu trabalho de ator com sua luta pela arte no país?
[ Grassi ] Há uma história de vida pessoal. O que me levou ao teatro não foi a atividade artística em si. Eu comecei no colégio estadual central em Belo Horizonte, em um grupo secundarista naquela época muito importante com vários companheiros. Dilma [Rousseff] e [Fernando] Pimentel passaram por lá. Naquele momento da discussão política, do movimento estudantil mesmo, o teatro era um instrumento. Havia muito daquela história que o Plínio Marcos dizia “o teatro é uma tribuna livre onde vão se debater os problemas do homem”.
Então, víamos o teatro como essa ferramenta, mais do que a questão artística propriamente dita. Ali tivemos contato com os demais movimentos. Minha opção pelo teatro, portanto, nunca esteve desvinculada do pensamento político. E a partir daí, todas as afinidades começaram a acontecer com as pessoas que tinham essa preocupação política. Eu fiz teatro independente naquela época. Com o pessoal do Asdrúbal Trouxe o Trombone, do Cacá Rosset, do Paulo Betti. Começamos com esse teatro mais político, de cooperativa. Nós éramos os produtores do nosso trabalho. Então, para mim, arte e política sempre estiveram juntas. É difícil desvincular uma coisa da outra.
[ Zé Dirceu ] E sobre seu trabalho, quais as angústias e satisfações de ser um ator reconhecido em todo o Brasil? Para as novas gerações, existe uma formação profissional à altura da demanda requerida hoje?
[ Grassi ] Nós todos vivemos uma tragédia nesta questão da sobrevivência profissional. Eu, por exemplo, comecei a fazer teatro em Minas, depois me profissionalizei. Mas havia uma coisa naquele tempo: nós tínhamos a TV como uma área pela qual jamais nos interessaríamos. Quando comecei a fazer teatro, naquele tempo, os atores de TV eram por nós considerados “menores”. Havia atores de teatro que falavam temas relevantes e os de TV que nós considerávamos "menores". Durante muito tempo, era muito bom saber que a Fernanda Montenegro e o Paulo Autran se recusavam a fazer novelas de televisão. Mas, em determinado momento, ligamos a TV e estava lá a Fernanda jogando torta na cara do Paulo! A situação tinha mudado, era outra.
Ao entrarmos na TV, nós quebramos o preconceito que a minha geração tinha em relação a ela. Isso nos inseriu num outro mundo em que tivemos que nos adaptar. Acredito que a geração que vem agora tem uma possibilidade mais ampla de atuação, fora dessa coisa limitada “só pela telenovela”. Hoje, vemos atores com outra formação. Agora, não poderemos avançar mais nisso se não tivermos um avanço também nas outras formas de arte.
[ Zé Dirceu ] Você fala do cinema e eu percebo um renascimento, um crescimento, não só na qualidade, mas na quantidade da produção. E no teatro?
[ Grassi ] O teatro é diferente porque ele tem uma situação muito complicada. A relação dele com a Lei Rouanet é muito perversa. O teatro criou um formato que distanciou o público. Aquela relação viva do teatro de terça a domingo acabou. Hoje só de sexta a domingo, como eu disse anteriormente. E as contas que fazíamos para a manutenção do espetáculo não existem mais. Quando você manda um projeto de teatro para capta patrocínio pela Lei Rouanet, tem que computar a produção e a manutenção, porque a bilheteria não sustenta as duas.
A quantidade de 12 espetáculo que temos por mês – 3 por semana – equivale ao mesmo custo de 48 espetáculos mensais, porque os técnicos são contratados por mês, iluminação etc. Então, o que acontece? Redução da equipe técnica, produção de uma quantidade imensa de monólogos ou peças com menos atores. Raramente temos produções com muita gente em cena.
As produções dos musicais americanos são outra realidade. Elas têm um patrocínio forte e um outro tipo de apelo. Veja que os próprios teatros foram incorporando em o patrocinador a seus nomes, Teatro Alfa, Bradesco etc. Com isso perdemos mesmo a relação viva do teatro que é hoje muito difícil e delicada.
A chiadeira em relação da Lei Rouanet, no caso do teatro é dramática, porque você tira a possibilidade dos 100% de abatimento fiscal. Aí, a possibilidade concreta de não haver nenhum patrocinador é muito grande. Principalmente, porque pela lei do audiovisual há a possibilidade desse cara ter 125% de abatimento. Então, você oferece ao patrocinador sua peça, mas ele tem 125% pela Lei do Audivisual, e pelo teatro apenas 70%. O cara, obviamente, vai para a Lei do Audiovisual. Essa relação é dura.
Por isso eu vou repetir pela terceira vez o mote: se não tiver o vinculo com a educação... Só ele pode ser a salvação do teatro para que tenhamos uma formação de platéia, um público que pode gostar de ver aquilo ao vivo, sem ser gravado.
“Romeu e Julieta não se adia nunca”
[ Zé Dirceu ] E os Centros de Educação Unificada (CEUs) implantados pela prefeita do PT, Marta Suplicy em São Paulo?
[ Grassi ] O princípio dos CEUs é muito legal porque você vincula a manifestação artística à educação. Para mim, esta é a única saída, até mesmo para não existir a competição com as outras áreas.
Eu sempre conto da minha primeira experiência como gestor na Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro. Quando entramos no governo, minha primeira reunião foi para discutir a programação do Teatro Municipal. Ela estava anunciada, toda vendida, assinantes todos prontos. Essa primeira reunião foi para discutir a programação do ballet Romeu e Julieta, sob a regência do grande Rostropovich e coreografia do Vassiliev (do Bolshoi). Maestro e coreografia russos, ballet e orquestra do Municipal. Então, a produtora fala: "todos os artistas internacionais abandonarão o projeto caso não recebam a parcela contratual, precisamos pagar a primeira parcela!" Era uma coisa absurda, R$ 2 milhões.
Lá fui eu para o nosso secretário de Fazenda. Foi essa minha estréia como gestor público. Cheguei na ante sala e estavam os secretários da Educação e da Segurança conversando, agoniados com suas questões. Ouvi do secretário de segurança que ele precisava de munição para a polícia subir o morro - era o período do Elias Maluco. A da educação levantou a questão da merenda escolar. Quando os dois olharam para mim para perguntar qual o motivo que tinha me levado até lá, eu não tive coragem de falar. Voltei para o Municipal e pensei "caramba, como vou falar que quero dinheiro para o Romeu e Julieta diante dessas circunstâncias?" Aí, chego no teatro e ouço da produtora: “Mas a estréia é mais urgente, secretário! A merenda e a munição você adia. Uma estréia como essa, do Romeu e Julieta, não se adia nunca...”
Esse é um exemplo. Na realidade a gente não tem impregnado nas questões da política pública a transversalidade. Hoje, eu vejo que na questão da UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora) no Rio, a presença da cultura é fundamental. Se você não trabalhar em conjunto a área da cultura, ela fica como pedinte das demais cujas causas são mais urgentes. No Rio, tivemos aquele desastre que foi a Cidade da Música, um elefante branco do César Maia, inaugurado sem acabar! Um dinheiro enorme gasto numa obra parada que seria hoje muito significativa para a cultura nacional, na cidade do Rio.
As primeiras contestações a esse projeto eram “por que não se investiu em hospital, em escolas? Concordo, mas aquele investimento foi feito para aquilo e tinha que ser terminado.
[ Zé Dirceu ] Em relação ao ticket cultura, isso vai pegar?
[ Grassi ] Essa é uma das estratégias importantes para trabalharmos a distribuição, porque ela inverte a relação. Se você me perguntar: "como produtor, você prefere que eu te dê 1 milhão para a produção da sua peça ou 200 mil pessoas? Eu prefiro 200 mil pessoas. Quero público. Essa é a questão, porque o patrimônio não pode ser a sua produção, mas o seu público. E o vale cultura investe nessa relação.
[ Zé Dirceu ] Grassi, para finalizarmos, qual a perspectiva do artista hoje em relação às novas mídias. Elas são aliadas, concorrentes, já estão ou vão potencializar o trabalho artístico-cultural?
[ Grassi ] Elas são complementares. Temos que tomar posse dessas novas tecnologias e aprender a trabalhar com cada uma de suas linguagens. Acredito que assim como o cinema aprendeu com a televisão - que tem um caminho e uma linguagem próprios - as novas mídias trazem um desafio. Esse é um processo que teremos que somar e aprender a lidar com ele. Mas, no geral, avalio que os artistas estão lidando bem com elas.
---- extraída, autorizadamente, do Blog do Zé Dirceu em 02/11/10, cujo endereço é: http://www.zedirceu.com.br/
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
DILMA É GARANTIA PARA O POVO, por Coletivo Brasil 3000
DILMA É GARANTIA PARA O POVO
Reconstruindo o Brasil com o seu voto.
1) Um compromisso - Dilma é mais que uma candidatura. É compromisso de todos e de cada um em aprofundar o rompimento com a forma de fazer política dos governos conservadores anteriores ao Lula (tucanos neoliberais ou democratas carcomidos). Que ao longo da nossa história, por incompetência ou pura conveniência, nada fizeram para reverter este quadro de constante crise social, falta de desenvolvimento, descaso com a educação e saúde e outras tantas situações calamitosas com as quais convivíamos até a nos parecerem inevitáveis. A eleição de Dilma representa o aprofundamento de uma democracia real e efetiva em nosso país, centrada nos interesses da maioria do povo brasileiro. Os trabalhadores, maioria do povo brasileiro, nunca foram parte, como sujeitos, do discurso conservador. Pelo contrário, repetidamente, os conservadores desqualificam a competência política dos trabalhadores. Mais um blefe desmentido, na prática, pelo Governo Lula.
2) Com o povo - Dilma, com sua experiência, política e administrativa, já demonstrada durante o Governo do Presidente Lula, será a garantia de continuidade e aprimoramento do desenvolvimento econômico, político e social que estamos vivendo. Que é fruto da nova direção dada ao Estado Brasileiro, agora, de fato, voltado para a totalidade de seu povo e, não, apenas para a “elite” de sempre, predadora e insensível. Graças à preocupação com o social, que sempre orientou esse Governo cuja continuação Dilma representa, entre tantos outros aspectos favoráveis, uma parcela enorme de nosso povo foi retirada da situação de miséria quase absoluta e outra não menos significativa saiu do patamar da pobreza. Cresceu o emprego com carteira assinada, surgiu movimento cultural preocupado com os dramas e alegrias do Brasil, iniciou-se política internacional independente, solidária, rompendo com tradição conservadora de olhar o mundo, e se portarem diante dele, como devedores subalternos, em tudo, das nações do primeiro mundo.
3) O petróleo é nosso - Torna-se evidente que esta eleição envolve mais do que a escolha presidencial. Está em jogo, diante da já sabida ameaça de crise energética mundial, a questão da exploração da reserva petrolífera do pré-sal, alvo notório de interesses internacionais. A ninguém é dado desconhecer que a descoberta dessa imensa riqueza deveu-se exclusivamente ao esforço do povo brasileiro, através da nossa Petrobrás. Empresa que, caso houvesse vingado a política entreguista e de desmantelamento do Estado, patrocinada pelos conservadores (“democratas” e tucanos), não mais existiria ou não existiria para nós. Mídia brasileira e norte-americana se somam para repor no governo os mesmos que, a mando de fora, privatizaram, sem necessidade, setores, estratégicos, da nossa economia, como a telefonia, a energia elétrica, a petroquímica, a siderurgia, a mineração, portos e ferrovias etc. Enfraquecendo o Estado, reconhecidamente, o único mecanismo de que, de fato, se dispõe, não só aqui, como no mundo, para promover o desenvolvimento dos povos. Passamos ao largo da crise imobiliária e de ativos, que vem balançando o globo, quase que exclusivamente pela restante capacidade de investimento que nos sobrou da sanha privatista dos neoconservadores (Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e do BNDS)
4) Brava gente brasileira - Dilma significa a retomada do Brasil, para seu povo, processo iniciado pela bravura e compromisso do governo popular de Lula e dos partidos progressistas que o apóiam. Eleger Dilma é garantir que é passado a política conservadora que, com sua arrogância, quase quebrou o Brasil. José Serra seria uma sucessão de FHC, como Dilma, será a de Lula. Se José Serra, participante ativo, ministro do primeiro escalão, nunca fez nem esboçou a menor vontade de fazer o que promete fazer agora, por que haveria de fazer depois de eleito? O que se vê da parte de José Serra é apenas uma tentativa de passar um atestado de bobo para o povo brasileiro. Ele esconde a sua participação e responsabilidade no catastrófico governo FHC e não consegue mostrar algo positivo em seu recente Governo de São Paulo. Pelo contrário, o que se vê, em São Paulo, é a manutenção e o agravamento, sob o seu governo, de problemas crônicos e repetitivos nesse grandioso Estado da Federação (enchentes, insegurança pública, ensino público abandonado etc).
5) Olho vivo - Dilma é a garantia que o povo brasileiro, que os trabalhadores brasileiros, continuarão conduzindo a transformação do Brasil, não deixando que o país volte às mãos daqueles que tudo fizeram para que esta transformação nunca ocorresse. Um governo Dilma é a consolidação da derrota da forma conservadora de fazer política. Que não vacila em lançar mão cada vez mais até mesmo da pura e simples difamação dos candidatos progressistas. Gente que, no governo FHC, tão recheado de denúncias, nunca se mexeu no sentido da apuração e tudo fez para que ela não acontecesse. E que, agora, destorcem os fatos, pisam a verdade e vão contra a própria realidade. Felizmente, uma realidade nova, muito diferente daquela que nos legaram. Qual? Não custa e é sempre bom lembrar: a do imenso desemprego, a da economia atirada na informalidade e, por conseguinte, na insegurança de todos, a das lojas e indústrias fechadas, a da violência galopante, a dos poucos trabalhadores mantidos em seus postos de trabalho totalmente intimidados. Por isso, eleitor, é que precisamos eleger Dilma, é que seu voto é importante. Com Dilma, adiante!
ColetivoBrasil3000
Reconstruindo o Brasil com o seu voto.
1) Um compromisso - Dilma é mais que uma candidatura. É compromisso de todos e de cada um em aprofundar o rompimento com a forma de fazer política dos governos conservadores anteriores ao Lula (tucanos neoliberais ou democratas carcomidos). Que ao longo da nossa história, por incompetência ou pura conveniência, nada fizeram para reverter este quadro de constante crise social, falta de desenvolvimento, descaso com a educação e saúde e outras tantas situações calamitosas com as quais convivíamos até a nos parecerem inevitáveis. A eleição de Dilma representa o aprofundamento de uma democracia real e efetiva em nosso país, centrada nos interesses da maioria do povo brasileiro. Os trabalhadores, maioria do povo brasileiro, nunca foram parte, como sujeitos, do discurso conservador. Pelo contrário, repetidamente, os conservadores desqualificam a competência política dos trabalhadores. Mais um blefe desmentido, na prática, pelo Governo Lula.
2) Com o povo - Dilma, com sua experiência, política e administrativa, já demonstrada durante o Governo do Presidente Lula, será a garantia de continuidade e aprimoramento do desenvolvimento econômico, político e social que estamos vivendo. Que é fruto da nova direção dada ao Estado Brasileiro, agora, de fato, voltado para a totalidade de seu povo e, não, apenas para a “elite” de sempre, predadora e insensível. Graças à preocupação com o social, que sempre orientou esse Governo cuja continuação Dilma representa, entre tantos outros aspectos favoráveis, uma parcela enorme de nosso povo foi retirada da situação de miséria quase absoluta e outra não menos significativa saiu do patamar da pobreza. Cresceu o emprego com carteira assinada, surgiu movimento cultural preocupado com os dramas e alegrias do Brasil, iniciou-se política internacional independente, solidária, rompendo com tradição conservadora de olhar o mundo, e se portarem diante dele, como devedores subalternos, em tudo, das nações do primeiro mundo.
3) O petróleo é nosso - Torna-se evidente que esta eleição envolve mais do que a escolha presidencial. Está em jogo, diante da já sabida ameaça de crise energética mundial, a questão da exploração da reserva petrolífera do pré-sal, alvo notório de interesses internacionais. A ninguém é dado desconhecer que a descoberta dessa imensa riqueza deveu-se exclusivamente ao esforço do povo brasileiro, através da nossa Petrobrás. Empresa que, caso houvesse vingado a política entreguista e de desmantelamento do Estado, patrocinada pelos conservadores (“democratas” e tucanos), não mais existiria ou não existiria para nós. Mídia brasileira e norte-americana se somam para repor no governo os mesmos que, a mando de fora, privatizaram, sem necessidade, setores, estratégicos, da nossa economia, como a telefonia, a energia elétrica, a petroquímica, a siderurgia, a mineração, portos e ferrovias etc. Enfraquecendo o Estado, reconhecidamente, o único mecanismo de que, de fato, se dispõe, não só aqui, como no mundo, para promover o desenvolvimento dos povos. Passamos ao largo da crise imobiliária e de ativos, que vem balançando o globo, quase que exclusivamente pela restante capacidade de investimento que nos sobrou da sanha privatista dos neoconservadores (Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e do BNDS)
4) Brava gente brasileira - Dilma significa a retomada do Brasil, para seu povo, processo iniciado pela bravura e compromisso do governo popular de Lula e dos partidos progressistas que o apóiam. Eleger Dilma é garantir que é passado a política conservadora que, com sua arrogância, quase quebrou o Brasil. José Serra seria uma sucessão de FHC, como Dilma, será a de Lula. Se José Serra, participante ativo, ministro do primeiro escalão, nunca fez nem esboçou a menor vontade de fazer o que promete fazer agora, por que haveria de fazer depois de eleito? O que se vê da parte de José Serra é apenas uma tentativa de passar um atestado de bobo para o povo brasileiro. Ele esconde a sua participação e responsabilidade no catastrófico governo FHC e não consegue mostrar algo positivo em seu recente Governo de São Paulo. Pelo contrário, o que se vê, em São Paulo, é a manutenção e o agravamento, sob o seu governo, de problemas crônicos e repetitivos nesse grandioso Estado da Federação (enchentes, insegurança pública, ensino público abandonado etc).
5) Olho vivo - Dilma é a garantia que o povo brasileiro, que os trabalhadores brasileiros, continuarão conduzindo a transformação do Brasil, não deixando que o país volte às mãos daqueles que tudo fizeram para que esta transformação nunca ocorresse. Um governo Dilma é a consolidação da derrota da forma conservadora de fazer política. Que não vacila em lançar mão cada vez mais até mesmo da pura e simples difamação dos candidatos progressistas. Gente que, no governo FHC, tão recheado de denúncias, nunca se mexeu no sentido da apuração e tudo fez para que ela não acontecesse. E que, agora, destorcem os fatos, pisam a verdade e vão contra a própria realidade. Felizmente, uma realidade nova, muito diferente daquela que nos legaram. Qual? Não custa e é sempre bom lembrar: a do imenso desemprego, a da economia atirada na informalidade e, por conseguinte, na insegurança de todos, a das lojas e indústrias fechadas, a da violência galopante, a dos poucos trabalhadores mantidos em seus postos de trabalho totalmente intimidados. Por isso, eleitor, é que precisamos eleger Dilma, é que seu voto é importante. Com Dilma, adiante!
ColetivoBrasil3000
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Manifesto dos Sambistas, Chorões e Foliões do Rio em Apoio à Candidata Dilma
Rio, 24 de Outubro de 2010
Nós, sambistas, músicos e foliões dos blocos de carnaval de rua do Rio, vimos a público divulgar o nosso apoio à candidatura de Dilma no 2º turno das eleições presidenciais.
Avaliamos que, nos oito últimos anos, houve avanços substanciais nas políticas públicas do país priorizando aqueles que mais precisam de um estado forte na economia, na educação, na cultura, no dia a dia de milhões de brasileiros e brasileiras que passaram a poder sonhar com um futuro melhor.
Por isso vamos votar em Dilma no próximo dia 31 de outubro, dizer um sonoro não ao atraso, a “privataria” do PSDB/ DEM, e eleger a primeira mulher presidente do Brasil. É Dilma, é 13!
É o samba, o choro e a cultura popular carioca e nacional, ajudando a mudar o país!
Nossos Bambas:
- Martinho da Vila
- Wilson Moreira
- Monarco
- Nelson Sargento
- Delcio Carvalho
- Gisa Nogueira
- Noca da Portela
- Tantinho da Mangueira
- Moacyr Luz
- Paulão Sete Cordas
- Zé da Velha
- Silvério Pontes
- Cláudio Jorge
- Wanderley Monteiro
Foliões do carnaval de Rua do Rio:
- Pedro Ernesto: Presidente do Cordão da Bola Preta
- Angela e Didu Nogueira: Clube do Samba
- Nelson Rodrigues Filho: Bloco do Barbas
- Beto Bastos: Nem Muda Nem Sai de Cima
- Dodô Brandão: Simpatia é Quase Amor
- Simone Pinho e Mauro Delgado: Barangal
- Alfredinho Melo: Bloco do Bip Bip
- PC: Banda da Bolivar
- Evelin Sussekind: Bloco de Segunda
- André Diniz: Escritor e folião de todos os Blocos
- Alipio Carmo e Guilherme Sá: Eu, Você e Sua Mãe
- Sergio Rosa: Eu Sou Eu, Jacaré é Bicho d´Água
- Cláudio Cruz: Embaixadores da Folia
- Zé Paulo: Urubuzada
- Lucio Sanfilippo: Cantor
- José Maria Braga: grupo Galo Preto
- Rodrigo Carvalho: grupo Galo Cantô
Nós, sambistas, músicos e foliões dos blocos de carnaval de rua do Rio, vimos a público divulgar o nosso apoio à candidatura de Dilma no 2º turno das eleições presidenciais.
Avaliamos que, nos oito últimos anos, houve avanços substanciais nas políticas públicas do país priorizando aqueles que mais precisam de um estado forte na economia, na educação, na cultura, no dia a dia de milhões de brasileiros e brasileiras que passaram a poder sonhar com um futuro melhor.
Por isso vamos votar em Dilma no próximo dia 31 de outubro, dizer um sonoro não ao atraso, a “privataria” do PSDB/ DEM, e eleger a primeira mulher presidente do Brasil. É Dilma, é 13!
É o samba, o choro e a cultura popular carioca e nacional, ajudando a mudar o país!
Nossos Bambas:
- Martinho da Vila
- Wilson Moreira
- Monarco
- Nelson Sargento
- Delcio Carvalho
- Gisa Nogueira
- Noca da Portela
- Tantinho da Mangueira
- Moacyr Luz
- Paulão Sete Cordas
- Zé da Velha
- Silvério Pontes
- Cláudio Jorge
- Wanderley Monteiro
Foliões do carnaval de Rua do Rio:
- Pedro Ernesto: Presidente do Cordão da Bola Preta
- Angela e Didu Nogueira: Clube do Samba
- Nelson Rodrigues Filho: Bloco do Barbas
- Beto Bastos: Nem Muda Nem Sai de Cima
- Dodô Brandão: Simpatia é Quase Amor
- Simone Pinho e Mauro Delgado: Barangal
- Alfredinho Melo: Bloco do Bip Bip
- PC: Banda da Bolivar
- Evelin Sussekind: Bloco de Segunda
- André Diniz: Escritor e folião de todos os Blocos
- Alipio Carmo e Guilherme Sá: Eu, Você e Sua Mãe
- Sergio Rosa: Eu Sou Eu, Jacaré é Bicho d´Água
- Cláudio Cruz: Embaixadores da Folia
- Zé Paulo: Urubuzada
- Lucio Sanfilippo: Cantor
- José Maria Braga: grupo Galo Preto
- Rodrigo Carvalho: grupo Galo Cantô
terça-feira, 19 de outubro de 2010
O caluniador, figura da barbárie, por Juarez Guimarães
Juarez Guimarães 15 de outubro de 2010 às 16:00h
De todas as eleições presidenciais realizadas após a redemocratização, esta é certamente aquela que a calúnia cumpre um papel mais central na definição do voto. Ela foi utilizada em um momento decisivo por Collor contra Lula, compareceu sempre todas as vezes nas quais Lula foi candidato mas agora ela mudou de intensidade e abrangência, tornou-se multiforme e onipresente.
A calúnia foi ao centro da nossa vida democrática. A senhora ao lado no ônibus me diz que recebeu a informação que Dilma desafiou Jesus Cristo em um comício realizado na Praça da Estação, em Belo Horizonte. O motorista de táxi conta que um médico lhe assegurou que um outro médico, seu amigo, diagnosticou gonorréia em Dilma.
Um e-mail recebido traz documento do TSE impugnando a candidatura de Dilma por ter “ficha suja”. Um aluno me diz ter recebido carta em casa da Regional 1 da CNBB, contendo mensagem para não votar em Dilma por ser contra a vida. Um comerciante na papelaria me diz que “não vota em bandida”. Após divulgar o resultado da primeira pesquisa Sensus/CNT para o segundo turno, o sociólogo Ricardo Guedes, afirmou que “nessa eleição, principalmente no final do primeiro turno, temos um fenômeno sociológico de natureza cultural de desconstrução de imagem. O processo de difamação, até certo ponto, pegou.” Quem conhece alguém que não recebeu uma calúnia contra Dilma ?
Houve uma mudança nos meios: a internet permite o anonimato e a profusão da calúnia. A Igreja brasileira, sob a pressão de mais de duas décadas de Ratzinger, tornou-se mais conservadora na sua cúpula e mobiliza hoje uma mensagem de ultra-direita, como não se via desde 1964. A mídia empresarial brasileira, já se sabia, vinha trilhando o seu caminho de partidarização e difamação pública, no qual até o direito de resposta tornou-se um crime contra a liberdade de expressão. Mas tudo isso não havia encontrado ainda o seu ponto de fusão: agora, sim.
O que está ocorrendo aos nossos olhos não pode ser banalizado. O caluniador é uma figura da barbárie, o sinistro que mobiliza o submundo dos preconceitos, dos ódios e dos fanatismos. A calúnia traz a violência para o centro da cena pública, pronunciando a morte pública de uma pessoa, sem direito à defesa. Perante a calúnia não há diálogo, direitos ou tribunais isentos. Na dúvida, contra o “réu”: a suspeição atirada sobre ele, visa torná-lo impotente pois já, de partida, a humanidade lhe foi negada.
Mas quem é o caluniador, essa figura de mil caras e rosto nenhum? É preciso dizer alto e bom som, em público, o seu nome, antes que seja tarde: o nome do caluniador é hoje a candidatura José Serra! Friso a candidatura porque não quero exatamente negar a humanidade de quem calunia. É o que fez, com a coragem que lhe é própria, a companheira Dilma Roussef no primeiro debate do segundo turno, apontando o nome de uma caluniadora – a mulher de Serra – e chamando o próprio de o “homem das mil caras”.
Dia a dia, de forma crescente e orquestrada, a calúnia foi indo ao centro de sua campanha, de sua mensagem, de sua fala, de sua identidade proclamada, de seus aliados midiáticos, de parceiros fanáticos (TFP) ou escabrosos (nazistas de Brasília), de sua estratégia eleitoral e de seu cálculo. “Homem do bem” contra a “candidata do mal”? Homem de uma “palavra só” contra a “mulher de duas caras”? Político “ficha limpa” contra a “candidata ficha suja”? Protetor dos fetos e dos ofendidos (como mostra a imagem na TV) contra aquela que “assassina criancinhas”, como disse publicamente sua mulher? Homem público contra a “mulher das sombras”?
O que está se passando mesmo aqui e agora na jovem democracia brasileira? Que arco é este que vai da TFP a Caetano Veloso, quem , quase em uníssomo ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, chamou o presidente Lula de analfabeto e ignorante já no início deste ano? Afinal, que cruzada é esta e qual a sua força ?
O que está ocorrendo aqui e agora é uma aliança dirigida por um liberal conservador com o fanático religioso e com o proto-fascista. Cada uma dessas figuras – que sustentam o lugar comum da calúnia – precisa ser entendida em sua própria identidade e voz. A democracia brasileira ainda é o lugar da razão, do sentimento e da dignidade do público: por isso, defender a candidatura Dilma Roussef é hoje assumir a causa que não pode ser perdida.
Liberalismo conservador: o criador e sua criatura – Nunca como agora em que esconde ou quase não mostra a imagem de Fernando Henrique Cardoso, Serra foi tão criatura de seu mestre intelectual. É dele que vem o discurso e a narrativa que, ao mesmo tempo, dá a senha e liga toda a cruzada da direita brasileira.
A noção de que o PT e seu governo ameaçam a liberdade dos brasileiros pois instrumentalizam o Estado, fazem reviver a “República sindical”, formam gangues de corrupção e ameaçam a liberdade de expressão não deixa de ser uma evocação da vertente lacerdista da velha UDN. Mas certamente não é uma doutrina local.
A cartilha do liberal-conservador Fernando Henrique Cardoso é um autor chamado Isaiah Berlin, autor de um famoso ensaio “Dois conceitos de liberdade” e do livro “A traição da liberdade. Seis inimigos da liberdade humana”. Neste ensaio e neste livro, define-se a liberdade como “liberdade negativa”, isto é aquele espaço que não é regulado pelas leis ou pelo Estado contraposto à noção de “liberdade positiva”. Quanto menos Estado, mais liberdade; quanto mais Estado, menos liberdade. Ao confundir liberdade com autonomia, ao vincular liberdade aos ideais de justiça ou de interesse comum, republicanos, sociais-democratas, liberais cívicos e, é claro, socialistas, trairiam a própria idéia de liberdade.
É por este conceito e seus desdobramentos que Fernando Henrique mobiliza o clamor midiático contra o PT e o governo Lula. É este conceito que estrutura também o discurso de Serra, que acusa o governo Lula de ser proto-totalitário. É evidente que o conceito não é passado de forma iluminista: a mídia brasileira tornou-se uma verdadeira artista na criação das mediações de opinião, imagem e notícia que se centralizam, em última instância, neste conceito. Daí ele dialoga com o senso comum.
Seja dito em favor de Fernando Henrique Cardoso: é o lado mais sombrio de seu liberalismo que vem à tona agora, na cena agônica, quando o candidato que representa a sua herança ameaça perder pela última vez. Pois este liberalismo sempre foi de viés cosmopolita, atento em seu diálogo com os democratas norte-americanos e aos “filósofos da Terceira Via”, a certos direitos inscritos na pauta, como aqueles da liberdade sexual, do direito ao aborto legal, dos gays, dos negros, da vida cultural. Mas agora para fazer a ponte com o fanatismo religioso, ele resolveu descer aos infernos: nada sobrou de progressista na candidatura Serra, das ameaças à Bolívia à moral sexual de Ratzinger?
O liberal conservador não é o fanático religioso nem o proto-fascista, aquele que julga que a melhor maneira de dissuadir o adversário é simplesmente eliminá-lo. Mas dialoga com eles na causa comum de derrotar os “proto-totalitários” de esquerda”. Como disse bem, Jean Fabien Spitz, autor de “ O conceito de liberdade”, os ensaios de Berlin trazem o sentido e a tonalidade da época da “guerra fria”.
O fanático religioso: os frutos de Ratzinger – Se a social-democracia, o republicanismo e o socialismo são os inimigos de Berlin, a Modernidade em um sentido amplo é o inimigo central do ex-cardeal Ratzinger. O programa político- teológico que veio construindo a ferro e fogo nestas últimas três décadas é centrado na idéia que é preciso restaurar a dogmática da fé contra os efeitos dissolutivos da moral emancipadora, da racionalização científica e da secularização. Este discurso político, que se fecha no fundamentalismo religioso, como bem denunciou Leonardo Boff, é, na verdade, um discurso de poder, de recentramento do poder do Vaticano.
Neste programa, não é apenas a esquerda enquanto topografia política que é o inimigo mas principalmente o processo de emancipação das mulheres. Entre a “Eva pecadora” e a “Maria mãe de Deus” não há outra identidade possível às mulheres.
A dimensão fundamentalista desde discurso não reconhece o direito do pluralismo na política, nem mesmo na linha do “consenso sobreposto” proposto por John Rawls ( a possibilidade de convergências sobre direitos, partido de um pluralismo de fundamentos). Ou se concorda ou se é proscrito, ex-comungado ou desqualificado.
É essa idéia força, que veio ganhando terreno na hierarquia do clero brasileiro a partir das perseguições à Teologia da Libertação, que agora irrompe na política brasileira, difamando Dilma Roussef. A calúnia é conveniente ao fundamentalista religioso: nesta visão de mundo, não há luz e sombra, não há e não pode haver semi-tons: quando Serra proclamou que o “direito ao aborto no Brasil seria uma carnificina”, ele estava dando a senha para a campanha difamatória da direita católica e evangélica.
O proto-fascista e seus privilégios – Todo processo político e social de democratização e de inclusão tão amplo como o que está se vivendo no Brasil provoca reações de resistência e regressão política à sua volta. Mas este também não é um fenômeno apenas brasileiro: observa-se à volta de nós fenômenos e operações muito típicas daquelas que estão sendo promovidas pela direita republicana norte-americana contra Obama ou que percorrem quase todo o continente europeu em torno ao tema dos imigrantes.
O proto-fascista brasileira não veste camisa preta nem usa suástica no braço ( embora, é claro, ninguém duvide, redes simbolicamente ostensivas estão em ação), nem precisa ser sociologicamente configurado como “lumpen proletariado” ou “pequeno burguesia vacilante”, para lembrar as figuras de uma linguagem simplificadora. O proto-fascista brasileiro é aquele que não quer receber em sua casa comum – a democracia brasileira – estes que não que reconhecem mais o seu antigo lugar, os pobres e os negros.
Há uma violência inaudita no ato do jornal liberal “O Estado de São Paulo” em punir com a demissão Maria Rita Kehl, por escrever um artigo em prol da dignidade dos pobres. Esta violência, que está muito distante do proclamado pluralismo mesmo restrito de alguns liberais, cheira a proto-fascismo, este ato que pretende abolir as razões públicas dos pobres simplesmente negando dignidade a eles.
A força da liberdade que hoje mora no coração dos brasileiros, os braços abertos do Cristo Redentor e o que há de imaginação e magnífica pulsão de vida na cultura popular dos brasileiros são os verdadeiros antídotos contra as figuras do ódio do caluniador.Por detrás da sua máscara, o povo brasileiro há de reconhecer os centenários adversários de seus direitos.
Diante do caluniador, somos todos hoje Dilma Roussef!
(http://www.cartacapital.com.br/politica/o-caluniador-figura-da-barbarie)
De todas as eleições presidenciais realizadas após a redemocratização, esta é certamente aquela que a calúnia cumpre um papel mais central na definição do voto. Ela foi utilizada em um momento decisivo por Collor contra Lula, compareceu sempre todas as vezes nas quais Lula foi candidato mas agora ela mudou de intensidade e abrangência, tornou-se multiforme e onipresente.
A calúnia foi ao centro da nossa vida democrática. A senhora ao lado no ônibus me diz que recebeu a informação que Dilma desafiou Jesus Cristo em um comício realizado na Praça da Estação, em Belo Horizonte. O motorista de táxi conta que um médico lhe assegurou que um outro médico, seu amigo, diagnosticou gonorréia em Dilma.
Um e-mail recebido traz documento do TSE impugnando a candidatura de Dilma por ter “ficha suja”. Um aluno me diz ter recebido carta em casa da Regional 1 da CNBB, contendo mensagem para não votar em Dilma por ser contra a vida. Um comerciante na papelaria me diz que “não vota em bandida”. Após divulgar o resultado da primeira pesquisa Sensus/CNT para o segundo turno, o sociólogo Ricardo Guedes, afirmou que “nessa eleição, principalmente no final do primeiro turno, temos um fenômeno sociológico de natureza cultural de desconstrução de imagem. O processo de difamação, até certo ponto, pegou.” Quem conhece alguém que não recebeu uma calúnia contra Dilma ?
Houve uma mudança nos meios: a internet permite o anonimato e a profusão da calúnia. A Igreja brasileira, sob a pressão de mais de duas décadas de Ratzinger, tornou-se mais conservadora na sua cúpula e mobiliza hoje uma mensagem de ultra-direita, como não se via desde 1964. A mídia empresarial brasileira, já se sabia, vinha trilhando o seu caminho de partidarização e difamação pública, no qual até o direito de resposta tornou-se um crime contra a liberdade de expressão. Mas tudo isso não havia encontrado ainda o seu ponto de fusão: agora, sim.
O que está ocorrendo aos nossos olhos não pode ser banalizado. O caluniador é uma figura da barbárie, o sinistro que mobiliza o submundo dos preconceitos, dos ódios e dos fanatismos. A calúnia traz a violência para o centro da cena pública, pronunciando a morte pública de uma pessoa, sem direito à defesa. Perante a calúnia não há diálogo, direitos ou tribunais isentos. Na dúvida, contra o “réu”: a suspeição atirada sobre ele, visa torná-lo impotente pois já, de partida, a humanidade lhe foi negada.
Mas quem é o caluniador, essa figura de mil caras e rosto nenhum? É preciso dizer alto e bom som, em público, o seu nome, antes que seja tarde: o nome do caluniador é hoje a candidatura José Serra! Friso a candidatura porque não quero exatamente negar a humanidade de quem calunia. É o que fez, com a coragem que lhe é própria, a companheira Dilma Roussef no primeiro debate do segundo turno, apontando o nome de uma caluniadora – a mulher de Serra – e chamando o próprio de o “homem das mil caras”.
Dia a dia, de forma crescente e orquestrada, a calúnia foi indo ao centro de sua campanha, de sua mensagem, de sua fala, de sua identidade proclamada, de seus aliados midiáticos, de parceiros fanáticos (TFP) ou escabrosos (nazistas de Brasília), de sua estratégia eleitoral e de seu cálculo. “Homem do bem” contra a “candidata do mal”? Homem de uma “palavra só” contra a “mulher de duas caras”? Político “ficha limpa” contra a “candidata ficha suja”? Protetor dos fetos e dos ofendidos (como mostra a imagem na TV) contra aquela que “assassina criancinhas”, como disse publicamente sua mulher? Homem público contra a “mulher das sombras”?
O que está se passando mesmo aqui e agora na jovem democracia brasileira? Que arco é este que vai da TFP a Caetano Veloso, quem , quase em uníssomo ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, chamou o presidente Lula de analfabeto e ignorante já no início deste ano? Afinal, que cruzada é esta e qual a sua força ?
O que está ocorrendo aqui e agora é uma aliança dirigida por um liberal conservador com o fanático religioso e com o proto-fascista. Cada uma dessas figuras – que sustentam o lugar comum da calúnia – precisa ser entendida em sua própria identidade e voz. A democracia brasileira ainda é o lugar da razão, do sentimento e da dignidade do público: por isso, defender a candidatura Dilma Roussef é hoje assumir a causa que não pode ser perdida.
Liberalismo conservador: o criador e sua criatura – Nunca como agora em que esconde ou quase não mostra a imagem de Fernando Henrique Cardoso, Serra foi tão criatura de seu mestre intelectual. É dele que vem o discurso e a narrativa que, ao mesmo tempo, dá a senha e liga toda a cruzada da direita brasileira.
A noção de que o PT e seu governo ameaçam a liberdade dos brasileiros pois instrumentalizam o Estado, fazem reviver a “República sindical”, formam gangues de corrupção e ameaçam a liberdade de expressão não deixa de ser uma evocação da vertente lacerdista da velha UDN. Mas certamente não é uma doutrina local.
A cartilha do liberal-conservador Fernando Henrique Cardoso é um autor chamado Isaiah Berlin, autor de um famoso ensaio “Dois conceitos de liberdade” e do livro “A traição da liberdade. Seis inimigos da liberdade humana”. Neste ensaio e neste livro, define-se a liberdade como “liberdade negativa”, isto é aquele espaço que não é regulado pelas leis ou pelo Estado contraposto à noção de “liberdade positiva”. Quanto menos Estado, mais liberdade; quanto mais Estado, menos liberdade. Ao confundir liberdade com autonomia, ao vincular liberdade aos ideais de justiça ou de interesse comum, republicanos, sociais-democratas, liberais cívicos e, é claro, socialistas, trairiam a própria idéia de liberdade.
É por este conceito e seus desdobramentos que Fernando Henrique mobiliza o clamor midiático contra o PT e o governo Lula. É este conceito que estrutura também o discurso de Serra, que acusa o governo Lula de ser proto-totalitário. É evidente que o conceito não é passado de forma iluminista: a mídia brasileira tornou-se uma verdadeira artista na criação das mediações de opinião, imagem e notícia que se centralizam, em última instância, neste conceito. Daí ele dialoga com o senso comum.
Seja dito em favor de Fernando Henrique Cardoso: é o lado mais sombrio de seu liberalismo que vem à tona agora, na cena agônica, quando o candidato que representa a sua herança ameaça perder pela última vez. Pois este liberalismo sempre foi de viés cosmopolita, atento em seu diálogo com os democratas norte-americanos e aos “filósofos da Terceira Via”, a certos direitos inscritos na pauta, como aqueles da liberdade sexual, do direito ao aborto legal, dos gays, dos negros, da vida cultural. Mas agora para fazer a ponte com o fanatismo religioso, ele resolveu descer aos infernos: nada sobrou de progressista na candidatura Serra, das ameaças à Bolívia à moral sexual de Ratzinger?
O liberal conservador não é o fanático religioso nem o proto-fascista, aquele que julga que a melhor maneira de dissuadir o adversário é simplesmente eliminá-lo. Mas dialoga com eles na causa comum de derrotar os “proto-totalitários” de esquerda”. Como disse bem, Jean Fabien Spitz, autor de “ O conceito de liberdade”, os ensaios de Berlin trazem o sentido e a tonalidade da época da “guerra fria”.
O fanático religioso: os frutos de Ratzinger – Se a social-democracia, o republicanismo e o socialismo são os inimigos de Berlin, a Modernidade em um sentido amplo é o inimigo central do ex-cardeal Ratzinger. O programa político- teológico que veio construindo a ferro e fogo nestas últimas três décadas é centrado na idéia que é preciso restaurar a dogmática da fé contra os efeitos dissolutivos da moral emancipadora, da racionalização científica e da secularização. Este discurso político, que se fecha no fundamentalismo religioso, como bem denunciou Leonardo Boff, é, na verdade, um discurso de poder, de recentramento do poder do Vaticano.
Neste programa, não é apenas a esquerda enquanto topografia política que é o inimigo mas principalmente o processo de emancipação das mulheres. Entre a “Eva pecadora” e a “Maria mãe de Deus” não há outra identidade possível às mulheres.
A dimensão fundamentalista desde discurso não reconhece o direito do pluralismo na política, nem mesmo na linha do “consenso sobreposto” proposto por John Rawls ( a possibilidade de convergências sobre direitos, partido de um pluralismo de fundamentos). Ou se concorda ou se é proscrito, ex-comungado ou desqualificado.
É essa idéia força, que veio ganhando terreno na hierarquia do clero brasileiro a partir das perseguições à Teologia da Libertação, que agora irrompe na política brasileira, difamando Dilma Roussef. A calúnia é conveniente ao fundamentalista religioso: nesta visão de mundo, não há luz e sombra, não há e não pode haver semi-tons: quando Serra proclamou que o “direito ao aborto no Brasil seria uma carnificina”, ele estava dando a senha para a campanha difamatória da direita católica e evangélica.
O proto-fascista e seus privilégios – Todo processo político e social de democratização e de inclusão tão amplo como o que está se vivendo no Brasil provoca reações de resistência e regressão política à sua volta. Mas este também não é um fenômeno apenas brasileiro: observa-se à volta de nós fenômenos e operações muito típicas daquelas que estão sendo promovidas pela direita republicana norte-americana contra Obama ou que percorrem quase todo o continente europeu em torno ao tema dos imigrantes.
O proto-fascista brasileira não veste camisa preta nem usa suástica no braço ( embora, é claro, ninguém duvide, redes simbolicamente ostensivas estão em ação), nem precisa ser sociologicamente configurado como “lumpen proletariado” ou “pequeno burguesia vacilante”, para lembrar as figuras de uma linguagem simplificadora. O proto-fascista brasileiro é aquele que não quer receber em sua casa comum – a democracia brasileira – estes que não que reconhecem mais o seu antigo lugar, os pobres e os negros.
Há uma violência inaudita no ato do jornal liberal “O Estado de São Paulo” em punir com a demissão Maria Rita Kehl, por escrever um artigo em prol da dignidade dos pobres. Esta violência, que está muito distante do proclamado pluralismo mesmo restrito de alguns liberais, cheira a proto-fascismo, este ato que pretende abolir as razões públicas dos pobres simplesmente negando dignidade a eles.
A força da liberdade que hoje mora no coração dos brasileiros, os braços abertos do Cristo Redentor e o que há de imaginação e magnífica pulsão de vida na cultura popular dos brasileiros são os verdadeiros antídotos contra as figuras do ódio do caluniador.Por detrás da sua máscara, o povo brasileiro há de reconhecer os centenários adversários de seus direitos.
Diante do caluniador, somos todos hoje Dilma Roussef!
(http://www.cartacapital.com.br/politica/o-caluniador-figura-da-barbarie)
Por que Serra quer a Petrobras fora do gás em SP?
A resposta é simples: porque este é um grande negócio. A oferta de gás natural para o mercado paulista vai crescer enormemente, com a entrada em operação dos gasodutos Caraguatatuba-Taubaté, com capacidade para 20 milhões em metros cúbicos diários, e o Santos-São Paulo e Rio-São Paulo, que terão a capacidade ampliada de 8 para 12 milhões de metros cúbicos/dia.
Este gás, entregue pela Petrobras, é obrigatoriamente distribuído (vendido) pelas concessionárias. E um dos maiores compradores é… a própria Petrobras. No primeiro trimestre deste ano, de uma média de 48,8 milhões de metros cúbicos por dia de gás entregues ao mercado nacional, 39,8 milhões foram consumidos pela estatal, sobretudo para mover as usinas de geração de eletricidade.
Não é preciso mais para explicar a sinergia entre as duas atividades.
Nem o quanto dá de lucro esta atividade.
Ela está dividida em três. Na capital e acima dela, em direção ao Rio, a Comgas, que pertence à inglesa British Gas e à Shell. A área sul é da chilena SDG, com o nome de Gás Natural.
É por isso que todos estavam de olho na Brasiliano. Além da Petrobras, ela era disputada pela Mitsui (japonesa), Cosan-Shell, pelo empresário Carlos Seabra Suarez (o ’S’ da empreiteira OAS) associado à Cemig, pelo Banco Santander (que comprou o Banespa) e pela colombiana Promingás, que comprou as instalações da americana Enron, é é controlada pela Ashmore Energy International Limited, uma empresa das Ilhas Cayman.
*** Postagem recebida para publicação, sendo atribuída a Brizola Neto
Este gás, entregue pela Petrobras, é obrigatoriamente distribuído (vendido) pelas concessionárias. E um dos maiores compradores é… a própria Petrobras. No primeiro trimestre deste ano, de uma média de 48,8 milhões de metros cúbicos por dia de gás entregues ao mercado nacional, 39,8 milhões foram consumidos pela estatal, sobretudo para mover as usinas de geração de eletricidade.
Não é preciso mais para explicar a sinergia entre as duas atividades.
Nem o quanto dá de lucro esta atividade.
Ela está dividida em três. Na capital e acima dela, em direção ao Rio, a Comgas, que pertence à inglesa British Gas e à Shell. A área sul é da chilena SDG, com o nome de Gás Natural.
É por isso que todos estavam de olho na Brasiliano. Além da Petrobras, ela era disputada pela Mitsui (japonesa), Cosan-Shell, pelo empresário Carlos Seabra Suarez (o ’S’ da empreiteira OAS) associado à Cemig, pelo Banco Santander (que comprou o Banespa) e pela colombiana Promingás, que comprou as instalações da americana Enron, é é controlada pela Ashmore Energy International Limited, uma empresa das Ilhas Cayman.
*** Postagem recebida para publicação, sendo atribuída a Brizola Neto
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
VAMOS ELEGER DILMA ROUSSEFF PRESIDENTA DO BRASIL, por VIA CAMPESINA e Outros
VAMOS ELEGER DILMA ROUSSEFF PRESIDENTA DO BRASIL
No início do processo eleitoral deste ano, os movimentos sociais e a Via Campesina Brasil tomaram a decisão política de empenhar esforços para eleger o maior número possível de parlamentares e governadores identificados com as bandeiras populares da classe trabalhadora, com o aprofundamento da democracia e soberania brasileira e com políticas que combatam a concentração da propriedade e da renda em nosso país.
Quanto à eleição presidencial, as organizações populares que compõem a Via Campesina decidiram lutar para que não houvesse a vitória eleitoral de uma proposta neoliberal, representando pela candidatura do tucano José Serra.Passando o primeiro turno dessa campanha eleitoral, realizado em 3 de outubro, queremos, com este comunicado ao povo brasileiro, manifestar nossa decisão política frente às eleições deste ano.
Avaliação do 1º turno
As renovações que aconteceram nas Assembleias estaduais, na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, além da eleição e reeleição de governadores progressistas, são alvissareiras.
No Senado Federal, especialmente, fomos vitoriosos com a eleição de companheiros e companheiras identificadas com as nossas lutas e com a não eleição de senadores que se notabilizaram pela perseguição aos movimentos sociais, identificados com os interesses do agronegócio.
Destacamos como vitória a derrota eleitoral do governo tucano de Yeda Crusius, no Rio Grande do Sul, que se notabilizou, juntamente com o governo tucano de São Paulo, pelo controle da mídia, criminalização dos movimentos sociais e repressão à luta pela Reforma Agrária, aos movimentos de moradia e ao movimento dos professores da rede pública estadual. Em relação às campanhas presidenciais, não transcorreram debates em torno de projetos políticos e dos problemas principais que afetam a população brasileira.
A campanha de Dilma Rousseff (PT) buscou apenas, de forma pragmática, divulgar o desenvolvimento econômico e as políticas sociais do governo Lula, apoiando-se na popularidade e nos enorme índices de aprovação do atual governo. Com essa estratégia, obteve quase 47% dos votos, que foram insuficientes para vencer no primeiro turno. A candidatura de José Serra (PSDB) nos surpreendeu, não por sua identificação com as políticas neoliberais, e sim pelo baixo nível da sua campanha presidencial.
Foi agressivo e perseguiu jornalistas em entrevistas, tentou interferir em julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF), espalhou mentiras e acusações infundadas.Chegou a usar a própria esposa, que percorreu as ruas de Niterói (RJ) dizendo que Dilma Rousseff “é a favor de matar as criancinhas”. Somente uma candidatura sem nenhum compromisso com a ética e com a verdade, contando com o total controle sobre a mídia, pode desenvolver uma campanha de tão baixo nível. A biografia do candidato já é a maior derrotada nestas eleições.
A candidatura de Marina Silva (PV) cumpriu o objetivo a que se propôs: provocar o segundo turno nesta campanha eleitoral. O tempo dirá se o seu êxito serviu para fortalecer a democracia ou simplesmente foi utilizada pelas forças conservadoras, para que retornassem ao governo.Já as candidaturas identificadas com os partidos de esquerda, que utilizaram o espaço eleitoral para defender os interesses da classe trabalhadora, infelizmente tiveram uma votação inexpressiva.
O descenso social que temos há duas décadas em nosso país, a fragmentação das organizações da classe trabalhadora e a fragilidade da política de comunicação com a sociedade certamente influíram no resultado eleitoral. Cabe uma auto-crítica aos partidos políticos que se limitam apenas às campanhas eleitorais para dialogar com a sociedade. E que não falte daqui pra frente trabalho de base e a formação política permanente.As eleições deste ano demonstraram o poder nefasto e antidemocrático da mídia.
Mas, por outro lado, foi potencializada uma rede de comunicadores independentes, comprometidos com a liberdade de expressão e com o direito à informação, e que enfrentam aguerridamente o monopólio dos meios de comunicação em nosso país. São avanços rumo à democratização da informação e na construção de uma comunicação democrática e plural, com a participação da sociedade.
O 2º Turno
Nós reafirmamos nosso compromisso em defesa das bandeiras de lutas da classe trabalhadora e na construção de um país democrático, socialmente justo e soberano. Independentemente do governo eleito, seja ele qual for, iremos lutar de forma intransigente pela expansão das liberdades e dos direitos democráticos oprimidos.
Vamos lutar também por mudanças nas instituições e serviços públicos, em benefício da ampla maioria da população; combater aos monopólios para o desenvolvimento com soberania e distribuição de renda; defender as conquistas trabalhistas, a redução da jornada de trabalho, o direito de greve para os servidores públicos; a Previdência Social pública, de boa qualidade, pelo fim do fator previdenciário.
Defendemos também a realização de uma reforma urbana, com moradia, saneamento básico, transporte público e segurança; a construção de serviços de saúde universal e de boa qualidade; reformas na educação pública e promoção da cultura nacional-popular com caráter universal; o fim do latifúndio, limite do capital estrangeiro sobre os nossos recursos naturais e a realização de uma Reforma Agrária anti-latifundiária; a implantação de novas relações da sociedade com o meio ambiente e efetivação uma política externa de autodeterminação, solidariedade aos povos e que priorize a integração dos povos do continente latino-americano e do Caribe.
Infelizmente, os avanços do governo Lula em direção a essas bandeiras democrático-populares foram insuficientes, em em que pese o acerto de sua política externa. Também nos preocupa constatar que, no arco de alianças da candidatura de Dilma Rousseff, há forças políticas que se contrapõem a essas demandas sociais.
Porém, temos uma certeza: José Serra, por sua campanha, pelo seu governo no Estado de São Paulo e pelos oito anos de governo FHC, tornou-se o inimigo dessas bandeiras de lutas. Pelo caráter anti-democrático e anti-popular dos partidos que compõem sua aliança eleitoral e por sua personalidade autoritária, estamos convictos que uma possível vitória sua significará um retrocesso para os movimentos sociais e populares em nosso país, para as conquistas democráticas em nosso continente e uma maior subordinação ao império dos Estados Unidos. Esse retrocesso não queremos que aconteça.Nossa posição nessa conjuntura
Assim, os movimentos sociais e a Via Campesina Brasil afirmam o seu apoio e compromisso de lutar para eleger a candidata Dilma Rousseff para o cargo de presidenta do Brasil. Queremos nos juntar aos movimentos sindicais, populares, estudantis, religiosos e progressistas para promover debates com a sociedade, desmascarar a propaganda enganosa dos neoliberais e autoritários e exigir avanços na democracia, nas políticas públicas que favoreçam a população, no combate aos corruptos e corruptores e na democratização do poder em nosso país.
Precisamos derrotar a candidatura Serra, que representa as forças direitistas e fascistas do país. Devemos seguir organizando o povo para que lute por seus direitos e mudanças sociais, mantendo sempre nossa autonomia política frente aos governos.Conclamamos a militância de todos os movimentos sociais, os lutadores e lutadoras do povo brasileiro, para se engajarem nessa luta, que é importantíssima para a classe trabalhadora.
Vamos à luta!! Vamos eleger Dilma Rousseff presidenta do Brasil.
Via Campesina Brasil
Movimento dos Atingidos por Barragens- MAB
Movimento das Mulheres Camponesas- MMC
Movimento dos Pequenos Agricultores - MPA
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra- MST
Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil- FEAB
Assembléia Popular- PE
Centro de Estudos Barão de Itararé
Fórum Brasileiro de Economia Solidária
Marcha Mundial das Mulheres- MMM
Movimento Camponês Popular- MCP
Rede Brasileira de Integração dos Povos- REBRIP
Rede de Educação Cidadã Sudeste- RECID
Sindicato dos Engenheiros do Paraná- Senge-PR
Uniao de Estudantes Afrodescendentes-UNEAFRO
Indique o MST Informa para um amigo ou uma amiga e
Acesse www.mst.org.br e siga-nos no twitter: MST_Oficial
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continuarmos a colocar para a sociedade as análises e posições do MST.
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No início do processo eleitoral deste ano, os movimentos sociais e a Via Campesina Brasil tomaram a decisão política de empenhar esforços para eleger o maior número possível de parlamentares e governadores identificados com as bandeiras populares da classe trabalhadora, com o aprofundamento da democracia e soberania brasileira e com políticas que combatam a concentração da propriedade e da renda em nosso país.
Quanto à eleição presidencial, as organizações populares que compõem a Via Campesina decidiram lutar para que não houvesse a vitória eleitoral de uma proposta neoliberal, representando pela candidatura do tucano José Serra.Passando o primeiro turno dessa campanha eleitoral, realizado em 3 de outubro, queremos, com este comunicado ao povo brasileiro, manifestar nossa decisão política frente às eleições deste ano.
Avaliação do 1º turno
As renovações que aconteceram nas Assembleias estaduais, na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, além da eleição e reeleição de governadores progressistas, são alvissareiras.
No Senado Federal, especialmente, fomos vitoriosos com a eleição de companheiros e companheiras identificadas com as nossas lutas e com a não eleição de senadores que se notabilizaram pela perseguição aos movimentos sociais, identificados com os interesses do agronegócio.
Destacamos como vitória a derrota eleitoral do governo tucano de Yeda Crusius, no Rio Grande do Sul, que se notabilizou, juntamente com o governo tucano de São Paulo, pelo controle da mídia, criminalização dos movimentos sociais e repressão à luta pela Reforma Agrária, aos movimentos de moradia e ao movimento dos professores da rede pública estadual. Em relação às campanhas presidenciais, não transcorreram debates em torno de projetos políticos e dos problemas principais que afetam a população brasileira.
A campanha de Dilma Rousseff (PT) buscou apenas, de forma pragmática, divulgar o desenvolvimento econômico e as políticas sociais do governo Lula, apoiando-se na popularidade e nos enorme índices de aprovação do atual governo. Com essa estratégia, obteve quase 47% dos votos, que foram insuficientes para vencer no primeiro turno. A candidatura de José Serra (PSDB) nos surpreendeu, não por sua identificação com as políticas neoliberais, e sim pelo baixo nível da sua campanha presidencial.
Foi agressivo e perseguiu jornalistas em entrevistas, tentou interferir em julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF), espalhou mentiras e acusações infundadas.Chegou a usar a própria esposa, que percorreu as ruas de Niterói (RJ) dizendo que Dilma Rousseff “é a favor de matar as criancinhas”. Somente uma candidatura sem nenhum compromisso com a ética e com a verdade, contando com o total controle sobre a mídia, pode desenvolver uma campanha de tão baixo nível. A biografia do candidato já é a maior derrotada nestas eleições.
A candidatura de Marina Silva (PV) cumpriu o objetivo a que se propôs: provocar o segundo turno nesta campanha eleitoral. O tempo dirá se o seu êxito serviu para fortalecer a democracia ou simplesmente foi utilizada pelas forças conservadoras, para que retornassem ao governo.Já as candidaturas identificadas com os partidos de esquerda, que utilizaram o espaço eleitoral para defender os interesses da classe trabalhadora, infelizmente tiveram uma votação inexpressiva.
O descenso social que temos há duas décadas em nosso país, a fragmentação das organizações da classe trabalhadora e a fragilidade da política de comunicação com a sociedade certamente influíram no resultado eleitoral. Cabe uma auto-crítica aos partidos políticos que se limitam apenas às campanhas eleitorais para dialogar com a sociedade. E que não falte daqui pra frente trabalho de base e a formação política permanente.As eleições deste ano demonstraram o poder nefasto e antidemocrático da mídia.
Mas, por outro lado, foi potencializada uma rede de comunicadores independentes, comprometidos com a liberdade de expressão e com o direito à informação, e que enfrentam aguerridamente o monopólio dos meios de comunicação em nosso país. São avanços rumo à democratização da informação e na construção de uma comunicação democrática e plural, com a participação da sociedade.
O 2º Turno
Nós reafirmamos nosso compromisso em defesa das bandeiras de lutas da classe trabalhadora e na construção de um país democrático, socialmente justo e soberano. Independentemente do governo eleito, seja ele qual for, iremos lutar de forma intransigente pela expansão das liberdades e dos direitos democráticos oprimidos.
Vamos lutar também por mudanças nas instituições e serviços públicos, em benefício da ampla maioria da população; combater aos monopólios para o desenvolvimento com soberania e distribuição de renda; defender as conquistas trabalhistas, a redução da jornada de trabalho, o direito de greve para os servidores públicos; a Previdência Social pública, de boa qualidade, pelo fim do fator previdenciário.
Defendemos também a realização de uma reforma urbana, com moradia, saneamento básico, transporte público e segurança; a construção de serviços de saúde universal e de boa qualidade; reformas na educação pública e promoção da cultura nacional-popular com caráter universal; o fim do latifúndio, limite do capital estrangeiro sobre os nossos recursos naturais e a realização de uma Reforma Agrária anti-latifundiária; a implantação de novas relações da sociedade com o meio ambiente e efetivação uma política externa de autodeterminação, solidariedade aos povos e que priorize a integração dos povos do continente latino-americano e do Caribe.
Infelizmente, os avanços do governo Lula em direção a essas bandeiras democrático-populares foram insuficientes, em em que pese o acerto de sua política externa. Também nos preocupa constatar que, no arco de alianças da candidatura de Dilma Rousseff, há forças políticas que se contrapõem a essas demandas sociais.
Porém, temos uma certeza: José Serra, por sua campanha, pelo seu governo no Estado de São Paulo e pelos oito anos de governo FHC, tornou-se o inimigo dessas bandeiras de lutas. Pelo caráter anti-democrático e anti-popular dos partidos que compõem sua aliança eleitoral e por sua personalidade autoritária, estamos convictos que uma possível vitória sua significará um retrocesso para os movimentos sociais e populares em nosso país, para as conquistas democráticas em nosso continente e uma maior subordinação ao império dos Estados Unidos. Esse retrocesso não queremos que aconteça.Nossa posição nessa conjuntura
Assim, os movimentos sociais e a Via Campesina Brasil afirmam o seu apoio e compromisso de lutar para eleger a candidata Dilma Rousseff para o cargo de presidenta do Brasil. Queremos nos juntar aos movimentos sindicais, populares, estudantis, religiosos e progressistas para promover debates com a sociedade, desmascarar a propaganda enganosa dos neoliberais e autoritários e exigir avanços na democracia, nas políticas públicas que favoreçam a população, no combate aos corruptos e corruptores e na democratização do poder em nosso país.
Precisamos derrotar a candidatura Serra, que representa as forças direitistas e fascistas do país. Devemos seguir organizando o povo para que lute por seus direitos e mudanças sociais, mantendo sempre nossa autonomia política frente aos governos.Conclamamos a militância de todos os movimentos sociais, os lutadores e lutadoras do povo brasileiro, para se engajarem nessa luta, que é importantíssima para a classe trabalhadora.
Vamos à luta!! Vamos eleger Dilma Rousseff presidenta do Brasil.
Via Campesina Brasil
Movimento dos Atingidos por Barragens- MAB
Movimento das Mulheres Camponesas- MMC
Movimento dos Pequenos Agricultores - MPA
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra- MST
Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil- FEAB
Assembléia Popular- PE
Centro de Estudos Barão de Itararé
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Marcha Mundial das Mulheres- MMM
Movimento Camponês Popular- MCP
Rede Brasileira de Integração dos Povos- REBRIP
Rede de Educação Cidadã Sudeste- RECID
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Uniao de Estudantes Afrodescendentes-UNEAFRO
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continuarmos a colocar para a sociedade as análises e posições do MST.
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Refrescando a memória – denúncias contra tucanos.
Será que alguém se lembra???????
"Um estudioso de São Paulo, Altamiro Borges, recuperou brevemente a
nossa memória política da década recente e a colocou na rede. O
sociólogo Rogério Chaves enxugou o texto, que envio a vocês na
esperança de que possa contribuir com o debate - e para que não
esqueçamos dos anos tucanos (ainda tão recentes e precocemente
esquecidos) e de que a campanha presidencial já começou.
- SIVAM: Logo no início da gestão de FHC, denúncias de corrupção e
tráfico de influências no contrato de US$ 1,4 bilhão para a criação do
Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) derrubaram um ministro e dois
assessores presidenciais. Mas a CPI instalada no Congresso, após
intensa pressão, foi esvaziada pelos aliados do governo e resultou
apenas num relatório com informações requentadas ao Ministério Público.
- PASTA ROSA: Pouco depois, em agosto de 1995, eclodiu a crise dos
bancos Econômico (BA), Mercantil (PE) e Comercial (SP). Através do
Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro (Proer),
FHC beneficiou com R$ 9,6 bilhões o Banco Econômico numa jogada
política para favorecer o seu aliado ACM. A CPI instalada não durou
cinco meses, justificou o "socorro" aos bancos quebrados e nem sequer
averiguou o conteúdo de uma pasta rosa, que trazia o nome de 25
deputados subornados pelo Econômico.
- PRECATÓRIOS: Em novembro de 1996 veio à tona a falcatrua no
pagamento de títulos no Departamento de Estradas de Rodagem (DNER). Os
beneficiados pela fraude pagavam 25% do valor destes precatórios para a
quadrilha que comandava o esquema, resultando num prejuízo à União de
quase R$ 3 bilhões. A sujeira resultou na extinção do órgão, mas os
aliados de FHC impediram a criação da CPI para investigar o caso.
- COMPRA DE VOTOS: Em 1997, gravações telefônicas colocaram sob forte
suspeita a aprovação da emenda constitucional que permitiria a
reeleição de FHC. Os deputados Ronivon Santiago e João Maia, ambos do
PFL do Acre, teriam recebido R$ 200 mil para votar a favor do projeto
do governo. Eles renunciaram ao mandato e foram expulsos do partido,
mas o pedido de uma CPI foi bombardeado pelos governistas.
- DESVALORIZAÇÂO DO REAL: Num nítido estelionato eleitoral, o governo
promoveu a desvalorização do real no início de 1999. Para piorar,
socorreu com R$ 1,6 bilhão os bancos Marka e FonteCidam - ambos com
vínculos com tucanos de alta plumagem. A proposta de criação de uma CPI
tramitou durante dois anos na Câmara Federal e foi arquivada por
pressão da bancada governista.
- PRIVATARIA: Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no
BNDES flagraram conversas entre Luis Carlos Mendonça de Barros,
ministro das Comunicações, e André Lara Resende, dirigente do banco.
Eles articulavam o apoio a PREVI, Caixa de Previdência do Banco do
Brasil, para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha
como um dos donos o tucano Pérsio Arida. A negociata teve valor
estimado de R$ 24 bilhões. Apesar do escândalo, FHC conseguiu evitar a
instalação da CPI.
- CPI DA CORRUPÇÃO: Em 2001, chafurdando na lama, o governo ainda
bloqueou a abertura de uma CPI para apurar todas as denúncias contra a
sua triste gestão. Foram arrolados 28 casos de corrupção na esfera
federal, que depois se concentraram nas falcatruas da Sudam, da
privatização do sistema Telebrás e no envolvimento do ex-ministro
Eduardo Jorge. A imundície no ninho tucano novamente ficou impune.
- EDUARDO JORGE: Secretário-geral do presidente, Eduardo Jorge foi alvo
de várias denúncias no reinado tucano: esquema de liberação de verbas
no valor de R$ 169 milhões para o TRT-SP; montagem do caixa-dois para a
reeleição de FHC; lobby para favorecer empresas de informática com
contratos no valor de R$ 21,1 milhões só para a Montreal; e uso de
recursos dos fundos de pensão no processo das privatizações. Nada foi
apurado e hoje o sinistro aparece na mídia para criticar a "falta de
ótica" do governo Lula.
E apesar disto, FHC impediu qualquer apuração e sabotou todas as
CPIs.Ele contou ainda com a ajuda do procurador-geral da República,
Geraldo Brindeiro, que por isso foi batizado de "engavetador-geral".
Dos 626 inquéritos instalados até maio de 2001, 242 foram engavetados e
outros 217 foram arquivados. Estes envolviam 194 deputados, 33
senadores, 11 ministros e ex-ministros e em quatro o próprio FHC.Nada
foi apurado, a mídia evitou o alarde e os tucanos ficaram intactos.
Lula inclusive revelou há pouco que evitou reabrir tais investigações -
deve estar arrependido dessa bondade!
Diferente do reinado tucano, o que é uma importante marca distintiva do
atual governo, hoje existe maior seriedade na apuração das denúncias de
corrupção. Tanto que o Ministério da Justiça e sua Polícia Federal
surgem nas pesquisas de opinião com alta credibilidade. Nesse curto
período foram presas 1.234 pessoas, sendo 819 políticos,
empresários,juízes, policiais e servidores acusados de vários esquemas
de fraude -desde o superfaturamento na compra de derivados de sangue
até a adulteração de leite em pó para escolas e creches. Ações de
desvio do dinheiro público foram atacadas em 45 operações especiais da
PF.
Já a Controladoria Geral da União, encabeçada pelo ministro Waldir
Pires, fiscalizou até agora 681 áreas municipais e promoveu 6 mil
auditorias em órgãos federais, que resultaram em 2.461 pedidos
deapuração ao Tribunal de Contas da União. Apesar das bravatas de FHC,
a Controladoria só passou a funcionar de fato no atual governo, que
inclusive já efetivou 450 concursados para o trabalho de
investigação."A ação do governo do presidente Lula na luta decidida
contra a corrupção marca uma nova fase na história da administração
pública no país, porque ela é uma luta aberta contra a impunidade",
garante Waldir Pires.
Diante de fatos irretocáveis, fica patente que a atual investida do
PSDB-PFL não tem nada de ética. FHC, que orquestrou a recente eleição
de Severino Cavalcanti para presidente da Câmara, tem interesses menos
nobres nesse embate. Através da CPI dos Correios, o tucanato visa
imobilizar o governo Lula e desgastar sua imagem, preparando o clima
para a sucessão presidencial. De quebra, pode ainda ter como subproduto
a privatização dos Correios, acelerando a tramitação do projeto de
lei1.491/99, interrompida pelo atual governo, que acaba com o monopólio
estatal dos serviços postais."
Conclusão: OK, o atual governo usou da corrupção pra fazer política,
mas o anterior, que hoje evoca a "ética" para desgastar a imagem dos
petistas, passou por vários escândalos de corrupção - e, importante:
nenhum deles devidamente investigado. Quem está mais ganhando nesta
crise não é Roberto Jefferson ou a corja do PFL, que já é
reconhecidamente corrupta. Mas os tucanos, que estão se saindo com a
imagem de éticos, graças ao esquecimento geral da Nação. Isso poderá se
refletir nas eleições do ano que vem, em que Aécio Neves, Geraldo
Alckmin, FHC, José Serra - ou qualquer outro que concorrer - poderá
chegar à Presidência da República, com todo seu histórico de corrupção
na bagagem.
Nunca devemos nos esquecer que a Cia. Vale do Rio Doce foi vendida por
R$ 3 bilhões de Reais, financiados pelo BNDES, e hoje vale "somente" 48
bilhões de dólares.
Devo refrescar também que, em 2002, FHC retirou R$ 75 milhões do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisas) para compra de dólares com o objetivo de reter a alta do dólar e desta forma manter a sua campanha para reeleição. Isto causou uma crise inédita no CNPq, vários projetos de pesquisas pararam e inúmeras bolsas foram canceladas. Somente parte deste dinheiro foi restituído e mesmo assim um ano depois.
"Época triste a nossa, em que é mais difícil quebrar um preconceito do
que um átomo"
Einstein, segundo Kaplan.
“COM DILMA O BRASIL VIBRA”
- coletivobrasil3000 -
"Um estudioso de São Paulo, Altamiro Borges, recuperou brevemente a
nossa memória política da década recente e a colocou na rede. O
sociólogo Rogério Chaves enxugou o texto, que envio a vocês na
esperança de que possa contribuir com o debate - e para que não
esqueçamos dos anos tucanos (ainda tão recentes e precocemente
esquecidos) e de que a campanha presidencial já começou.
- SIVAM: Logo no início da gestão de FHC, denúncias de corrupção e
tráfico de influências no contrato de US$ 1,4 bilhão para a criação do
Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) derrubaram um ministro e dois
assessores presidenciais. Mas a CPI instalada no Congresso, após
intensa pressão, foi esvaziada pelos aliados do governo e resultou
apenas num relatório com informações requentadas ao Ministério Público.
- PASTA ROSA: Pouco depois, em agosto de 1995, eclodiu a crise dos
bancos Econômico (BA), Mercantil (PE) e Comercial (SP). Através do
Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro (Proer),
FHC beneficiou com R$ 9,6 bilhões o Banco Econômico numa jogada
política para favorecer o seu aliado ACM. A CPI instalada não durou
cinco meses, justificou o "socorro" aos bancos quebrados e nem sequer
averiguou o conteúdo de uma pasta rosa, que trazia o nome de 25
deputados subornados pelo Econômico.
- PRECATÓRIOS: Em novembro de 1996 veio à tona a falcatrua no
pagamento de títulos no Departamento de Estradas de Rodagem (DNER). Os
beneficiados pela fraude pagavam 25% do valor destes precatórios para a
quadrilha que comandava o esquema, resultando num prejuízo à União de
quase R$ 3 bilhões. A sujeira resultou na extinção do órgão, mas os
aliados de FHC impediram a criação da CPI para investigar o caso.
- COMPRA DE VOTOS: Em 1997, gravações telefônicas colocaram sob forte
suspeita a aprovação da emenda constitucional que permitiria a
reeleição de FHC. Os deputados Ronivon Santiago e João Maia, ambos do
PFL do Acre, teriam recebido R$ 200 mil para votar a favor do projeto
do governo. Eles renunciaram ao mandato e foram expulsos do partido,
mas o pedido de uma CPI foi bombardeado pelos governistas.
- DESVALORIZAÇÂO DO REAL: Num nítido estelionato eleitoral, o governo
promoveu a desvalorização do real no início de 1999. Para piorar,
socorreu com R$ 1,6 bilhão os bancos Marka e FonteCidam - ambos com
vínculos com tucanos de alta plumagem. A proposta de criação de uma CPI
tramitou durante dois anos na Câmara Federal e foi arquivada por
pressão da bancada governista.
- PRIVATARIA: Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no
BNDES flagraram conversas entre Luis Carlos Mendonça de Barros,
ministro das Comunicações, e André Lara Resende, dirigente do banco.
Eles articulavam o apoio a PREVI, Caixa de Previdência do Banco do
Brasil, para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha
como um dos donos o tucano Pérsio Arida. A negociata teve valor
estimado de R$ 24 bilhões. Apesar do escândalo, FHC conseguiu evitar a
instalação da CPI.
- CPI DA CORRUPÇÃO: Em 2001, chafurdando na lama, o governo ainda
bloqueou a abertura de uma CPI para apurar todas as denúncias contra a
sua triste gestão. Foram arrolados 28 casos de corrupção na esfera
federal, que depois se concentraram nas falcatruas da Sudam, da
privatização do sistema Telebrás e no envolvimento do ex-ministro
Eduardo Jorge. A imundície no ninho tucano novamente ficou impune.
- EDUARDO JORGE: Secretário-geral do presidente, Eduardo Jorge foi alvo
de várias denúncias no reinado tucano: esquema de liberação de verbas
no valor de R$ 169 milhões para o TRT-SP; montagem do caixa-dois para a
reeleição de FHC; lobby para favorecer empresas de informática com
contratos no valor de R$ 21,1 milhões só para a Montreal; e uso de
recursos dos fundos de pensão no processo das privatizações. Nada foi
apurado e hoje o sinistro aparece na mídia para criticar a "falta de
ótica" do governo Lula.
E apesar disto, FHC impediu qualquer apuração e sabotou todas as
CPIs.Ele contou ainda com a ajuda do procurador-geral da República,
Geraldo Brindeiro, que por isso foi batizado de "engavetador-geral".
Dos 626 inquéritos instalados até maio de 2001, 242 foram engavetados e
outros 217 foram arquivados. Estes envolviam 194 deputados, 33
senadores, 11 ministros e ex-ministros e em quatro o próprio FHC.Nada
foi apurado, a mídia evitou o alarde e os tucanos ficaram intactos.
Lula inclusive revelou há pouco que evitou reabrir tais investigações -
deve estar arrependido dessa bondade!
Diferente do reinado tucano, o que é uma importante marca distintiva do
atual governo, hoje existe maior seriedade na apuração das denúncias de
corrupção. Tanto que o Ministério da Justiça e sua Polícia Federal
surgem nas pesquisas de opinião com alta credibilidade. Nesse curto
período foram presas 1.234 pessoas, sendo 819 políticos,
empresários,juízes, policiais e servidores acusados de vários esquemas
de fraude -desde o superfaturamento na compra de derivados de sangue
até a adulteração de leite em pó para escolas e creches. Ações de
desvio do dinheiro público foram atacadas em 45 operações especiais da
PF.
Já a Controladoria Geral da União, encabeçada pelo ministro Waldir
Pires, fiscalizou até agora 681 áreas municipais e promoveu 6 mil
auditorias em órgãos federais, que resultaram em 2.461 pedidos
deapuração ao Tribunal de Contas da União. Apesar das bravatas de FHC,
a Controladoria só passou a funcionar de fato no atual governo, que
inclusive já efetivou 450 concursados para o trabalho de
investigação."A ação do governo do presidente Lula na luta decidida
contra a corrupção marca uma nova fase na história da administração
pública no país, porque ela é uma luta aberta contra a impunidade",
garante Waldir Pires.
Diante de fatos irretocáveis, fica patente que a atual investida do
PSDB-PFL não tem nada de ética. FHC, que orquestrou a recente eleição
de Severino Cavalcanti para presidente da Câmara, tem interesses menos
nobres nesse embate. Através da CPI dos Correios, o tucanato visa
imobilizar o governo Lula e desgastar sua imagem, preparando o clima
para a sucessão presidencial. De quebra, pode ainda ter como subproduto
a privatização dos Correios, acelerando a tramitação do projeto de
lei1.491/99, interrompida pelo atual governo, que acaba com o monopólio
estatal dos serviços postais."
Conclusão: OK, o atual governo usou da corrupção pra fazer política,
mas o anterior, que hoje evoca a "ética" para desgastar a imagem dos
petistas, passou por vários escândalos de corrupção - e, importante:
nenhum deles devidamente investigado. Quem está mais ganhando nesta
crise não é Roberto Jefferson ou a corja do PFL, que já é
reconhecidamente corrupta. Mas os tucanos, que estão se saindo com a
imagem de éticos, graças ao esquecimento geral da Nação. Isso poderá se
refletir nas eleições do ano que vem, em que Aécio Neves, Geraldo
Alckmin, FHC, José Serra - ou qualquer outro que concorrer - poderá
chegar à Presidência da República, com todo seu histórico de corrupção
na bagagem.
Nunca devemos nos esquecer que a Cia. Vale do Rio Doce foi vendida por
R$ 3 bilhões de Reais, financiados pelo BNDES, e hoje vale "somente" 48
bilhões de dólares.
Devo refrescar também que, em 2002, FHC retirou R$ 75 milhões do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisas) para compra de dólares com o objetivo de reter a alta do dólar e desta forma manter a sua campanha para reeleição. Isto causou uma crise inédita no CNPq, vários projetos de pesquisas pararam e inúmeras bolsas foram canceladas. Somente parte deste dinheiro foi restituído e mesmo assim um ano depois.
"Época triste a nossa, em que é mais difícil quebrar um preconceito do
que um átomo"
Einstein, segundo Kaplan.
“COM DILMA O BRASIL VIBRA”
- coletivobrasil3000 -
MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS PRO DILMA
Um grupo de artistas e intelectuais liderados por Leonardo Boff, Chico Buarque, Emir Sader, Eric Nepumuceno está articulando adesões ao manifesto abaixo de apoio político a eleição de Dilma Roussef. Se você puder aderir agradeceríamos muito: mande sua adesão para emirsader@uol.com.br e ericnepomuceno@uol.com.br
MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS PRO DILMA
Nós, que no primeiro turno votamos em distintos candidatos e em diferentes partidos, nos unimos para apoiar Dilma Rousseff. Fazemos isso por sentir que é nosso dever somar forças para garantir os avanços alcançados. Para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimen to econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional.
Um país que priorize a educação, a cultura, a sustentabilidade, a erradicação da miséria e da desiguladade social. Um país que preserve sua dignidade reconquistada.
Entendemos que essas são condições essenciais para que seja possível atender às necessidades básicas do povo, fortalecer a cidadania, assegurar a cada brasileiro seus direitos fundamentais.
Entendemos que é essencial seguir reconstruindo o Estado, para garantir o desenvolvimento sustentável, com justiça social e projeção de uma política externa soberana e solidária.
Entendemos que, muito mais que uma candidatura, o que está em jogo é o que foi conquistado.
Por tudo isso, declaramos, em conjunto, o apoio a Dilma Rousseff. É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana.
Leonardo Boff
Chico Buarque
Fernando Morais
Emir Sader
Eric Nepumuceno
MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS PRO DILMA
Nós, que no primeiro turno votamos em distintos candidatos e em diferentes partidos, nos unimos para apoiar Dilma Rousseff. Fazemos isso por sentir que é nosso dever somar forças para garantir os avanços alcançados. Para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimen to econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional.
Um país que priorize a educação, a cultura, a sustentabilidade, a erradicação da miséria e da desiguladade social. Um país que preserve sua dignidade reconquistada.
Entendemos que essas são condições essenciais para que seja possível atender às necessidades básicas do povo, fortalecer a cidadania, assegurar a cada brasileiro seus direitos fundamentais.
Entendemos que é essencial seguir reconstruindo o Estado, para garantir o desenvolvimento sustentável, com justiça social e projeção de uma política externa soberana e solidária.
Entendemos que, muito mais que uma candidatura, o que está em jogo é o que foi conquistado.
Por tudo isso, declaramos, em conjunto, o apoio a Dilma Rousseff. É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana.
Leonardo Boff
Chico Buarque
Fernando Morais
Emir Sader
Eric Nepumuceno
terça-feira, 5 de outubro de 2010
DILMA É GARANTIA PARA O POVO, por COLETIVO BRASIL 3000
DILMA É GARANTIA PARA O POVO
Reconstruindo o Brasil com o seu voto.
1) Um compromisso - Dilma é mais que uma candidatura. É compromisso de todos e de cada um em aprofundar o rompimento com a forma de fazer política dos governos conservadores anteriores ao Lula (tucanos neoliberais ou democratas carcomidos). Que ao longo da nossa história, por incompetência ou pura conveniência, nada fizeram para reverter este quadro de constante crise social, falta de desenvolvimento, descaso com a educação e saúde e outras tantas situações calamitosas com as quais convivíamos até a nos parecerem inevitáveis. A eleição de Dilma representa o aprofundamento de uma democracia real e efetiva em nosso país, centrada nos interesses da maioria do povo brasileiro. Os trabalhadores, maioria do povo brasileiro, nunca foram parte, como sujeitos, do discurso conservador. Pelo contrário, repetidamente, os conservadores desqualificam a competência política dos trabalhodores. Mais um blefe desmentido, na prática, pelo Governo Lula.
2) Com o povo - Dilma, com sua experiência, política e administrativa, já demonstrada durante o Governo do Presidente Lula, será a garantia de continuidade e aprimoramento do desenvolvimento econômico, político e social que estamos vivendo. Que é fruto da nova direção dada ao Estado Brasileiro, agora, de fato, voltado para a totalidade de seu povo e, não, apenas para a “elite” de sempre, predadora e insensível. Graças à preocupação com o social, que sempre orientou esse Governo cuja continuação Dilma representa, entre tantos outros aspectos favoráveis, uma parcela enorme de nosso povo foi retirada da situação de miséria quase absoluta e outra não menos significativa saiu do patamar da pobreza. Cresceu o emprego com carteira assinada, surgiu movimento cultural preocupado com os dramas e alegrias do Brasil, iniciou-se política internacional independente, solidária, rompendo com tradição conservadora de olhar o mundo, e se portarem diante dele, como devedores subalternos, em tudo, das nações do primeiro mundo.
3) O petróleo é nosso - Torna-se evidente que esta eleição envolve mais do que a escolha presidencial. Está em jogo, diante da já sabida ameaça de crise energética mundial, a questão da exploração da reserva petrolífera do pré-sal, alvo notório de interesses internacionais. A ninguém é dado desconhecer que a descoberta dessa imensa riqueza deveu-se exclusivamente ao esforço do povo brasileiro, através da nossa Petrobrás. Empresa que, caso houvesse vingado a política entreguista e de desmantelamento do Estado, patrocinada pelos conservadores (“democratas” e tucanos), não mais existiria ou não existiria para nós. Mídia brasileira e norte-americana se somam para repor no governo os mesmos que, a mando de fora, privatizaram, sem necessidade, setores, estratégicos, da nossa economia, como a telefonia, a energia elétrica, a petroquímica, a siderurgia, a mineração, portos e ferrovias etc. Enfraquecendo o Estado, reconhecidamente, o único mecanismo de que, de fato, se dispõe, não só aqui, como no mundo, para promover o desenvolvimento dos povos. Passamos ao largo da crise imobiliária e de ativos, que vem balançando o globo, quase que exclusivamente pela restante capacidade de investimento que nos sobrou da sanha privatista dos neoconservadores (Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e do BNDS)
4) Brava gente brasileira - Dilma significa a retomada do Brasil, para seu povo, processo iniciado pela bravura e compromisso do governo popular de Lula e dos partidos progressistas que o apóiam. Eleger Dilma é garantir que é passado a política conservadora que, com sua arrogância, quase quebrou o Brasil. José Serra seria uma sucessão de FHC, como Dilma, será a de Lula. Se José Serra, participante ativo, ministro do primeiro escalão, nunca fez nem esboçou a menor vontade de fazer o que promete fazer agora, por que haveria de fazer depois de eleito? O que se vê da parte de José Serra é apenas uma tentativa de passar um atestado de bobo para o povo brasileiro. Ele esconde a sua participação e responsabilidade no catastrófico governo FHC e não consegue mostrar algo positivo em seu recente Governo de São Paulo. Pelo contrário, o que se vê, em São Paulo, é a manutenção e o agravamento, sob o seu governo, de problemas crônicos e repetitivos nesse grandioso Estado da Federação (enchentes, insegurança pública, ensino público abandonado etc).
5) Olho vivo - Dilma é a garantia que o povo brasileiro, que os trabalhadores brasileiros, continuarão conduzindo a transformação do Brasil, não deixando que o país volte às mãos daqueles que tudo fizeram para que esta transformação nunca ocorresse. Um governo Dilma é a consolidação da derrota da forma conservadora de fazer política. Que não vacila em lançar mão cada vez mais até mesmo da pura e simples difamação dos candidatos progressistas. Gente que, no governo FHC, tão recheado de denúncias, nunca se mexeu no sentido da apuração e tudo fez para que ela não acontecesse. E que, agora, destorcem os fatos, pisam a verdade e vão contra a própria realidade. Felizmente, uma realidade nova, muito diferente daquela que nos legaram. Qual? Não custa e é sempre bom lembrar: a do imenso desemprego, a da economia atirada na informalidade e, por conseguinte, na insegurança de todos, a das lojas e indústrias fechadas, a da violência galopante, a dos poucos trabalhadores mantidos em seus postos de trabalho totalmente intimidados. Por isso, eleitor, é que precisamos eleger Dilma, é que seu voto é importante. Com Dilma, adiante!
ColetivoBrasil3000
Reconstruindo o Brasil com o seu voto.
1) Um compromisso - Dilma é mais que uma candidatura. É compromisso de todos e de cada um em aprofundar o rompimento com a forma de fazer política dos governos conservadores anteriores ao Lula (tucanos neoliberais ou democratas carcomidos). Que ao longo da nossa história, por incompetência ou pura conveniência, nada fizeram para reverter este quadro de constante crise social, falta de desenvolvimento, descaso com a educação e saúde e outras tantas situações calamitosas com as quais convivíamos até a nos parecerem inevitáveis. A eleição de Dilma representa o aprofundamento de uma democracia real e efetiva em nosso país, centrada nos interesses da maioria do povo brasileiro. Os trabalhadores, maioria do povo brasileiro, nunca foram parte, como sujeitos, do discurso conservador. Pelo contrário, repetidamente, os conservadores desqualificam a competência política dos trabalhodores. Mais um blefe desmentido, na prática, pelo Governo Lula.
2) Com o povo - Dilma, com sua experiência, política e administrativa, já demonstrada durante o Governo do Presidente Lula, será a garantia de continuidade e aprimoramento do desenvolvimento econômico, político e social que estamos vivendo. Que é fruto da nova direção dada ao Estado Brasileiro, agora, de fato, voltado para a totalidade de seu povo e, não, apenas para a “elite” de sempre, predadora e insensível. Graças à preocupação com o social, que sempre orientou esse Governo cuja continuação Dilma representa, entre tantos outros aspectos favoráveis, uma parcela enorme de nosso povo foi retirada da situação de miséria quase absoluta e outra não menos significativa saiu do patamar da pobreza. Cresceu o emprego com carteira assinada, surgiu movimento cultural preocupado com os dramas e alegrias do Brasil, iniciou-se política internacional independente, solidária, rompendo com tradição conservadora de olhar o mundo, e se portarem diante dele, como devedores subalternos, em tudo, das nações do primeiro mundo.
3) O petróleo é nosso - Torna-se evidente que esta eleição envolve mais do que a escolha presidencial. Está em jogo, diante da já sabida ameaça de crise energética mundial, a questão da exploração da reserva petrolífera do pré-sal, alvo notório de interesses internacionais. A ninguém é dado desconhecer que a descoberta dessa imensa riqueza deveu-se exclusivamente ao esforço do povo brasileiro, através da nossa Petrobrás. Empresa que, caso houvesse vingado a política entreguista e de desmantelamento do Estado, patrocinada pelos conservadores (“democratas” e tucanos), não mais existiria ou não existiria para nós. Mídia brasileira e norte-americana se somam para repor no governo os mesmos que, a mando de fora, privatizaram, sem necessidade, setores, estratégicos, da nossa economia, como a telefonia, a energia elétrica, a petroquímica, a siderurgia, a mineração, portos e ferrovias etc. Enfraquecendo o Estado, reconhecidamente, o único mecanismo de que, de fato, se dispõe, não só aqui, como no mundo, para promover o desenvolvimento dos povos. Passamos ao largo da crise imobiliária e de ativos, que vem balançando o globo, quase que exclusivamente pela restante capacidade de investimento que nos sobrou da sanha privatista dos neoconservadores (Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e do BNDS)
4) Brava gente brasileira - Dilma significa a retomada do Brasil, para seu povo, processo iniciado pela bravura e compromisso do governo popular de Lula e dos partidos progressistas que o apóiam. Eleger Dilma é garantir que é passado a política conservadora que, com sua arrogância, quase quebrou o Brasil. José Serra seria uma sucessão de FHC, como Dilma, será a de Lula. Se José Serra, participante ativo, ministro do primeiro escalão, nunca fez nem esboçou a menor vontade de fazer o que promete fazer agora, por que haveria de fazer depois de eleito? O que se vê da parte de José Serra é apenas uma tentativa de passar um atestado de bobo para o povo brasileiro. Ele esconde a sua participação e responsabilidade no catastrófico governo FHC e não consegue mostrar algo positivo em seu recente Governo de São Paulo. Pelo contrário, o que se vê, em São Paulo, é a manutenção e o agravamento, sob o seu governo, de problemas crônicos e repetitivos nesse grandioso Estado da Federação (enchentes, insegurança pública, ensino público abandonado etc).
5) Olho vivo - Dilma é a garantia que o povo brasileiro, que os trabalhadores brasileiros, continuarão conduzindo a transformação do Brasil, não deixando que o país volte às mãos daqueles que tudo fizeram para que esta transformação nunca ocorresse. Um governo Dilma é a consolidação da derrota da forma conservadora de fazer política. Que não vacila em lançar mão cada vez mais até mesmo da pura e simples difamação dos candidatos progressistas. Gente que, no governo FHC, tão recheado de denúncias, nunca se mexeu no sentido da apuração e tudo fez para que ela não acontecesse. E que, agora, destorcem os fatos, pisam a verdade e vão contra a própria realidade. Felizmente, uma realidade nova, muito diferente daquela que nos legaram. Qual? Não custa e é sempre bom lembrar: a do imenso desemprego, a da economia atirada na informalidade e, por conseguinte, na insegurança de todos, a das lojas e indústrias fechadas, a da violência galopante, a dos poucos trabalhadores mantidos em seus postos de trabalho totalmente intimidados. Por isso, eleitor, é que precisamos eleger Dilma, é que seu voto é importante. Com Dilma, adiante!
ColetivoBrasil3000
EDUCAÇÃO – O BRASIL NO RUMO CERTO
Manifesto de Reitores das Universidades Federais, à Nação Brasileira
Da pré-escola ao pós-doutoramento – ciclo completo educacional e acadêmico de formação das pessoas na busca pelo crescimento pessoal e profissional – consideramos que o Brasil encontrou o rumo nos últimos anos, graças a políticas, aumento orçamentário, ações e programas implementados pelo Governo Lula com a participação decisiva e direta de seus ministros, os quais reconhecemos, destacando o nome do Ministro Fernando Haddad.
Aliás, de forma mais ampla, assistimos a um crescimento muito significativo do País em vários domínios: ocorreu a redução marcante da miséria e da pobreza; promoveu-se a inclusão social de milhões de brasileiros, com a geração de empregos e renda; cresceu a autoestima da população, a confiança e a credibilidade internacional, num claro reconhecimento de que este é um País sério, solidário, de paz e de povo trabalhador. Caminhamos a passos largos para alcançar patamares mais elevados no cenário global, como uma Nação livre e soberana que não se submete aos ditames e aos interesses de países ou organizações estrangeiras.
Este período do Governo Lula ficará registrado na história como aquele em que mais se investiu em educação pública: foram criadas e consolidadas 14 novas universidades federais; institui-se a Universidade Aberta do Brasil; foram construídos mais de 100 campi universitários pelo interior do País; e ocorreu a criação e a ampliação, sem precedentes históricos, de Escolas Técnicas e Institutos Federais. Através do PROUNI, possibilitou-se o acesso ao ensino superior a mais de 700.000 jovens. Com a implantação do REUNI, estamos recuperando nossas Universidades Federais, de norte a sul e de leste a oeste. No geral, estamos dobrando de tamanho nossas Instituições e criando milhares de novos cursos, com investimentos crescentes em infraestrutura e contratação, por concurso público, de profissionais qualificados. Essas políticas devem continuar para consolidar os programas atuais e, inclusive, serem ampliadas no plano Federal, exigindo-se que os Estados e Municípios também cumpram com as suas responsabilidades sociais e constitucionais, colocando a educação como uma prioridade central de seus governos.
Por tudo isso e na dimensão de nossas responsabilidades enquanto educadores, dirigentes universitários e cidadãos que desejam ver o País continuar avançando sem retrocessos, dirigimo-nos à sociedade brasileira para afirmar, com convicção, que estamos no rumo certo e que devemos continuar lutando e exigindo dos próximos governantes a continuidade das políticas e investimentos na educação em todos os níveis, assim como na ciência, na tecnologia e na inovação, de que o Brasil tanto precisa para se inserir, de uma forma ainda mais decisiva, neste mundo contemporâneo em constantes transformações.
Finalizamos este manifesto prestando o nosso reconhecimento e a nossa gratidão ao Presidente Lula por tudo que fez pelo País, em especial, no que se refere às políticas para educação, ciência e tecnologia. Ele também foi incansável em afirmar, sempre, que recurso aplicado em educação não é gasto, mas sim investimento no futuro do País. Foi exemplo, ainda, ao receber em reunião anual, durante os seus 8 anos de mandato, os Reitores das Universidades Federais para debater políticas e ações para o setor, encaminhando soluções concretas, inclusive, relativas à Autonomia Universitária.
Alan Barbiero – Universidade Federal do Tocantins (UFT)
José Weber Freire Macedo – Univ. Fed. do Vale do São Francisco (UNIVASF)
Aloisio Teixeira – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Josivan Barbosa Menezes – Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA)
Amaro Henrique Pessoa Lins – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Malvina Tânia Tuttman – Univ. Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Ana Dayse Rezende Dórea – Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Maria Beatriz Luce – Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)
Antonio César Gonçalves Borges – Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Maria Lúcia Cavalli Neder – Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
Carlos Alexandre Netto – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Miguel Badenes P. Filho – Centro Fed. de Ed. Tec. (CEFET RJ)
Carlos Eduardo Cantarelli – Univ. Tec. Federal do Paraná (UTFPR)
Miriam da Costa Oliveira – Univ.. Fed. de Ciênc. da Saúde de POA (UFCSPA)
Célia Maria da Silva Oliveira – Univ. Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)
Natalino Salgado Filho – Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Damião Duque de Farias – Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
Paulo Gabriel S. Nacif – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
Felipe .Martins Müller – Universidade Federal da Santa Maria (UFSM).
Pedro Angelo A. Abreu – Univ. Fed. do Vale do Jequetinhonha e Mucuri (UFVJM)
Hélgio Trindade – Univ. Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)
Ricardo Motta Miranda – Univ. Fed. Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Hélio Waldman – Universidade Federal do ABC (UFABC)
Roberto de Souza Salles – Universidade Federal Fluminense (UFF)
Henrique Duque Chaves Filho – Univ. Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Romulo Soares Polari – Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Jesualdo Pereira Farias – Universidade Federal do Ceará – UFC
Sueo Numazawa – Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
João Carlos Brahm Cousin – Universidade Federal do Rio Grande – (FURG)
Targino de Araújo Filho – Univ. Federal de São Carlos (UFSCar)
José Carlos Tavares Carvalho – Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)
Thompson F. Mariz – Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
José Geraldo de Sousa Júnior – Universidade Federal de Brasília (UNB)
Valmar C. de Andrade – Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
José Seixas Lourenço – Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)
Virmondes Rodrigues Júnior – Univ. Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
Walter Manna Albertoni – Universidade Federal de São Paulo ( UNIFESP)
(Fonte: http://diap.org.br/index.php/noticias/agencia-diap/14599-manifesto-de-reitores-das-federais-educacao-brasil-esta-no-rumo-certo)
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Da pré-escola ao pós-doutoramento – ciclo completo educacional e acadêmico de formação das pessoas na busca pelo crescimento pessoal e profissional – consideramos que o Brasil encontrou o rumo nos últimos anos, graças a políticas, aumento orçamentário, ações e programas implementados pelo Governo Lula com a participação decisiva e direta de seus ministros, os quais reconhecemos, destacando o nome do Ministro Fernando Haddad.
Aliás, de forma mais ampla, assistimos a um crescimento muito significativo do País em vários domínios: ocorreu a redução marcante da miséria e da pobreza; promoveu-se a inclusão social de milhões de brasileiros, com a geração de empregos e renda; cresceu a autoestima da população, a confiança e a credibilidade internacional, num claro reconhecimento de que este é um País sério, solidário, de paz e de povo trabalhador. Caminhamos a passos largos para alcançar patamares mais elevados no cenário global, como uma Nação livre e soberana que não se submete aos ditames e aos interesses de países ou organizações estrangeiras.
Este período do Governo Lula ficará registrado na história como aquele em que mais se investiu em educação pública: foram criadas e consolidadas 14 novas universidades federais; institui-se a Universidade Aberta do Brasil; foram construídos mais de 100 campi universitários pelo interior do País; e ocorreu a criação e a ampliação, sem precedentes históricos, de Escolas Técnicas e Institutos Federais. Através do PROUNI, possibilitou-se o acesso ao ensino superior a mais de 700.000 jovens. Com a implantação do REUNI, estamos recuperando nossas Universidades Federais, de norte a sul e de leste a oeste. No geral, estamos dobrando de tamanho nossas Instituições e criando milhares de novos cursos, com investimentos crescentes em infraestrutura e contratação, por concurso público, de profissionais qualificados. Essas políticas devem continuar para consolidar os programas atuais e, inclusive, serem ampliadas no plano Federal, exigindo-se que os Estados e Municípios também cumpram com as suas responsabilidades sociais e constitucionais, colocando a educação como uma prioridade central de seus governos.
Por tudo isso e na dimensão de nossas responsabilidades enquanto educadores, dirigentes universitários e cidadãos que desejam ver o País continuar avançando sem retrocessos, dirigimo-nos à sociedade brasileira para afirmar, com convicção, que estamos no rumo certo e que devemos continuar lutando e exigindo dos próximos governantes a continuidade das políticas e investimentos na educação em todos os níveis, assim como na ciência, na tecnologia e na inovação, de que o Brasil tanto precisa para se inserir, de uma forma ainda mais decisiva, neste mundo contemporâneo em constantes transformações.
Finalizamos este manifesto prestando o nosso reconhecimento e a nossa gratidão ao Presidente Lula por tudo que fez pelo País, em especial, no que se refere às políticas para educação, ciência e tecnologia. Ele também foi incansável em afirmar, sempre, que recurso aplicado em educação não é gasto, mas sim investimento no futuro do País. Foi exemplo, ainda, ao receber em reunião anual, durante os seus 8 anos de mandato, os Reitores das Universidades Federais para debater políticas e ações para o setor, encaminhando soluções concretas, inclusive, relativas à Autonomia Universitária.
Alan Barbiero – Universidade Federal do Tocantins (UFT)
José Weber Freire Macedo – Univ. Fed. do Vale do São Francisco (UNIVASF)
Aloisio Teixeira – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Josivan Barbosa Menezes – Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA)
Amaro Henrique Pessoa Lins – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Malvina Tânia Tuttman – Univ. Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Ana Dayse Rezende Dórea – Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Maria Beatriz Luce – Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)
Antonio César Gonçalves Borges – Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Maria Lúcia Cavalli Neder – Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
Carlos Alexandre Netto – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Miguel Badenes P. Filho – Centro Fed. de Ed. Tec. (CEFET RJ)
Carlos Eduardo Cantarelli – Univ. Tec. Federal do Paraná (UTFPR)
Miriam da Costa Oliveira – Univ.. Fed. de Ciênc. da Saúde de POA (UFCSPA)
Célia Maria da Silva Oliveira – Univ. Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)
Natalino Salgado Filho – Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Damião Duque de Farias – Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
Paulo Gabriel S. Nacif – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
Felipe .Martins Müller – Universidade Federal da Santa Maria (UFSM).
Pedro Angelo A. Abreu – Univ. Fed. do Vale do Jequetinhonha e Mucuri (UFVJM)
Hélgio Trindade – Univ. Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)
Ricardo Motta Miranda – Univ. Fed. Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Hélio Waldman – Universidade Federal do ABC (UFABC)
Roberto de Souza Salles – Universidade Federal Fluminense (UFF)
Henrique Duque Chaves Filho – Univ. Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Romulo Soares Polari – Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Jesualdo Pereira Farias – Universidade Federal do Ceará – UFC
Sueo Numazawa – Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
João Carlos Brahm Cousin – Universidade Federal do Rio Grande – (FURG)
Targino de Araújo Filho – Univ. Federal de São Carlos (UFSCar)
José Carlos Tavares Carvalho – Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)
Thompson F. Mariz – Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
José Geraldo de Sousa Júnior – Universidade Federal de Brasília (UNB)
Valmar C. de Andrade – Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
José Seixas Lourenço – Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)
Virmondes Rodrigues Júnior – Univ. Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
Walter Manna Albertoni – Universidade Federal de São Paulo ( UNIFESP)
(Fonte: http://diap.org.br/index.php/noticias/agencia-diap/14599-manifesto-de-reitores-das-federais-educacao-brasil-esta-no-rumo-certo)
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Manifesto de artistas e intelectuais pela democracia e pelo povo:
À NAÇÃO
Em uma democracia nenhum poder é soberano.
Soberano é o povo.
É esse povo – o povo brasileiro – que irá expressar sua vontade soberana no próximo dia 3 de outubro, elegendo seu novo Presidente e 27 Governadores, renovando toda a Câmara de Deputados, Assembléias Legislativas e dois terços do Senado Federal.
Antevendo um desastre eleitoral, setores da oposição têm buscado minimizar sua derrota, desqualificando a vitória que se anuncia dos candidatos da coalizão Para o Brasil Seguir Mudando, encabeçada por Dilma Rousseff.
Em suas manifestações ecoam as campanhas dos anos 50 contra Getúlio Vargas e os argumentos que prepararam o Golpe de 1964. Não faltam críticas ao “populismo”, aos movimentos sociais, que apresentam como “aparelhados pelo Estado”, ou à ameaça de uma “República Sindicalista”, tantas vezes repetida em décadas passadas para justificar aventuras autoritárias.
O Presidente Lula e seu Governo beneficiam-se de ampla aprovação da sociedade brasileira. Inconformados com esse apoio, uma minoria com acesso aos meios, busca desqualificar esse povo, apresentando-o como “ignorante”, “anestesiado” ou “comprado pelas esmolas” dos programas sociais.
Desacostumados com uma sociedade de direitos, confunde-na sempre com uma sociedade de favores e prebendas.
O manto da democracia e do Estado de Direito com o qual pretendem encobrir seu conservadorismo não é capaz de ocultar a plumagem de uma Casa Grande inconformada com a emergência da Senzala na vida social e política do país nos últimos anos. A velha e reacionária UDN reaparece “sob nova direção”.
Em nome da liberdade de imprensa querem suprimir a liberdade de expressão.
A imprensa pode criticar, mas não quer ser criticada.
É profundamente anti-democrático – totalitário mesmo – caracterizar qualquer crítica à imprensa como uma ameaça à liberdade de imprensa.
Os meios de comunicação exerceram, nestes últimos oito anos, sua atividade sem nenhuma restrição por parte do Governo.
Mesmo quando acusaram sem provas.
Ou quando enxovalharam homens e mulheres sem oferecer-lhes direito de resposta.
Ou, ainda, quando invadiram a privacidade e a família do próprio Presidente da República.
A oposição está colhendo o que plantou nestes últimos anos.
Sua inconformidade com o êxito do Governo Lula, levou-a à perplexidade. Sua incapacidade de oferecer à sociedade brasileira um projeto alternativo de Nação, confinou-a no gueto de um conservadorismo ressentido e arrogante.
O Brasil passou por uma grande transformação.
Retomou o crescimento. Distribuiu renda. Conseguiu combinar esses dois processos com a estabilidade macroeconômica e com a redução da vulnerabilidade externa. E – o que é mais importante – fez tudo isso com expansão da democracia e com uma presença soberana no mundo.
Ninguém nos afastará desse caminho.
Viva o povo brasileiro.
--
Participe do abaixo assinado:
http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/7080
Em uma democracia nenhum poder é soberano.
Soberano é o povo.
É esse povo – o povo brasileiro – que irá expressar sua vontade soberana no próximo dia 3 de outubro, elegendo seu novo Presidente e 27 Governadores, renovando toda a Câmara de Deputados, Assembléias Legislativas e dois terços do Senado Federal.
Antevendo um desastre eleitoral, setores da oposição têm buscado minimizar sua derrota, desqualificando a vitória que se anuncia dos candidatos da coalizão Para o Brasil Seguir Mudando, encabeçada por Dilma Rousseff.
Em suas manifestações ecoam as campanhas dos anos 50 contra Getúlio Vargas e os argumentos que prepararam o Golpe de 1964. Não faltam críticas ao “populismo”, aos movimentos sociais, que apresentam como “aparelhados pelo Estado”, ou à ameaça de uma “República Sindicalista”, tantas vezes repetida em décadas passadas para justificar aventuras autoritárias.
O Presidente Lula e seu Governo beneficiam-se de ampla aprovação da sociedade brasileira. Inconformados com esse apoio, uma minoria com acesso aos meios, busca desqualificar esse povo, apresentando-o como “ignorante”, “anestesiado” ou “comprado pelas esmolas” dos programas sociais.
Desacostumados com uma sociedade de direitos, confunde-na sempre com uma sociedade de favores e prebendas.
O manto da democracia e do Estado de Direito com o qual pretendem encobrir seu conservadorismo não é capaz de ocultar a plumagem de uma Casa Grande inconformada com a emergência da Senzala na vida social e política do país nos últimos anos. A velha e reacionária UDN reaparece “sob nova direção”.
Em nome da liberdade de imprensa querem suprimir a liberdade de expressão.
A imprensa pode criticar, mas não quer ser criticada.
É profundamente anti-democrático – totalitário mesmo – caracterizar qualquer crítica à imprensa como uma ameaça à liberdade de imprensa.
Os meios de comunicação exerceram, nestes últimos oito anos, sua atividade sem nenhuma restrição por parte do Governo.
Mesmo quando acusaram sem provas.
Ou quando enxovalharam homens e mulheres sem oferecer-lhes direito de resposta.
Ou, ainda, quando invadiram a privacidade e a família do próprio Presidente da República.
A oposição está colhendo o que plantou nestes últimos anos.
Sua inconformidade com o êxito do Governo Lula, levou-a à perplexidade. Sua incapacidade de oferecer à sociedade brasileira um projeto alternativo de Nação, confinou-a no gueto de um conservadorismo ressentido e arrogante.
O Brasil passou por uma grande transformação.
Retomou o crescimento. Distribuiu renda. Conseguiu combinar esses dois processos com a estabilidade macroeconômica e com a redução da vulnerabilidade externa. E – o que é mais importante – fez tudo isso com expansão da democracia e com uma presença soberana no mundo.
Ninguém nos afastará desse caminho.
Viva o povo brasileiro.
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Participe do abaixo assinado:
http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/7080
domingo, 26 de setembro de 2010
A MÍDIA COMERCIAL EM GUERRA CONTRA LULA E DILMA, Leonardo Boff
Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso”pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais” onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.
Esta história de vida, me avaliza para fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.
Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos do Estado de São Paulo, da Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem deste povo. Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.
Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido à mais alta autoridade do pais, ao Presidente Lula. Nele vêem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.
Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.
Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma) “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e nãocontemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo, Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.
Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles tem pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascendente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidene de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.
Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados de onde vem Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e de “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.
O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.
Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.
O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, o fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA faz questão de não ver, protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.
O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e no fundo, retrógrado e velhista ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes.
Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das má vontade deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.
*Teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra.
Fonte: Agência Carta Maior.
Esta história de vida, me avaliza para fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.
Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos do Estado de São Paulo, da Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem deste povo. Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.
Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido à mais alta autoridade do pais, ao Presidente Lula. Nele vêem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.
Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.
Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma) “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e nãocontemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo, Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.
Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles tem pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascendente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidene de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.
Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados de onde vem Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e de “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.
O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.
Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.
O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, o fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA faz questão de não ver, protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.
O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e no fundo, retrógrado e velhista ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes.
Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das má vontade deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.
*Teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra.
Fonte: Agência Carta Maior.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
DILMA É GARANTIA PARA O POVO, por COLETIVO BRASIL 3000
DILMA É GARANTIA PARA O POVO
Reconstruindo o Brasil com o seu voto.
1) Um compromisso - Dilma é mais que uma candidatura. É compromisso de todos e de cada um em aprofundar o rompimento com a forma de fazer política dos governos conservadores anteriores ao Lula (tucanos neoliberais ou democratas carcomidos). Que ao longo da nossa história, por incompetência ou pura conveniência, nada fizeram para reverter este quadro de constante crise social, falta de desenvolvimento, descaso com a educação e saúde e outras tantas situações calamitosas com as quais convivíamos até a nos parecerem inevitáveis. A eleição de Dilma representa o aprofundamento de uma democracia real e efetiva em nosso país, centrada nos interesses da maioria do povo brasileiro. Os trabalhadores, maioria do povo brasileiro, nunca foram parte, como sujeitos, do discurso conservador. Pelo contrário, repetidamente, os conservadores desqualificam a competência política dos trabalhodores. Mais um blefe desmentido, na prática, pelo Governo Lula.
2) Com o povo - Dilma, com sua experiência, política e administrativa, já demonstrada durante o Governo do Presidente Lula, será a garantia de continuidade e aprimoramento do desenvolvimento econômico, político e social que estamos vivendo. Que é fruto da nova direção dada ao Estado Brasileiro, agora, de fato, voltado para a totalidade de seu povo e, não, apenas para a “elite” de sempre, predadora e insensível. Graças à preocupação com o social, que sempre orientou esse Governo cuja continuação Dilma representa, entre tantos outros aspectos favoráveis, uma parcela enorme de nosso povo foi retirada da situação de miséria quase absoluta e outra não menos significativa saiu do patamar da pobreza. Cresceu o emprego com carteira assinada, surgiu movimento cultural preocupado com os dramas e alegrias do Brasil, iniciou-se política internacional independente, solidária, rompendo com tradição conservadora de olhar o mundo, e se portarem diante dele, como devedores subalternos, em tudo, das nações do primeiro mundo.
3) O petróleo é nosso - Torna-se evidente que esta eleição envolve mais do que a escolha presidencial. Está em jogo, diante da já sabida ameaça de crise energética mundial, a questão da exploração da reserva petrolífera do pré-sal, alvo notório de interesses internacionais. A ninguém é dado desconhecer que a descoberta dessa imensa riqueza deveu-se exclusivamente ao esforço do povo brasileiro, através da nossa Petrobrás. Empresa que, caso houvesse vingado a política entreguista e de desmantelamento do Estado, patrocinada pelos conservadores (“democratas” e tucanos), não mais existiria ou não existiria para nós. Mídia brasileira e norte-americana se somam para repor no governo os mesmos que, a mando de fora, privatizaram, sem necessidade, setores, estratégicos, da nossa economia, como a telefonia, a energia elétrica, a petroquímica, a siderurgia, a mineração, portos e ferrovias etc. Enfraquecendo o Estado, reconhecidamente, o único mecanismo de que, de fato, se dispõe, não só aqui, como no mundo, para promover o desenvolvimento dos povos. Passamos ao largo da crise imobiliária e de ativos, que vem balançando o globo, quase que exclusivamente pela restante capacidade de investimento que nos sobrou da sanha privatista dos neoconservadores (Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e do BNDS)
4) Brava gente brasileira - Dilma significa a retomada do Brasil, para seu povo, processo iniciado pela bravura e compromisso do governo popular de Lula e dos partidos progressistas que o apóiam. Eleger Dilma é garantir que é passado a política conservadora que, com sua arrogância, quase quebrou o Brasil. José Serra seria uma sucessão de FHC, como Dilma, será a de Lula. Se José Serra, participante ativo, ministro do primeiro escalão, nunca fez nem esboçou a menor vontade de fazer o que promete fazer agora, por que haveria de fazer depois de eleito? O que se vê da parte de José Serra é apenas uma tentativa de passar um atestado de bobo para o povo brasileiro. Ele esconde a sua participação e responsabilidade no catastrófico governo FHC e não consegue mostrar algo positivo em seu recente Governo de São Paulo. Pelo contrário, o que se vê, em São Paulo, é a manutenção e o agravamento, sob o seu governo, de problemas crônicos e repetitivos nesse grandioso Estado da Federação (enchentes, insegurança pública, ensino público abandonado etc).
5) Olho vivo - Dilma é a garantia que o povo brasileiro, que os trabalhadores brasileiros, continuarão conduzindo a transformação do Brasil, não deixando que o país volte às mãos daqueles que tudo fizeram para que esta transformação nunca ocorresse. Um governo Dilma é a consolidação da derrota da forma conservadora de fazer política. Que não vacila em lançar mão cada vez mais até mesmo da pura e simples difamação dos candidatos progressistas. Gente que, no governo FHC, tão recheado de denúncias, nunca se mexeu no sentido da apuração e tudo fez para que ela não acontecesse. E que, agora, destorcem os fatos, pisam a verdade e vão contra a própria realidade. Felizmente, uma realidade nova, muito diferente daquela que nos legaram. Qual? Não custa e é sempre bom lembrar: a do imenso desemprego, a da economia atirada na informalidade e, por conseguinte, na insegurança de todos, a das lojas e indústrias fechadas, a da violência galopante, a dos poucos trabalhadores mantidos em seus postos de trabalho totalmente intimidados. Por isso, eleitor, é que precisamos eleger Dilma, é que seu voto é importante. Com Dilma, adiante!
ColetivoBrasil3000
Reconstruindo o Brasil com o seu voto.
1) Um compromisso - Dilma é mais que uma candidatura. É compromisso de todos e de cada um em aprofundar o rompimento com a forma de fazer política dos governos conservadores anteriores ao Lula (tucanos neoliberais ou democratas carcomidos). Que ao longo da nossa história, por incompetência ou pura conveniência, nada fizeram para reverter este quadro de constante crise social, falta de desenvolvimento, descaso com a educação e saúde e outras tantas situações calamitosas com as quais convivíamos até a nos parecerem inevitáveis. A eleição de Dilma representa o aprofundamento de uma democracia real e efetiva em nosso país, centrada nos interesses da maioria do povo brasileiro. Os trabalhadores, maioria do povo brasileiro, nunca foram parte, como sujeitos, do discurso conservador. Pelo contrário, repetidamente, os conservadores desqualificam a competência política dos trabalhodores. Mais um blefe desmentido, na prática, pelo Governo Lula.
2) Com o povo - Dilma, com sua experiência, política e administrativa, já demonstrada durante o Governo do Presidente Lula, será a garantia de continuidade e aprimoramento do desenvolvimento econômico, político e social que estamos vivendo. Que é fruto da nova direção dada ao Estado Brasileiro, agora, de fato, voltado para a totalidade de seu povo e, não, apenas para a “elite” de sempre, predadora e insensível. Graças à preocupação com o social, que sempre orientou esse Governo cuja continuação Dilma representa, entre tantos outros aspectos favoráveis, uma parcela enorme de nosso povo foi retirada da situação de miséria quase absoluta e outra não menos significativa saiu do patamar da pobreza. Cresceu o emprego com carteira assinada, surgiu movimento cultural preocupado com os dramas e alegrias do Brasil, iniciou-se política internacional independente, solidária, rompendo com tradição conservadora de olhar o mundo, e se portarem diante dele, como devedores subalternos, em tudo, das nações do primeiro mundo.
3) O petróleo é nosso - Torna-se evidente que esta eleição envolve mais do que a escolha presidencial. Está em jogo, diante da já sabida ameaça de crise energética mundial, a questão da exploração da reserva petrolífera do pré-sal, alvo notório de interesses internacionais. A ninguém é dado desconhecer que a descoberta dessa imensa riqueza deveu-se exclusivamente ao esforço do povo brasileiro, através da nossa Petrobrás. Empresa que, caso houvesse vingado a política entreguista e de desmantelamento do Estado, patrocinada pelos conservadores (“democratas” e tucanos), não mais existiria ou não existiria para nós. Mídia brasileira e norte-americana se somam para repor no governo os mesmos que, a mando de fora, privatizaram, sem necessidade, setores, estratégicos, da nossa economia, como a telefonia, a energia elétrica, a petroquímica, a siderurgia, a mineração, portos e ferrovias etc. Enfraquecendo o Estado, reconhecidamente, o único mecanismo de que, de fato, se dispõe, não só aqui, como no mundo, para promover o desenvolvimento dos povos. Passamos ao largo da crise imobiliária e de ativos, que vem balançando o globo, quase que exclusivamente pela restante capacidade de investimento que nos sobrou da sanha privatista dos neoconservadores (Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e do BNDS)
4) Brava gente brasileira - Dilma significa a retomada do Brasil, para seu povo, processo iniciado pela bravura e compromisso do governo popular de Lula e dos partidos progressistas que o apóiam. Eleger Dilma é garantir que é passado a política conservadora que, com sua arrogância, quase quebrou o Brasil. José Serra seria uma sucessão de FHC, como Dilma, será a de Lula. Se José Serra, participante ativo, ministro do primeiro escalão, nunca fez nem esboçou a menor vontade de fazer o que promete fazer agora, por que haveria de fazer depois de eleito? O que se vê da parte de José Serra é apenas uma tentativa de passar um atestado de bobo para o povo brasileiro. Ele esconde a sua participação e responsabilidade no catastrófico governo FHC e não consegue mostrar algo positivo em seu recente Governo de São Paulo. Pelo contrário, o que se vê, em São Paulo, é a manutenção e o agravamento, sob o seu governo, de problemas crônicos e repetitivos nesse grandioso Estado da Federação (enchentes, insegurança pública, ensino público abandonado etc).
5) Olho vivo - Dilma é a garantia que o povo brasileiro, que os trabalhadores brasileiros, continuarão conduzindo a transformação do Brasil, não deixando que o país volte às mãos daqueles que tudo fizeram para que esta transformação nunca ocorresse. Um governo Dilma é a consolidação da derrota da forma conservadora de fazer política. Que não vacila em lançar mão cada vez mais até mesmo da pura e simples difamação dos candidatos progressistas. Gente que, no governo FHC, tão recheado de denúncias, nunca se mexeu no sentido da apuração e tudo fez para que ela não acontecesse. E que, agora, destorcem os fatos, pisam a verdade e vão contra a própria realidade. Felizmente, uma realidade nova, muito diferente daquela que nos legaram. Qual? Não custa e é sempre bom lembrar: a do imenso desemprego, a da economia atirada na informalidade e, por conseguinte, na insegurança de todos, a das lojas e indústrias fechadas, a da violência galopante, a dos poucos trabalhadores mantidos em seus postos de trabalho totalmente intimidados. Por isso, eleitor, é que precisamos eleger Dilma, é que seu voto é importante. Com Dilma, adiante!
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